Os medicamentos que denominamos de antidepressivos fazem parte de um grupo bastante heterogêneo de medicamentos com alguns efeitos terapêuticos em comum, o mais importante dos quais o de levar à melhora e remissão de episódios de depressão bem como conseguir evitar novos episódios. Os antidepressivos, apesar do nome, são medicamentos muito úteis em diversas áreas da medicina, não apenas no tratamento da depressão. São, por exemplo, eficazes também no tratamento de diversos transtornos de ansiedade, em pacientes com dor crônica ou ainda na prevenção de crises de enxaquecas.
Embora se conheça bastante sobre as ações destes medicamentos no cérebro e em outros orgãos, não se conhece exatamente como eles contribuem para a melhora da depressão. O que se sabe é que todos os medicamentos atualmente disponíveis denominados de antidepressivos influenciam a atividade das aminas bioativas que atuam em nosso cérebro como neurotransmissores, particularmente a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. De modo geral, pode-se dizer que atuam sobre sistemas de células nervosas em nosso cérebro, relacionadas à motivação, ao controle da ansiedade, da depressão e das sensações dolorosas. Esses sistemas de células são regulados, de grosso modo, através de substâncias denominadas de neurotransmissores como as aminas bioativas citadas anteriormente. Os antidepressivos agem também sobre os receptores de acetil-colina e de histamina, responsáveis por parte de seus efeitos colaterais.
Os primeiros antidepressivos produzidos foram os inibidores de monoamino-oxidase (IMAO) irreversíveis como o medicamento Parnate, que surgiram no final da década de quarenta do século XX, entrando em uso clínico na década seguinte.
Apesar de sua grande eficácia e de mais de 50 anos de experiência acumulada, são usados hoje em dia apenas em certos casos mais difíceis, pois possuem sérios riscos (inclusive de vida) se, durante seu uso, fossem ingeridos certos tipos de alimentos (como queijos maduros e conservas, entre outros) ou usadas certas medicações. Existe a categoria dos inibidores reversíveis da MAO, cujo único medicamento disponível é a moclobemida (Aurorix) que não apresenta este problema de interação com medicamentos e alimentos.
No final da década de cinqüenta, foi sintetizada a imipramina (Tofranil), o primeiro medicamento da classe dos antidepressivos tricíclicos, que não apresentavam esses riscos.
Os antidepressivos tricíclicos, embora ainda muito utilizados no Brasil devido ao seu baixo preço, ainda possuem muitos efeitos colaterais (entre outros, boca seca, intestino preso, tendência a aumento de peso, impossibilidade de usá-los em pacientes com alguns problemas cardiológicos). Por isso, continuou-se a procura por medicações mais seguras e com menos efeitos adversos.
Dos antidepressivos “novos”, os mais importantes foram os inibidores de recaptação de serotonina, dos quais o primeiro a ser lançado foi a fluoxetina (Prozac, Eufor entre outros). A seguir, foram criados outros medicamentos, como a sertralina (Zoloft), o citalopram (Cipramil), a paroxetina (Aropax) e a fluvoxamina (Luvox) que compartilhavam do mesmo mecanismo de ação. São medicamentos muito seguros que revolucionaram a pratica psiquiátrica.
Desde então vêm sendo desenvolvidas outras drogas, algumas com maior ação sobre a noradrenalina, outras sobre a dopamina e, ainda outras, que atuam de modo simultâneo sobre dois neurotransmissores. Dentro deste último grupo encontramos alguns medicamentos muito úteis como a venlafaxina (Efexor), o milnaciprano (Ixel) e a duloxetina (Cymbalta). Nenhuma dessas drogas mais novas se mostrou mais eficaz que as antigas. A diferença reside, basicamente, no fato de terem menos efeitos colaterais ou, pelo menos, efeitos colaterais diferentes, de modo que podemos escolher qual o melhor medicamento para o nosso cliente, por exemplo, aumento ou diminuição do apetite.
Todos antidepressivos, além de serem eficazes no tratamento do episódio depressivo, também previnem o surgimento de novos episódios. Esta propriedade faz com que alguns pacientes se julguem “dependentes”, pois podem voltar a ter episódios de depressão quando interrompem o medicamento. De fato, esta recidiva ocorre após 6 semanas da interrupção e é devida à própria história natural da depressão.
Fonte: neurociencias.org
Este blog tem como objetivo provocar o cérebro, tanto para elucubrar quanto para relaxar. Traz textos e frases reflexivas, imagens e curiosidades diversas. É destinado a todos que buscam ler a realidade não só pelas palavras, mas de todas as formas como ela se oferece. Veja que os assuntos se misturam, pode ser chato, mas é assim mesmo que pensamos a realidade, não nos detemos a um assunto somente, pois uma coisa puxa a outra. Também oferece subsídios para aulas de filosofia no ensino básico.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Dependência química
A dependência química é uma síndrome caracterizada pela perda do controle do uso de determinada substância psicoativa. Os agentes psicoativos atuam sobre o sistema nervoso central, provocando sintomas psíquicos e estimulando o consumo repetido dessa substância. Alguns exemplos são o álcool, as drogas ilícitas e a nicotina.
