Ele tinha tudo: terras, imóveis, carros, tesouros e muito, muito dinheiro mesmo.
Mas ele não era uma pessoa feliz, sofria angustiado pelos cantos, faltava algo que a sua riqueza jamais poderia comprar. Sua vida não era plena, o vazio existencial o torturava... Por vezes pensava: de que me adianta ter tanto dinheiro, se não posso ter um filho.
Ter um filho era só o que faltava para tornar a vida daquela pessoa genuinamente significativa.
Dica:
Professor!
As possibilidades de poder ser ou não alguma coisa, ter ou não ter alguma coisa, realização ou frustração são contingências da vida de qualquer pessoa. Este é um assunto importante para a aprendizagem e formação do aluno.
Mauro Feijó
Este blog tem como objetivo provocar o cérebro, tanto para elucubrar quanto para relaxar. Traz textos e frases reflexivas, imagens e curiosidades diversas. É destinado a todos que buscam ler a realidade não só pelas palavras, mas de todas as formas como ela se oferece. Veja que os assuntos se misturam, pode ser chato, mas é assim mesmo que pensamos a realidade, não nos detemos a um assunto somente, pois uma coisa puxa a outra. Também oferece subsídios para aulas de filosofia no ensino básico.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Desejo proibido - Aula 16
Todas as pessoas sabem o que é um desejo proibido. Alguém que queira comer algo e não pode, queira fazer alguma coisa e não deve, configura um desejo proibido.
Tem coisas que temos vontade de fazer, mas sabemos que é melhor não fazer.
Por isso devemos estar sempre bem preparados para vencer a tentação e o desejo proibido, agindo assim, certamente evitaremos problemas.
Dica:
Professor!
Conceitos como vontade, desejo e necessidade podem ser trabalhados a partir do texto. Perceber a distinção entre esses conceitos, fará com que o aluno pense mais e melhor antes de agir em relação à determinada situação.
Mauro Feijó
Tem coisas que temos vontade de fazer, mas sabemos que é melhor não fazer.
Por isso devemos estar sempre bem preparados para vencer a tentação e o desejo proibido, agindo assim, certamente evitaremos problemas.
Dica:
Professor!
Conceitos como vontade, desejo e necessidade podem ser trabalhados a partir do texto. Perceber a distinção entre esses conceitos, fará com que o aluno pense mais e melhor antes de agir em relação à determinada situação.
Mauro Feijó
Onde mora a flor? Aula 18
Eu estava de cabisbaixo no meu canto, quando me dei conta olhava para baixo, percebi que uma flor saiu do chão. Do chão, não da parede, nem de um outro lugar... Aquela flor havia saído do chão!
Então as flores moram no chão, é de lá que todas elas brotam. E como têm flores lindas, dos mais diversos tipos, cores variadas, algumas perfumadas e outras nem tanto, grandes e pequenas. E todas moram no chão.
Portanto, olhe e cuide por onde andas, não esmague nem sufoque a semente, pois a flor precisa nascer.
Dica:
Professor!
O texto nos faz pensar no meio ambiente, e o cuidado que devemos ter para com ele. Um trabalho de conscientização pode partir deste texto.
Mauro Feijó
Então as flores moram no chão, é de lá que todas elas brotam. E como têm flores lindas, dos mais diversos tipos, cores variadas, algumas perfumadas e outras nem tanto, grandes e pequenas. E todas moram no chão.
Portanto, olhe e cuide por onde andas, não esmague nem sufoque a semente, pois a flor precisa nascer.
Dica:
Professor!
O texto nos faz pensar no meio ambiente, e o cuidado que devemos ter para com ele. Um trabalho de conscientização pode partir deste texto.
Mauro Feijó
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Uma prova para os professores
“Se você tem uma mente calma, será uma pessoa bela.
Se você é uma pessoa bela, criará um lar harmonioso.
Se o seu lar está em harmonia, sua nação se encontrará em ordem.
Se em sua nação há ordem, haverá paz no mundo.” Lao Tsé
Se bem compreendida a profundidade das palavras de Lao Tsé[1], é possível começar a empreender verdadeiras mudanças na Educação. Pensemos: quanto do tempo escolar é destinado atualmente ao desenvolvimento humano?
Somos testemunhas impotentes de atentados protagonizados, em muitas ocasiões, por pessoas com formação acadêmica, o que incita em nós espanto e perplexidade. Os veículos de comunicação expõem cotidianamente feitos de criminosos que parecem não valorizar suas vidas, menos ainda a alheia. Matam de maneira atroz e ainda nos perguntamos retoricamente: por quê?
