FILOSOFIAS Et cetera

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Escolha a língua

sábado, 27 de julho de 2013

Qual Educação queremos: O que uma Escola Reflexiva precisa?

É inegável que vivemos um tempo que apresenta necessidades essenciais para a convivência entre as pessoas. Tempo em que a comunicação é instantânea, e as pessoas não conseguem dialogar, discutir ideias, ter paciência e colocar-se no lugar do outro.
Somando-se a isso e a outros fatores, educadores e escolas entram na “onda da moda”, colocada por grandes corporações e grupos empresarias, de que educar hoje é só oportunizar para os aparatos e, em alguns casos, espera-se que quinquilharias tecnológicas (entendam aqui os tablets, lousas digitais, smartfones, livros digitais...) façam a diferença na aprendizagem.
Porém, os grandes educadores de todos os tempos já deixaram legados do que é e como educar. Estão presentes na memória e, mais do que nunca, sendo necessários. Precisamos abrir espaços cada vez maiores para o diálogo que educa para a tolerância. Para o diálogo que aproxima e abre novas perspectivas. Para o diálogo que leva à investigação, ao questionamento, aos amadurecimentos e às transformações. Somente educaremos as gerações atuais e futuras abrindo espaços para o pensar, dialogar, discutir, investigar, e a sala de aula é o espaço privilegiado para isso acontecer. Essa sala de aula que deve ser transformada numa Comunidade de Aprendizagem Investigativa e que tem como mediação uma investigação e aprendizagem reflexivas, filosóficas.
Educação, Filosofia e Sensibilidade são o tripé da Escola Reflexiva no século XXI, e tudo o mais é mera “perfumaria”. Escola Reflexiva que desperta nas crianças, nos adolescentes e jovens o gosto pela vida, a alegria da convivência e a busca da simplicidade para conhecer e ser no mundo. Escolas e educadores que não vislumbram um filosofar vivo na sua prática filosófica se deixarão guiar pela “onda da moda” como tábua de salvação.
Este é o foco das ações e reflexões durante os preparativos aos 25 anos do Centro de Filosofia Educação para o Pensar e Editora Sophos.
- a entrevista com um grande educador e formador de opiniões no campo educacional, o Prof. Celso Antunes (pág. 3).
- O entendimento do logotipo que nos acompanhará até 2014, quando celebramos o Jubileu (pág.4).
- O lançamento do Prêmio “Troféu Amigos da Filosofia” – 4ª edição (pág. 5).
- O destaque no encarte especial ao Projeto Coruja Itinerantes, que percorre o País e oportuniza reflexões e ações interdisciplinares.
- Um sobrevoar pelas notícias, reflexões e ações de escolas de Norte a Sul do nosso País (pág. 6 a 11), mostrando um filosofar vivo.

Você que acredita e defende uma Escola Reflexiva e dialógica, venha construir conosco a sua e a nossa história jubilar, por meio de um filosofar vivo.

Prof. Dr. Silvio Wonsovicz
Presidente do Centro de Filosofia Educação para o Pensar

As coisas que não escolhemos


Por vezes pensei que a vida dependesse exclusivamente das escolhas feitas. Porém percebo que este raciocínio não detém toda a verdade, senão vejamos: uma pessoa que nasce pobre, em condições de indignidade, talvez, por motivos diversos, nunca consiga superar essa realidade, mesmo fazendo as escolhas certas e se esforçando ao máximo para prosperar. Então, neste caso, a pessoa não terá lucrado o resultado de suas escolhas.

Não é possível dizer que as pessoas pobres e excluídas não sejam vítimas; autores é que não os são; não escolheram viver na indignidade. Vítimas necessitam de defesa, ajuda e amparo, para que retorne a elas a condição genuína de ser pessoa. Dignidade confunde-se com liberdade, na busca que cada ser humano faz para constituir-se gente. Como disse Cecília Meirelles, “liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta e não há ninguém que não a busque e ninguém que não a entenda”.

Portanto, quando houver oportunidades em igualdade de condições para todos e, alguém escolher não prosperar, então esta pessoa não será vítima.

Mauro Feijó


sábado, 20 de julho de 2013

Inteligência na TV


Ao completar 18 anos, o americano já assistiu a 40 mil assassinatos e 200 mil agressões. Essa é mais uma das estatísticas que municiam o tiroteio contra um dos sacos de pancadas prediletos dos americanos: emissoras comerciais.

Apoiada em centenas de pesquisas sobre o efeito negativo da TV na formação das crianças, a ofensiva de pais, professores, psicólogos e médicos se espalhou pelo país, obtendo uma vitória expressiva.

[...] Os americanos mostram nas pesquisas que desejam mais educação na TV, responsabilizada pela degeneração dos costumes, a começar pela violência.

Na verdade, são dezenas as causas da violência, agindo de forma diferente em cada comunidade. Mas apenas uma mula sem-cabeça deixaria de reconhecer que o bombardeio diário de lixo visual influencia, em algum grau, negativamente.