Considerada uma doença, a dependência química apresenta os seguintes sintomas:
Tolerância: necessidade de aumento da dose para se obter o mesmo efeito;
Crises de abstinência: ansiedade, irritabilidade, insônia ou tremor quando a dosagem é reduzida ou o consumo é suspenso;
Ingestão em maiores quantidades ou por maior período do que o desejado pelo indivíduo;
Desejo persistente ou tentativas fracassadas de diminuir ou controlar o uso da substância;
Perda de boa parte do tempo com atividades para obtenção e consumo da substância ou recuperação de seus efeitos;
Negligência com relação a atividades sociais, ocupacionais e recreativas em benefício da droga;
Persistência na utilização da substância, apesar de problemas físicos e/ou psíquicos decorrentes do uso.
Prevalência
A dependência química é uma das doenças psiquiátricas mais freqüentes da atualidade. No caso do cigarro, de 25% a 35% dos adultos dependem da nicotina. A prevalência da dependência de álcool no Brasil é de 17,1% entre os homens e de 5,7% entre as mulheres, segundo o 1o Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no país, realizado em 2001 pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo revelou que quase 20% dos entrevistados já haviam experimentado alguma droga que não álcool ou tabaco. Entre elas, destacaram-se a maconha (6,9%), os solventes (5,8%) e a cocaína (2,3%).
É preciso observar que, nos últimos 10 anos, houve uma mudança no consumo da cocaína. Em alguns centros de atendimento a adictos, como o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA), do Hospital das Clínicas da USP, diminuiu o número de pacientes que injetam cocaína, ao passo que aumentou a quantidade de usuários do crack. Essa apresentação da cocaína atinge o sistema nervoso central de maneira mais rápida e intensa que a droga aspirada. A taxa de complicações associadas ao uso é maior, porque o crack rapidamente gera uma dependência grave e de difícil tratamento.
Tratamento
As pesquisas mostram que, após o tratamento da dependência, as recaídas são freqüentes: 50% nos seis primeiros meses e 90% no primeiro ano. Todavia, vale lembrar que se trata de uma doença crônica e que, se avaliada como tal, os resultados da terapia são semelhantes aos de outras enfermidades persistentes, como asma, hipertensão e diabetes.
As altas taxas de reincidência não significam que o tratamento seja ineficiente. O uso, reduzido ou suprimido com a terapia, é um dos parâmetros que medem a eficácia, bem como relações familiares e sociais, atividades profissionais, acadêmicas e de lazer e o não envolvimento com a Justiça.
Um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento é a motivação, visto que muitos pacientes não se consideram doentes. Dependentes de drogas que não procuram assistência sofrem mais complicações associadas ao uso, como infecções (inclusive Aids, para os adeptos de drogas injetáveis), desemprego e atividades ilegais. A mortalidade também é maior entre esses indivíduos, causada principalmente por overdose, suicídio e homicídio.
Tratamento
Há duas abordagens no tratamento da dependência química: a psicoterapia e a farmacoterapia. O modelo psicoterápico mais bem fundamentado é o cognitivo-comportamental, que prevê abstinência da substância, evitação de situações que induzam ao consumo e treinamento para resistir ao uso em circunstâncias que não possam ser evitadas.
O tratamento tende a ser mais eficaz se acompanhado por atendimento familiar. Estimula-se também a procura de grupos de auto-ajuda, como Alcoólatras ou Narcóticos Anônimos. A internação é indicada em casos específicos, como risco de suicídio, agressividade, psicose e uso descontrolado da substância, que esteja impedindo a freqüência às consultas.
O uso de medicamentos para o tratamento da dependência de álcool tem apresentado bons resultados. Três substâncias já demostraram eficácia em estudos de avaliação. A primeira delas inibe a metabolização do álcool, o que provoca mal-estar, náuseas e alterações hemodinâmicas caso o indivíduo tome bebidas alcóolicas. É adequada para pacientes motivados, que conseguem atingir a abstinência, mas têm dificuldade para mantê-la. A medicação funciona como um inibidor de recaídas, já que o paciente, temendo passar mal, controla seu impulso para beber.
Outro medicamento adotado no tratamento diminui o efeito do álcool e, no curto prazo, está associado a um número maior de dias sem beber e quantidades menores de doses quando o paciente bebe. A terceira droga, por sua vez, diminui a excitação exagerada do sistema nervoso central na ausência do álcool.