E para esta resposta que não se delineia concretamente somam-se muitas outras, para muitas indagações que povoam nossa mente: que padrão de beleza estamos criando?; até quando exaltaremos a beleza construída nas academias, nas clínicas de estética, expostas em desfiles de moda, a beleza exterior, enfim, sem observar de fato como está o interior de cada indivíduo que nos cerca?
No mundo corporativo sempre se culpa a Instituição pela permanência de ultrapassados modelos, como se ela fosse um ser abstratamente personificado, a quem possa ser imposto um julgamento. Talvez, confortavelmente, ignore-se que quando um indivíduo é diferente ou muda, promove a diferença e as mudanças, desde que não se amolde antes ao velho. Foi isto que se perguntou a antropóloga Margaret Mead[2]: “Quem disse que um pequeno grupo de pessoas comprometidas não pode mudar o mundo?”
As pessoas têm sonhos, objetivos pessoais? Como vão em busca deles? Quais são os modelos sociais de sucesso que os jovens vão escolher imitar? Em que circunstâncias a escola os ajuda nessa escolha? Os professores têm tempo (frente a todos os conteúdos elencados no planejamento) para perguntar aos alunos quais são seus ídolos, quais são seus modelos? Qual é para o aluno, o sentido da vida?
Sabe-se, por meio de ensinamentos do mundo publicitário que, uma ação individual leva a um comportamento contagiante. Por que, então, ainda não se investe fortemente em mudança de comportamento? Por que, nas escolas, continuamos tendo como base fórmulas tão antigas quanto entediantes? A quem convém que perdure este estado de coisas?
O sociólogo Jonathan Crane[3] propõe a ideia de que há um ponto chave na sociedade que deve ser observado e estudado de maneira crítica e atenciosa. Segundo ele, quando a quantidade de pessoas que servem como modelos sociais fica abaixo de 5%, a comunidade torna-se disfuncional, como demonstram os aumentos dos índices de gravidez na adolescência, abandono escolar, envolvimento com drogas e violência. Por outro lado, se o número de pessoas que servem como modelos (comerciantes, professores, gerentes) está entre 5% e 40%, as comunidades mantêm-se estáveis e funcionais.
Entre os jovens, quem hoje ousa sonhar em ser professor em países como Brasil ou Argentina? Do que mais precisamos para chegar à conclusão de que, salvo poucas exceções, vivemos em uma sociedade disfuncional? Coragem tem quem, diante de tal realidade, ainda procria, contrariando a ideia machadiana: “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.[4]
Apesar do esforço deste e de alguns em não transmitir nem perpetuar a miséria humana, outros o fazem e aí está nosso mundo com muitas crianças a serem formadas, conduzidas, preparadas. Assim, aos educadores não há alternativas senão facilitar seu desenvolvimento saudável, torná-las autônomas e capazes de trilhar
seus próprios caminhos, respeitando o de outros.
Mas urge começar por um desenvolvimento pessoal, um investimento individual, reinventando-se, mudando e se transformando em um modelo social positivo e belo, digno de ser imitado.
Se, além de refletir, a proposta aqui fosse também responder as perguntas para nota de uma prova final, muitos de nós – educadores – já estaríamos reprovados e carregaríamos o peso do fracasso escolar. E, ainda que não valha nota, podemos nos livrar da sensação de fracasso se não mudarmos nada?
- Lao tze, Laozi, Lao-tse ou Lao Tzu são pronúncias ocidentalizadas para o título do misterioso personagem da filosofia antiga chinesa, cujo nome real seria Li Er ou Lao Dan.
[2] Margaret Mead foi uma antropóloga cultural norte-americana. Nasceu na Pensilvânia, criada na localidade de Doylestown por um pai professor universitário e uma mãe ativista social.
[3] Jonathan Crane, sociólogo da Universidade de Illinois
[4] Memórias Póstumas de Brás Cubas é um romance escrito por Machado de Assis, desenvolvido em princípio como folhetim, de março a dezembro de 1880, na Revista Brasileira, para, no ano seguinte, ser publicado como livro, pela então Tipografia Nacional.
Profª. Irene Reis dos Santos
LETRAS PORTUGUÊS/ ESPAÑOL - USP
Professora, tradutora, autora, revisora, leitora crítica.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Doze princípios do consumidor consciente
1. Planeje suas compras
Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.
2. Avalie os impactos de seu consumo
Leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.
3. Consuma apenas o necessário
Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.
4.Reutilize produtos e embalagens
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.
5.Separe seu lixo
Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
6.Use crédito conscientemente
Pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.