Há toneladas de experiências de psicólogos que submeteram crianças a vídeos sangrentos e, rapidamente, constataram aumento da agressividade.

A exposição excessiva a cenas violentas no cinema e na TV age no inconsciente das pessoas, contribuindo para o aumento da agressividade e tornando-as cada vez mais insensíveis à violência.

(Gilberto Dimenstein. Aprendiz do futuro - Cidadania hoje e amanhã. São Paulo: Ática, 1997. P.76)

Mistério, algo necessário

Enquanto o quebra-cabeça não está montado, o suspense continua... Fico preso a ele, cheio de curiosidade, imaginando qual a próxima peça a ser encaixada. O suspense me toma por inteiro, pois não existe a certeza do próximo movimento. Esta sensação de mistério me encanta, me atrai, torna a vida mais emocionante...
Penso: existe um grande vazio de mistério na vida das pessoas, o que é uma pena, pois ele se faz necessário como "tempero" das sensações. A vida não pode e não deve ser apenas racionalizada como se fosse uma ciência cheia de certezas. Em suas várias dimensões, uma delas é o mistério, que pode ser nominado, por exemplo, em Deus, na morte, ou ainda, em qualquer coisa que venhamos a achar fascinante. Por isso a importância do mistério na vida das pessoas...
Quando o significado de alguma coisa fica escondido ou ocultado na sua causa, quando não temos explicação para determinado fenômeno, daí o mistério. E não podemos negar que isso é fascinante. Portanto, precisamos do secreto, do escondido, para que a vida não seja apenas pensada e sim, misturada com outras sensações.

O célebre poeta Mário Quintana, em Os degraus, relata:

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas ao sótão - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Nossa! Como tinha razão o poeta.

Mauro Feijó

Números do beijo e seus significados

O beijo na boca já cumpriu e vem cumprindo diferentes papéis na história da humanidade. Na Grécia antiga, por exemplo, era uma forma comum de expressar carinho usada entre pais e filhos, como ainda ocorre hoje nas famílias americanas. Entre os persas e os romanos antigos, cumpria o papel de mostrar reverência aos homens de prestígio social. Nos casamentos escoceses, depois de concluída a cerimônia, era o padre quem beijava os lábios da noiva como forma de abençoar a união do casal.
Veja como já na Bíblia, no livro Cântico dos Cânticos, o homem descrevia o beijo da mulher amada:

Teus lábios, minha noiva, destilam néctar;
em tua língua há mel e leite.
Tuas vestes têm a fragrância do Líbano.  (4.11)


Um beijo movimenta 29 músculos: 12 dos lábios e 17 da língua. As pulsações cardíacas durante o beijo saltam de 70 para 140 por minuto. Com um único beijo, uma pessoa pode queimar de 3 a 12 calorias, dependendo da intensidade.

Fonte: português linguagens

sábado, 13 de julho de 2013

Reflexões num sábado qualquer

Hoje, enquanto andava desatento e incauto, a vida me fez um "psiiiuuu"... E disse: espera um pouco! Tu não achas que andas muito acelerado, indo rápido demais? Assim tu não estás aproveitando devidamente a minha essência, pois saiba que eu sou cada instante teu, cada coisa que tu fazes ou deixas de fazer, estou contigo em cada pessoa que se aproxima de ti, cada pensamento que teu intelecto produz, mesmo os mais insignificantes... Estou nas alegrias e nas tristezas... Nas satisfações e frustrações... Estou! Podes crer, estou mesmo...  Puxa! Vê se relaxa um pouco... Permita-me que eu seja prazerosa e longa, consequente e interessante, sobretudo que eu seja valiosa, isto é, que eu faça a diferença enquanto a pulsão vital estiver em ti... Me ajude a ter e dar sentido às coisas... Por favor, não permite que eu seja só um lapso temporal, pois não esqueça: eu sou a tua VIDA!