Na dependência de nicotina, o tratamento farmacológico pode ser feito por meio da reposição de nicotina, que diminui sintomas e sinais da abstinência e reduz o risco de recaída nas primeiras semanas. As alternativas existentes são goma de mascar, adesivo, spray e inalador (as duas últimas ainda não estão disponíveis no Brasil). O uso de determinados medicamentos também é eficaz na redução das chances de recaída no primeiro ano de tratamento.
Quanto à dependência de cocaína, maconha e inalantes, não há provas suficientes da eficácia de algum medicamento.
Mesmo após o tratamento e a abstinência da substância psicoativa, não se considera o paciente curado. Por muitos anos, talvez indefinidamente, ele irá apresentar maior risco que a população em geral de desenvolver o uso abusivo ou a dependência da substância. Para a maior parte dos dependentes, a abstinência total é a opção mais segura para a doença não retornar.
A ampliação do conhecimento sobre o mecanismo de ação da dependência química, sobretudo nas formas de atuação sobre o chamado “circuito da recompensa”, deverá possibilitar o desenvolvimento de medicações cada vez mais específicas para o problema. Outra estratégia que já está sendo testada em seres humanos é o desenvolvimento de vacinas, especialmente para cocaína e nicotina.
Fonte: neurociencias.org
Considerada uma doença, a dependência química apresenta os seguintes sintomas:
Tolerância: necessidade de aumento da dose para se obter o mesmo efeito;
Crises de abstinência: ansiedade, irritabilidade, insônia ou tremor quando a dosagem é reduzida ou o consumo é suspenso;
Ingestão em maiores quantidades ou por maior período do que o desejado pelo indivíduo;
Desejo persistente ou tentativas fracassadas de diminuir ou controlar o uso da substância;
Perda de boa parte do tempo com atividades para obtenção e consumo da substância ou recuperação de seus efeitos;
Negligência com relação a atividades sociais, ocupacionais e recreativas em benefício da droga;
Persistência na utilização da substância, apesar de problemas físicos e/ou psíquicos decorrentes do uso.
Prevalência
A dependência química é uma das doenças psiquiátricas mais freqüentes da atualidade. No caso do cigarro, de 25% a 35% dos adultos dependem da nicotina. A prevalência da dependência de álcool no Brasil é de 17,1% entre os homens e de 5,7% entre as mulheres, segundo o 1o Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no país, realizado em 2001 pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo revelou que quase 20% dos entrevistados já haviam experimentado alguma droga que não álcool ou tabaco. Entre elas, destacaram-se a maconha (6,9%), os solventes (5,8%) e a cocaína (2,3%).
É preciso observar que, nos últimos 10 anos, houve uma mudança no consumo da cocaína. Em alguns centros de atendimento a adictos, como o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA), do Hospital das Clínicas da USP, diminuiu o número de pacientes que injetam cocaína, ao passo que aumentou a quantidade de usuários do crack. Essa apresentação da cocaína atinge o sistema nervoso central de maneira mais rápida e intensa que a droga aspirada. A taxa de complicações associadas ao uso é maior, porque o crack rapidamente gera uma dependência grave e de difícil tratamento.
Tratamento
As pesquisas mostram que, após o tratamento da dependência, as recaídas são freqüentes: 50% nos seis primeiros meses e 90% no primeiro ano. Todavia, vale lembrar que se trata de uma doença crônica e que, se avaliada como tal, os resultados da terapia são semelhantes aos de outras enfermidades persistentes, como asma, hipertensão e diabetes.
As altas taxas de reincidência não significam que o tratamento seja ineficiente. O uso, reduzido ou suprimido com a terapia, é um dos parâmetros que medem a eficácia, bem como relações familiares e sociais, atividades profissionais, acadêmicas e de lazer e o não envolvimento com a Justiça.
Um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento é a motivação, visto que muitos pacientes não se consideram doentes. Dependentes de drogas que não procuram assistência sofrem mais complicações associadas ao uso, como infecções (inclusive Aids, para os adeptos de drogas injetáveis), desemprego e atividades ilegais. A mortalidade também é maior entre esses indivíduos, causada principalmente por overdose, suicídio e homicídio.
Tratamento
Há duas abordagens no tratamento da dependência química: a psicoterapia e a farmacoterapia. O modelo psicoterápico mais bem fundamentado é o cognitivo-comportamental, que prevê abstinência da substância, evitação de situações que induzam ao consumo e treinamento para resistir ao uso em circunstâncias que não possam ser evitadas.
O tratamento tende a ser mais eficaz se acompanhado por atendimento familiar. Estimula-se também a procura de grupos de auto-ajuda, como Alcoólatras ou Narcóticos Anônimos. A internação é indicada em casos específicos, como risco de suicídio, agressividade, psicose e uso descontrolado da substância, que esteja impedindo a freqüência às consultas.