7.Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas
Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade do produto. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.
8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados
Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.
9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços
Adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.
10. Divulgue o consumo consciente
Seja um militante da causa: sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.
11. Cobre dos políticos
Exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente.
12. Reflita sobre seus valores
Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo.1. Planeje suas compras.
Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.
2. Avalie os impactos de seu consumo
Leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.
3. Consuma apenas o necessário
Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.
4.Reutilize produtos e embalagens
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.
5.Separe seu lixo
Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
6.Use crédito conscientemente
Pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.
7.Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas
Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade do produto. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.
8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados
Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.
9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços
Adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.
10. Divulgue o consumo consciente
Seja um militante da causa: sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.
11. Cobre dos políticos
Exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente.
12. Reflita sobre seus valores
Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo.1. Planeje suas compras.
Fonte: akatu.org
Fazer elogio
Em dias corridos e competitivos como os que vivemos, nem sempre enxergamos os aspectos positivos das pessoas com as quais interagimos, prevalecendo quase sempre um impacto negativo nas relações interpessoais, principalmente nas profissionais.
Por isso, quando apresentamos um elogio a alguém, promovemos uma ação afirmativa, isto é, uma ação promotora de bem-estar. Como temos clareza suficiente para perceber pontos positivos nas pessoas, devemos exercitar essa capacidade de elogiar sempre que for possível. Elogiar é uma forma de olhar com boa vontade para o outro. Assim, além de agradáveis, estaremos conquistando a simpatia das pessoas...
Mauro Feijó
Por isso, quando apresentamos um elogio a alguém, promovemos uma ação afirmativa, isto é, uma ação promotora de bem-estar. Como temos clareza suficiente para perceber pontos positivos nas pessoas, devemos exercitar essa capacidade de elogiar sempre que for possível. Elogiar é uma forma de olhar com boa vontade para o outro. Assim, além de agradáveis, estaremos conquistando a simpatia das pessoas...
Mauro Feijó
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
De uma rede em construção
Parece que a palavra da moda se chama rede. Com o desgaste do uso de outras palavras, até a educação passará pelo crivo da rede, o que pode ajudar na atualização e afirmação do papel que a escola deve assumir para dar conta de sua função social. A questão está na própria compreensão de rede, uma vez que a mesma não existe sem os nós (amarrações) próprios que a constituem como tal.
Educar sempre foi e sempre será uma arte, adaptada aos diferentes momentos históricos. (Uma arte nunca está pronta e também não tem fórmula única para existir). Educar faz parte de um processo dinâmico da vida da sociedade. Educar sempre trouxe desafios imensos, sobretudo em momentos históricos de profundas transformações tecnológicas e de organização da produção e da sobrevivência. Educar, para uma mudança social, exige sempre a definição de sonhos e metas, concretizadas por grandes ideias, pois “quem conduz e arrasta o mundo não são as máquinas, mas as ideias” (Vitor Hugo).
A escola, no nosso tempo histórico, cumpre a função insubstituível de sistematização das informações, para transformá-las em conhecimento. É verdade que os alunos de hoje leem mais e que estão mais informados e integrados aos processos dinâmicos da vida social, mas também é verdade que escrevem menos, tem dificuldades de se comunicar e expressar, tem grandes problemas nos seus relacionamentos interpessoais, tem dificuldades de projetar seus sonhos e idealizar o seu futuro. Os adolescentes e jovens de hoje não conseguem, ainda, transformar a avalanche de informações que recebem em conhecimento, posturas e atitudes. Estar informado e conectado ao mundo virtual não é suficiente para decidir o que fazer com o mundo real, seja a partir de uma intervenção pessoal ou coletiva.
Vivemos a era da tecnologia e da informatização, mas não quer dizer que possamos suprimir a importância da oralidade e da escrita. Mais do que nunca, para a nossa humanização, precisamos comunicar e compreender melhor a nós mesmos e aos outros. Precisamos aperfeiçoar a nossa comunicação, para uma melhor compreensão de nós mesmos, dos outros e do mundo. Precisamos tornar as máquinas ferramentas que nos auxiliem na convivência social. Os “faces” não podem substituir as nossas “faces a faces”, respeitando as diferenças e as peculiaridades do ser que somos. Precisamos também produzir os nossos conhecimentos através da escrita, fazendo sínteses que nos orientem para uma vida alicerçada nos sonhos e metas que decidimos projetar.
Uma rede de ensino precisa articular os diferentes “nós” que a constituem: a comunidade, os alunos, os professores, a comunidade escolar, os gestores municipais, os conselhos de educação. A mediação entre estes diferentes “nós” precisa contemplar as condições para uma boa aprendizagem e a vivência de cidadania e de direitos das nossas crianças, adolescentes e jovens a partir das nossas escolas.