Mauro Feijó

Sensibilidade, educação e filosofia

As crianças produzem as mais puras obras da sensibilidade humana e nos orgulham com seus ingênuos e inocentes encantos. Crianças, adolescentes e jovens facilmente percebem quando um professor ou professora lhes oferece sabedoria, recheada de amor e dignidade. Sabem também reconhecer, como reconhecem seus pais, que professores trabalham duro e não são reconhecidos e nem estimulados a realizarem-se, com dignidade, no seu ofício de ensinar. Deles, somente deles, os professores recebem flores e presentes, em forma de agradecimento e reconhecimento por tudo que fazem por eles.
A sensibilidade é própria daqueles que estão de bem com a vida e se envolvem numa catarse de movimentos que geram boas percepções de vida, de ser humano e de beleza, daqueles que tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e boca para falar, serenamente. Por sua vez, quando reina a insensibilidade, esta gera auto-suficiência, arrogância e rancor, qualidades que não cativam e não agregam ninguém.
Oferecemos, todos os dias, o melhor do que somos, por amor às nossas crianças. Ofertamos a elas luzes de esperança, forjadas na cotidiana luta de superação pessoal e profissional. Se os adolescentes sonham em transformar o mundo, mostramos a eles caminhos de saudável rebeldia, arrebatadora de causas, sonhos e desejos que move a cada um e cada uma. Se jovens e adultos acreditam no poder do conhecimento, os estimulamos a fazerem suas buscas na vida pessoal e profissional, através de seus estudos.
Sensibilidades afetivas, sociais e políticas constituem um legado daqueles que escolheram ser professor ou professora. Por obra desta paixão, fazem-se compreensivos com os outros, e sofredores com eles, crentes que cada ser humano possui as mais ricas e únicas possibilidades de superar-se. Como na educação, também na política, só deveriam atuar aqueles que, acima de vaidades e interesses, sejam capazes de agregar-se na crença de que todo ser humano é capaz de superar-se em todos os seus contextos, singularidades e peculiaridades. Para isto serve a política e a educação: propiciar instrumentos às pessoas para sua liberdade e sua emancipação.
Daqueles que assumem posições de poder, espera-se que sejam abertos ao diálogo, mesmo que na dureza das críticas dos outros. Que se interessem pela coletividade, sem desfazer-se de suas motivações e convicções políticas. Que saibam avançar nas proposições, mas também recuar quando se faz necessário. Que desenvolvam habilidades capazes de justificar as intenções que desejam concretizadas na coletividade.

“Quem luta, também educa”. Quem ama, também educa. Quem não se acovarda de sua consciência, ganha mais vida na dignidade, justamente por assumir-se como é. Quem educa segue acreditando que educação não é um fim, mas meio para estimular os mais loucos desejos do ser humano: a felicidade. E não aceita o discurso desvairado que nos acusa de “torturar” nossas amadas crianças.

Nei Alberto Pies, professor e
ativista em direitos humanos

Sonho social

O sonho de conquista social pode ser o resultado direto dos desejos que se formam em um dado momento da vida. Por razões extremamente particulares, o ser humano é capaz de buscar sensações agradáveis no convívio através da realização de metas estabelecidas, as quais podem ser chamadas de sonhos. Motivos são importantes na vida de uma pessoa em razão da ocupação que demandam, permitindo que o tempo seja preenchido de alguma forma. No entanto, emerge uma pergunta fundamental: será que nos conhecemos o suficiente para definir mais adequadamente os tipos de sonho que devemos estabelecer?
Será que dispomos de suficiente autoconhecimento sobre as reais necessidades pessoais para alinhá-las aos sonhos por nós projetados? Criamos sonhos que na verdade não passam de desnecessários pesadelos (determinada carreira profissional, um dado relacionamento, posse de certos bens)? Alerta: muitos pais, ignorando o autoengano, estimulam seus filhos a perseguir o que, à luz da razão, causaria desestímulo? Mais: mesmo sob o torturante erro causado por objetivos irrefletidos, é possível manter-se crente de que é correto o caminho e persistir em tal desatino por tempo indeterminado? Quem sabe a hora de parar e rever a trajetória? Quem quer enxergar isso?
O sonho de sucesso social faz parte da nossa convivência há considerável tempo; em muitas culturas é possível localizá-lo facilmente. O sonho da glória social parece tão natural quanto necessário, haja vista ele surgir com veemência em diferentes pessoas, nas variadas classes sociais, notadamente desde a origem da civilização, além de se sofisticar gradualmente com a evolução tecnológica. No entanto, é devido questionar: se a grossa maioria das pessoas não realizou esse tipo de sonho ao longo da história, mas sobreviveu normalmente, ele é de fato essencial?
Por ventura, ao desconhecer-se, o homem não se deixa levar por impressões externas e toma para si os sonhos que nada ou pouco lhe dizem respeito, acreditando lhe pertencerem legitimamente? Na falta de tal consciência, recorre-se, inconscientemente, ao sonho alheio? Curiosamente, pode-se pensar em pesadelo coletivo quando muitos se enganam e sofrem por motivos semelhantes? Querer um estilo de vida (por mais atraente que seja) fora dos moldes particulares pode causar algum desarranjo psíquico tal como o desgastante desvio das energias que devem sustentar a imagem do sonho que em algum momento não fará mais tanto sentido e perderá a sustentação outrora convicta? A frustração pode roubar a cena conforme o grau de desalinhamento entre o que perdeu o significado e a realidade construída?
É aqui, portanto, que se deve empreender uma profunda e intensa autoavaliação a fim de reduzir o equívoco, mesmo sob o enorme trabalho que se seguirá por força da mudança que se impõe cada vez mais vigorosa conforme se avança na aquisição da libertadora consciência. Porém, quem quer se libertar da própria inconsciência? O que você quer para si: sonho ou pesadelo social?

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. Coautor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006