O uso de medicamentos para o tratamento da dependência de álcool tem apresentado bons resultados. Três substâncias já demostraram eficácia em estudos de avaliação. A primeira delas inibe a metabolização do álcool, o que provoca mal-estar, náuseas e alterações hemodinâmicas caso o indivíduo tome bebidas alcóolicas. É adequada para pacientes motivados, que conseguem atingir a abstinência, mas têm dificuldade para mantê-la. A medicação funciona como um inibidor de recaídas, já que o paciente, temendo passar mal, controla seu impulso para beber.
Outro medicamento adotado no tratamento diminui o efeito do álcool e, no curto prazo, está associado a um número maior de dias sem beber e quantidades menores de doses quando o paciente bebe. A terceira droga, por sua vez, diminui a excitação exagerada do sistema nervoso central na ausência do álcool.
Na dependência de nicotina, o tratamento farmacológico pode ser feito por meio da reposição de nicotina, que diminui sintomas e sinais da abstinência e reduz o risco de recaída nas primeiras semanas. As alternativas existentes são goma de mascar, adesivo, spray e inalador (as duas últimas ainda não estão disponíveis no Brasil). O uso de determinados medicamentos também é eficaz na redução das chances de recaída no primeiro ano de tratamento.
Quanto à dependência de cocaína, maconha e inalantes, não há provas suficientes da eficácia de algum medicamento.
Mesmo após o tratamento e a abstinência da substância psicoativa, não se considera o paciente curado. Por muitos anos, talvez indefinidamente, ele irá apresentar maior risco que a população em geral de desenvolver o uso abusivo ou a dependência da substância. Para a maior parte dos dependentes, a abstinência total é a opção mais segura para a doença não retornar.
A ampliação do conhecimento sobre o mecanismo de ação da dependência química, sobretudo nas formas de atuação sobre o chamado “circuito da recompensa”, deverá possibilitar o desenvolvimento de medicações cada vez mais específicas para o problema. Outra estratégia que já está sendo testada em seres humanos é o desenvolvimento de vacinas, especialmente para cocaína e nicotina.
Fonte: neurociencias.org
Transtorno do humor bipolar
O Transtorno de Humor Bipolar (THB) é uma doença grave, incurável e de distribuição cosmopolita, afetando cerca de 1,5% dos homens e mulheres em todo o mundo. É considerada uma doença complexa, apresentando diversos quadros clínicos e vários modelos neurobiológicos e etiológicos que visam explicar o surgimento e a manifestação da doença. O Caracteriza- se por oscilações do humor que causam prejuízos significativos no âmbito biopsicossocial, com critérios específicos para seus subdiagnósticos.
Mesmo que já se possa considerar o THB uma doença bem estudada quando se analisa o número de estudos realizados avaliando diferentes aspectos neurobiológicos na doença, deve-se considerar que ainda existem poucos achados representativos que demonstrem evidências consistentes da associação entre estes achados com a etiopatogenia do THB. Ainda que a doença seja de difícil avaliação quanto à relação de causa e efeito entre o surgimento dos sintomas e os achados bioquímicos e moleculares descritos em pacientes bipolares, inúmeras alterações na função cerebral têm sido descritas em pacientes apresentando quadros de depressão e mania. Pesquisas utilizando modelos genéticos, neuroanatômicos, neuroquímicos e de neuroimagem no THB têm trazido importantes referenciais teóricos e conceituais para o melhor entendimento de como determinados mecanismos biológicos podem afetar a apresentação clínica, o curso e a resposta farmacológica na doença. A utilização de modelos animais também tem trazido novos conhecimentos sobre a neurobiologia do THB.
Os fatores neurobiológicos intracelulares e intercelulares envolvidos na fisiopatologia do THB incluem alterações em sistemas de neurotransmissão, segundos-mensageiros, vias de transcrição de sinal e regulação na expressão gênica. Apesar da grande quantidade e diversidade de estudos avaliando a biologia da doença, ainda pouco se sabe sobre a real associação entre os achados neurobiológicos do THB e as alterações comportamentais e neurovegetativas observadas nesses pacientes. Novos estudos em diferentes áreas como genômica, proteômica e metabolômica em diversos paradigmas no Transtorno Bipolar.
As perspectivas mais promissoras no estudo das bases biológicas da bipolaridade parecem estar associadas com a realização de estudos genéticos, de biologia molecular e neuroimagem funcional em portadores. Essas linhas de pesquisa têm provido descobertas recentes e ainda poderão trazer importantes contribuições sobre a etiopatogenia do THB.
O uso continuado dos estabilizadores do humor parece ser fundamental não somente para manter o quadro de humor estável, mas também para evitar o surgimento de modificações bioquímicas relacionadas a certo grau de dano neural. Por outro lado, a não aderência ao tratamento farmacológico e a conseqüente agudização do THB pode determinar danos celulares secundários e alterar de forma consistente, e por vezes irreversível, o processo cognitivo e o curso e prognóstico da doença.