O esforço do conjunto de escolas municipais ou estaduais e seus gestores constituem uma rede em construção. Esta rede, no entanto, não pode trabalhar isolada. Outras redes precisam ser articuladas e amarradas para que a vida social esteja garantida. A escola não pode nem ser uma ilha e nem uma rede isolada do contexto social da qual ela é parte.
Educar sempre foi e sempre será uma arte, adaptada aos diferentes momentos históricos. (Uma arte nunca está pronta e também não tem fórmula única para existir). Educar faz parte de um processo dinâmico da vida da sociedade. Educar sempre trouxe desafios imensos, sobretudo em momentos históricos de profundas transformações tecnológicas e de organização da produção e da sobrevivência. Educar, para uma mudança social, exige sempre a definição de sonhos e metas, concretizadas por grandes ideias, pois “quem conduz e arrasta o mundo não são as máquinas, mas as ideias” (Vitor Hugo).
A escola, no nosso tempo histórico, cumpre a função insubstituível de sistematização das informações, para transformá-las em conhecimento. É verdade que os alunos de hoje leem mais e que estão mais informados e integrados aos processos dinâmicos da vida social, mas também é verdade que escrevem menos, tem dificuldades de se comunicar e expressar, tem grandes problemas nos seus relacionamentos interpessoais, tem dificuldades de projetar seus sonhos e idealizar o seu futuro. Os adolescentes e jovens de hoje não conseguem, ainda, transformar a avalanche de informações que recebem em conhecimento, posturas e atitudes. Estar informado e conectado ao mundo virtual não é suficiente para decidir o que fazer com o mundo real, seja a partir de uma intervenção pessoal ou coletiva.
Vivemos a era da tecnologia e da informatização, mas não quer dizer que possamos suprimir a importância da oralidade e da escrita. Mais do que nunca, para a nossa humanização, precisamos comunicar e compreender melhor a nós mesmos e aos outros. Precisamos aperfeiçoar a nossa comunicação, para uma melhor compreensão de nós mesmos, dos outros e do mundo. Precisamos tornar as máquinas ferramentas que nos auxiliem na convivência social. Os “faces” não podem substituir as nossas “faces a faces”, respeitando as diferenças e as peculiaridades do ser que somos. Precisamos também produzir os nossos conhecimentos através da escrita, fazendo sínteses que nos orientem para uma vida alicerçada nos sonhos e metas que decidimos projetar.
Uma rede de ensino precisa articular os diferentes “nós” que a constituem: a comunidade, os alunos, os professores, a comunidade escolar, os gestores municipais, os conselhos de educação. A mediação entre estes diferentes “nós” precisa contemplar as condições para uma boa aprendizagem e a vivência de cidadania e de direitos das nossas crianças, adolescentes e jovens a partir das nossas escolas.
O esforço do conjunto de escolas municipais ou estaduais e seus gestores constituem uma rede em construção. Esta rede, no entanto, não pode trabalhar isolada. Outras redes precisam ser articuladas e amarradas para que a vida social esteja garantida. A escola não pode nem ser uma ilha e nem uma rede isolada do contexto social da qual ela é parte.
Nei Alberto Pies, professor de direitos humanos
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Meio e fim
A razão confere ao ser humano a capacidade de escolha frente às possibilidades que a vida oferece. Porquanto o homem pode optar ao invés de se submeter, se assim lhe interessar. Por tal condição, ele avançou aos estágios tecnológicos tão apreciáveis atualmente, além de estimular a sua continuidade indo em direção ao que a imaginação e a realização permitirem no futuro. Então, do ponto de vista da preservação da espécie e do aperfeiçoamento, fins estabelecidos o inspiraram na jornada evolutiva. E, para atingir cada fim pretendido, demandou-se a criação dos respectivos meios. Mas ocorreu uma séria incompreensão, levando-o a trocar o fim pelo meio. Mais: a troca revestiu-se de verdade inquestionável e absoluta. Diz-se, sem pestanejar: “É assim mesmo!” Medo de eventual revisão?