Estudos que avaliem a modulação induzida pelos estabilizadores de humor em sistemas de neurotransmissão e neuroproteção neurônio-gliais poderão prover novos conhecimentos sobre a neurobiologia e auxiliar a descoberta de novas opções terapêuticas para o tratamento dos pacientes portadores dessa doença tão complexa. Ainda, o surgimento de novos fármacos com propriedade de estabilizar o humor, o refinamento diagnóstico, as estimativas de uma maior prevalência, o risco de suicídio, assim como os prejuízos sociais causados para o indivíduo portador do transtorno, sua família e a sociedade enfatizam a importância de cada vez mais este transtorno ser estudado de forma sistemática, continuada e crítica.
Fonte: neurociencias.org
Mesmo que já se possa considerar o THB uma doença bem estudada quando se analisa o número de estudos realizados avaliando diferentes aspectos neurobiológicos na doença, deve-se considerar que ainda existem poucos achados representativos que demonstrem evidências consistentes da associação entre estes achados com a etiopatogenia do THB. Ainda que a doença seja de difícil avaliação quanto à relação de causa e efeito entre o surgimento dos sintomas e os achados bioquímicos e moleculares descritos em pacientes bipolares, inúmeras alterações na função cerebral têm sido descritas em pacientes apresentando quadros de depressão e mania. Pesquisas utilizando modelos genéticos, neuroanatômicos, neuroquímicos e de neuroimagem no THB têm trazido importantes referenciais teóricos e conceituais para o melhor entendimento de como determinados mecanismos biológicos podem afetar a apresentação clínica, o curso e a resposta farmacológica na doença. A utilização de modelos animais também tem trazido novos conhecimentos sobre a neurobiologia do THB.
Os fatores neurobiológicos intracelulares e intercelulares envolvidos na fisiopatologia do THB incluem alterações em sistemas de neurotransmissão, segundos-mensageiros, vias de transcrição de sinal e regulação na expressão gênica. Apesar da grande quantidade e diversidade de estudos avaliando a biologia da doença, ainda pouco se sabe sobre a real associação entre os achados neurobiológicos do THB e as alterações comportamentais e neurovegetativas observadas nesses pacientes. Novos estudos em diferentes áreas como genômica, proteômica e metabolômica em diversos paradigmas no Transtorno Bipolar.
As perspectivas mais promissoras no estudo das bases biológicas da bipolaridade parecem estar associadas com a realização de estudos genéticos, de biologia molecular e neuroimagem funcional em portadores. Essas linhas de pesquisa têm provido descobertas recentes e ainda poderão trazer importantes contribuições sobre a etiopatogenia do THB.
O uso continuado dos estabilizadores do humor parece ser fundamental não somente para manter o quadro de humor estável, mas também para evitar o surgimento de modificações bioquímicas relacionadas a certo grau de dano neural. Por outro lado, a não aderência ao tratamento farmacológico e a conseqüente agudização do THB pode determinar danos celulares secundários e alterar de forma consistente, e por vezes irreversível, o processo cognitivo e o curso e prognóstico da doença.
Estudos que avaliem a modulação induzida pelos estabilizadores de humor em sistemas de neurotransmissão e neuroproteção neurônio-gliais poderão prover novos conhecimentos sobre a neurobiologia e auxiliar a descoberta de novas opções terapêuticas para o tratamento dos pacientes portadores dessa doença tão complexa. Ainda, o surgimento de novos fármacos com propriedade de estabilizar o humor, o refinamento diagnóstico, as estimativas de uma maior prevalência, o risco de suicídio, assim como os prejuízos sociais causados para o indivíduo portador do transtorno, sua família e a sociedade enfatizam a importância de cada vez mais este transtorno ser estudado de forma sistemática, continuada e crítica.
Fonte: neurociencias.org
Esquizofrenia
O termo esquizofrenia (esquizo = cisão, frenia = mente) foi introduzido em 1911 pelo psiquiatra suíço Eugen Bleuler para definir uma doença psíquica caracterizada, basicamente, pela "cisão do pensamento, do afeto, da vontade e do sentimento subjetivo da personalidade".
Os sintomas da esquizofrenia são classificados como produtivos e negativos. Os sintomas produtivos mais característicos são o delírio e as alucinações. Entende-se por delírio um juízo falso e irredutível da realidade, como por exemplo uma idéia de perseguição (delírio paranóide), no qual o paciente sente-se perseguido e ameaçado por outras pessoas, interpretando fatos da vida quotidiana como provas cabais de sua perseguição.
Alucinações são percepções sem estímulo externo, como ver ou ouvir coisas não presentes. Na esquizofrenia, as alucinações auditivas são as mais freqüentes: o paciente escuta vozes de pessoas ausentes, que comentam sobre seu comportamento ou lhe dão ordens imperativas, às quais ele não consegue resistir. O paciente passa a sentir-se influenciado por outros, perde o controle de sua própria vontade, sente-se controlado por telepatia, por hipnose, "como um robô". Pode também interpretar delirantemente estímulos reais, como por exemplo, achar que uma determinada notícia na televisão ou no rádio refere-se à sua pessoa.
Os sintomas negativos caracterizam-se, principalmente, por uma diminuição da afetividade e por um empobrecimento do conteúdo do pensamento.
Prognóstico
Na população geral, o risco de um indivíduo adoecer de uma esquizofrenia durante a vida é de 1%. A prevalência da doença (freqüência em determinado ponto no tempo) é de 0,5%, e a incidência é de 30 novos adoecimentos em cada 100.000 habitantes por ano.
A idade média de início da esquizofrenia é de 20 a 25 anos nos homens e de 25 a 30 anos nas mulheres. Os sintomas iniciais são irritabilidade generalizada, diminuição dos interesses, morosidade, indecisão, isolamento social e descuido do aspecto pessoal.
De uma maneira geral, após o primeiro surto esquizofrênico, 1/3 dos pacientes nunca mais adoece, 1/3 volta a ter outros surtos com intervalos sadios e apenas 1/3 tem um curso desfavorável, desenvolvendo uma sintomatologia residual (comportamento excêntrico, diminuição do afeto e da vontade e perda de contato com o mundo circundante).
Diversos estudos mostram que 50% dos esquizofrênicos são hospitalizados apenas uma vez e que em 60% dos casos, com um tratamento adequado, consegue-se uma reintegração social e profissional satisfatória. Mesmo nos casos de curso desfavorável, a gravidade dos sintomas evolui dentro dos primeiros cinco anos da doença, não havendo piora após este intervalo. Com isto, sabe-se hoje que o prognóstico da esquizofrenia não é tão catastrófico como se acreditava há algumas décadas.
Causas
As causas da esquizofrenia ainda não foram totalmente elucidadas. Supomos tratar-se não de uma doença única, mas de uma síndrome com diferentes etiologias. O fator genético tem um papel importante: em gêmeos monozigóticos, quando um dos irmãos sofre da esquizofrenia, o outro terá um risco de 50% de adoecer, comparado com 1% na população geral. Entretanto, o fato de o risco de concordância para a doença nestes indivíduos geneticamente idênticos ser bem abaixo dos 100% prova que outros fatores, não genéticos, também influenciam o surgimento da esquizofrenia.
Várias pesquisas mostram que a esquizofrenia está associada a uma disfunção cerebral, principalmente do lobo frontal. Como essa disfunção já está presente em pacientes jovens, no primeiro surto da doença, supomos que ela não seja conseqüência da psicose em si ou de seu tratamento, mas sim de um distúrbio na maturação do cérebro durante a infância e a adolescência. Assim, fatores metabólicos ou ambientais que influenciem esse processo poderiam contribuir facilitando ou protegendo o desencadeamento da doença.
Perspectivas futuras
Sabe-se que a esquizofrenia é uma doença universal, ocorrendo em todos os povos e culturas com incidência semelhante. As mulheres parecem ter uma vantagem sobre os homens, visto que elas apresentam um adoecimento mais tardio e um curso mais favorável. Diversos experimentos sugerem que os hormônios sexuais femininos (estrógenos) poderiam contribuir para essa vantagem. O desenvolvimento recente de novos medicamentos antipsicóticos mais eficazes e com menos efeitos colaterais, adicionados à introdução de novas estratégias de reabilitação, causaram um grande impacto no tratamento e no prognóstico da esquizofrenia, permitindo um tempo de hospitalização mais curto e beneficiando uma maior reintegração social e profissional dos pacientes.
Fonte: neurociencias.org
Os sintomas da esquizofrenia são classificados como produtivos e negativos. Os sintomas produtivos mais característicos são o delírio e as alucinações. Entende-se por delírio um juízo falso e irredutível da realidade, como por exemplo uma idéia de perseguição (delírio paranóide), no qual o paciente sente-se perseguido e ameaçado por outras pessoas, interpretando fatos da vida quotidiana como provas cabais de sua perseguição.
Alucinações são percepções sem estímulo externo, como ver ou ouvir coisas não presentes. Na esquizofrenia, as alucinações auditivas são as mais freqüentes: o paciente escuta vozes de pessoas ausentes, que comentam sobre seu comportamento ou lhe dão ordens imperativas, às quais ele não consegue resistir. O paciente passa a sentir-se influenciado por outros, perde o controle de sua própria vontade, sente-se controlado por telepatia, por hipnose, "como um robô". Pode também interpretar delirantemente estímulos reais, como por exemplo, achar que uma determinada notícia na televisão ou no rádio refere-se à sua pessoa.