Com o desenvolvimento da sociedade, novos interesses ganharam espaço na vida comum, incluindo-se, notadamente, a posição social que tantos aspiram atingir. A partir dessa perspectiva, os meios que deveriam servir para se alcançar a sobrevivência, mesclaram-se com o status quo, e, em vários casos, resultou o exagero. Por exemplo, a moradia (meio) para a proteção (fim) pessoal e familiar, tornou-se a finalidade em si mesma, haja vista muitas pessoas se predisporem mais a conquistá-la para a satisfação das aparências sociais do que propriamente para a sua segurança – ainda que não se perceba -, pois as dimensões arquitetônicas e os padrões de luxo servem, consideravelmente, de modo estatisticamente comprovado, para atrair o perigo do roubo e, nos casos extremos, da morte.
Entretanto, o autoengano faz o seu autor alegar que só se quer maior conforto e segurança, e que, infelizmente, alguns assim não o permitem. Porém, equivale dizer que há efeito sem causa. Reação sem ação. É prudente lembrar que quem pretende chamar a atenção da sociedade para a sua abundância, atrai não apenas àquele do seu interesse, mas a outros cujo objetivo é perigosamente distinto... Ainda: verifica-se que mesmo que a troca do fim pelo meio salte aos olhos, a cegueira causada pela autoilusão impede de se observar criticamente tal equívoco, e faz, ainda, concluir-se, de forma imperativa, que morar modestamente é pouco, e que a riqueza simboliza inteligência superior. Será mesmo?
Portanto, ao invés de tentar reduzir as chances de sofrer os perigos através da ponderação e da modéstia, age-se contrariamente à lógica da segurança, erguendo enorme chamariz por meio da irrefletida necessidade da opulência. Não se aprecia sequer que houve uma alteração do fim pelo meio, e que a simples sobrevivência foi engolida pela complexa dimensão da aparência e da satisfação acerca da localização na pirâmide social. Não é arriscado demais?
É claro que há lugares ao redor do mundo onde a segurança se mostra melhor instalada. Não obstante, inexiste a garantia de que se perpetue tal proteção, pois o descuido é filho da acomodação, e somos sempre tentados a tal relaxamento. E mesmo nos casos em que aparentemente a segurança encontra-se em alta, a realidade impõe-se inexorável. Logo, emerge uma pergunta: Nas atuais condições sociais, não se anda na contramão do bom senso ao mostrar grandeza (e gastar com ela) e se expor tão abertamente?
Com o desenvolvimento da sociedade, novos interesses ganharam espaço na vida comum, incluindo-se, notadamente, a posição social que tantos aspiram atingir. A partir dessa perspectiva, os meios que deveriam servir para se alcançar a sobrevivência, mesclaram-se com o status quo, e, em vários casos, resultou o exagero. Por exemplo, a moradia (meio) para a proteção (fim) pessoal e familiar, tornou-se a finalidade em si mesma, haja vista muitas pessoas se predisporem mais a conquistá-la para a satisfação das aparências sociais do que propriamente para a sua segurança – ainda que não se perceba -, pois as dimensões arquitetônicas e os padrões de luxo servem, consideravelmente, de modo estatisticamente comprovado, para atrair o perigo do roubo e, nos casos extremos, da morte.
Entretanto, o autoengano faz o seu autor alegar que só se quer maior conforto e segurança, e que, infelizmente, alguns assim não o permitem. Porém, equivale dizer que há efeito sem causa. Reação sem ação. É prudente lembrar que quem pretende chamar a atenção da sociedade para a sua abundância, atrai não apenas àquele do seu interesse, mas a outros cujo objetivo é perigosamente distinto... Ainda: verifica-se que mesmo que a troca do fim pelo meio salte aos olhos, a cegueira causada pela autoilusão impede de se observar criticamente tal equívoco, e faz, ainda, concluir-se, de forma imperativa, que morar modestamente é pouco, e que a riqueza simboliza inteligência superior. Será mesmo?
Portanto, ao invés de tentar reduzir as chances de sofrer os perigos através da ponderação e da modéstia, age-se contrariamente à lógica da segurança, erguendo enorme chamariz por meio da irrefletida necessidade da opulência. Não se aprecia sequer que houve uma alteração do fim pelo meio, e que a simples sobrevivência foi engolida pela complexa dimensão da aparência e da satisfação acerca da localização na pirâmide social. Não é arriscado demais?
É claro que há lugares ao redor do mundo onde a segurança se mostra melhor instalada. Não obstante, inexiste a garantia de que se perpetue tal proteção, pois o descuido é filho da acomodação, e somos sempre tentados a tal relaxamento. E mesmo nos casos em que aparentemente a segurança encontra-se em alta, a realidade impõe-se inexorável. Logo, emerge uma pergunta: Nas atuais condições sociais, não se anda na contramão do bom senso ao mostrar grandeza (e gastar com ela) e se expor tão abertamente?
Armando Correa de Siqueira - Psicólogo
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