Os sintomas negativos caracterizam-se, principalmente, por uma diminuição da afetividade e por um empobrecimento do conteúdo do pensamento.
Prognóstico
Na população geral, o risco de um indivíduo adoecer de uma esquizofrenia durante a vida é de 1%. A prevalência da doença (freqüência em determinado ponto no tempo) é de 0,5%, e a incidência é de 30 novos adoecimentos em cada 100.000 habitantes por ano.
A idade média de início da esquizofrenia é de 20 a 25 anos nos homens e de 25 a 30 anos nas mulheres. Os sintomas iniciais são irritabilidade generalizada, diminuição dos interesses, morosidade, indecisão, isolamento social e descuido do aspecto pessoal.
De uma maneira geral, após o primeiro surto esquizofrênico, 1/3 dos pacientes nunca mais adoece, 1/3 volta a ter outros surtos com intervalos sadios e apenas 1/3 tem um curso desfavorável, desenvolvendo uma sintomatologia residual (comportamento excêntrico, diminuição do afeto e da vontade e perda de contato com o mundo circundante).
Diversos estudos mostram que 50% dos esquizofrênicos são hospitalizados apenas uma vez e que em 60% dos casos, com um tratamento adequado, consegue-se uma reintegração social e profissional satisfatória. Mesmo nos casos de curso desfavorável, a gravidade dos sintomas evolui dentro dos primeiros cinco anos da doença, não havendo piora após este intervalo. Com isto, sabe-se hoje que o prognóstico da esquizofrenia não é tão catastrófico como se acreditava há algumas décadas.
Causas
As causas da esquizofrenia ainda não foram totalmente elucidadas. Supomos tratar-se não de uma doença única, mas de uma síndrome com diferentes etiologias. O fator genético tem um papel importante: em gêmeos monozigóticos, quando um dos irmãos sofre da esquizofrenia, o outro terá um risco de 50% de adoecer, comparado com 1% na população geral. Entretanto, o fato de o risco de concordância para a doença nestes indivíduos geneticamente idênticos ser bem abaixo dos 100% prova que outros fatores, não genéticos, também influenciam o surgimento da esquizofrenia.
Várias pesquisas mostram que a esquizofrenia está associada a uma disfunção cerebral, principalmente do lobo frontal. Como essa disfunção já está presente em pacientes jovens, no primeiro surto da doença, supomos que ela não seja conseqüência da psicose em si ou de seu tratamento, mas sim de um distúrbio na maturação do cérebro durante a infância e a adolescência. Assim, fatores metabólicos ou ambientais que influenciem esse processo poderiam contribuir facilitando ou protegendo o desencadeamento da doença.
Perspectivas futuras
Sabe-se que a esquizofrenia é uma doença universal, ocorrendo em todos os povos e culturas com incidência semelhante. As mulheres parecem ter uma vantagem sobre os homens, visto que elas apresentam um adoecimento mais tardio e um curso mais favorável. Diversos experimentos sugerem que os hormônios sexuais femininos (estrógenos) poderiam contribuir para essa vantagem. O desenvolvimento recente de novos medicamentos antipsicóticos mais eficazes e com menos efeitos colaterais, adicionados à introdução de novas estratégias de reabilitação, causaram um grande impacto no tratamento e no prognóstico da esquizofrenia, permitindo um tempo de hospitalização mais curto e beneficiando uma maior reintegração social e profissional dos pacientes.
Fonte: neurociencias.org
Fobias
O medo é um estado emocional universal, uma sensação que todos conhecem. Quem nunca sentiu algum desconforto na presença de uma cobra ou aranha, ou um frio na barriga quando o avião levanta vôo? Alguns medos são muito comuns na população e estão relacionados à nossa história (dos seres humanos) como mamíferos, ou seja, fazem parte de nossa evolução. Sua função é nos proteger da destruição, desde os tempos imemoriais. Alguns exemplos são o medo de trovões e tempestades, do escuro, de insetos, de animais, de pessoas estranhas e de doenças. O homem, como todos os animais sociais, protege seu nicho com a mesma energia com que zela por sua integridade física.
Como em outras situações biológicas, mesmo algo natural e que nos protege, neste caso o medo, em excesso causa sofrimento e nos prejudica, tornando-se uma fobia ou, como chamam os médicos, um transtorno fóbico-ansioso. Fobias são medos persistentes, excessivos e incontroláveis, direcionados a um objeto ou uma situação.
Características
Para que o medo seja considerado uma fobia, três características são necessárias. Em primeiro lugar, o contato com o objeto temido, ou mesmo a mera antecipação da possibilidade de contato, deve desencadear reações intensas de ansiedade. O coração dispara, e a pessoa , treme e respira de maneira acelerada. Costuma-se também sentir falta de ar, enjôo, ondas de frio ou calor, formigamentos nas mãos ou pés e dor ou aperto no peito. Ao mesmo tempo, o indivíduo pode ter um impulso de sair o mais rápido possível da situação ou sentir-se “congelado”, sem reação, ou ainda começar a chorar e a gritar.
O segundo aspecto típico da fobia é que a situação temida passa a ser evitada a todo custo ou o contato com o estímulo fóbico é suportado com sofrimento intenso. A pessoa evita qualquer situação em que haja a possibilidade de contato com o objeto temido, o que pode significar grandes limitações na sua vida.
A terceira característica – e esta é a diferença fundamental em relação aos “medos normais” – é que, nas fobias, o temor interfere significativamente na rotina, no trabalho e nos relacionamentos pessoais, causando sofrimento ou prejuízo funcional. Assim, diferentemente dos outros receios, elas são incapacitantes e não-adaptativas, ou seja, o indivíduo não consegue se adequar à situação.
As fobias classificam-se em agorafobia, fobia social e fobias específicas. A agorafobia é o medo de freqüentar locais públicos ou lugares em que a saída possa ser difícil ou constrangedora. Pacientes com esse tipo de fobia costumam se sentir mal se ficarem sozinhos em lojas cheias, túneis, pontes, elevadores, ônibus, metrô etc.
Agorafobia e fobia social
Na maioria das vezes, a agorafobia está associada ao transtorno de pânico. Nesse caso, a crise é geralmente causada pelo medo de sofrer ataques de pânico nessas situações, em que a fuga ou o socorro são dificultados.. Crises de pânico são episódios de medo intenso, acompanhados de sintomas físicos como coração acelerado, falta de ar, tremedeira e formigamentos.
Na fobia social, o indivíduo tem um medo excessivo de ser avaliado ou de ser o foco da atenção dos outros. A pessoa receia ser julgada negativamente ou que os outros pensem que ela é incompetente ou estranha. Entre as situações comumente temidas estão falar ou comer em público e escrever sob a observação de outros. Alguns pacientes receiam todo tipo de interação social.
É importante, entretanto, diferenciar a fobia social da timidez. No segundo caso, existe a ansiedade normal, que muitas vezes até contribui para um bom desempenho em situações sociais. Já na fobia social, essa ansiedade é excessiva e persistente. Eventos sociais são evitados ou suportados apenas com sofrimento intenso, com conseqüente prejuízo do desempenho funcional e no relacionamento com os outros. Muitas vezes, o medo e a ansiedade já começam dias antes do acontecimento, com a mera expectativa de entrar em contato com a situação temida.
Fobias específicas
As fobias específicas são o transtorno psiquiátrico mais comum na população, especialmente em crianças. Trata-se de um medo de determinado objeto ou situação específica. As mais comuns estão relacionadas a animais, tempestades, altura e doenças, mas elas também podem estar direcionadas a eventos como andar de avião ou em elevadores, ver sangue ou ferimentos, engasgar e vomitar, entre outras. Vale ressaltar que não é o tipo de medo que determina uma fobia, mas se ele chega ao ponto de interferir com a vida da pessoa ou causar sofrimento intenso.
Tratamento
Pouco mais de uma em cada dez pessoas desenvolve uma fobia em algum momento da vida, mas poucas procuram cuidados médicos. Reconhecer o problema é o primeiro passo para a melhora. As fobias precisam ser encaradas como qualquer outra doença, não há motivo para se ter vergonha. É muito comum que o indivíduo considere seu medo como excessivo ou irracional, e esta percepção muitas vezes retarda a busca por auxílio. Porém, essa demora só prolonga o sofrimento. Uma vez que a fobia esteja realmente estabelecida, dificilmente será controlada sem um tratamento adequado. Outra conseqüência negativa é que o paciente se desgasta tentando esconder seu problema, em vez de se esforçar para enfrentá-lo.
O tratamento da agorafobia e da fobia social freqüentemente exige o uso de medicações. As mais usadas são determinados tipos de antidepressivos. Entretanto, é importante que o paciente mude seu estilo de vida, o que significa adotar uma nova postura frente à doença. É necessário que ele deixe de evitar o objeto temido, passando progressivamente a enfrentá-lo.
A principal técnica que a psicoterapia cognitivo-comportamental propõe para o tratamento das fobias é uma forma organizada e progressiva de confronto com os medos, chamada de terapia de exposição. Nela, o paciente defronta-se com as situações temidas, começando por aquelas que geram menos medo e progredindo para as mais difíceis. Pode-se utilizar técnicas de relaxamento para ajudar a controlar a ansiedade, além de mudanças nos padrões de pensamento.
O fundamental é compreender que as fobias são problemas de saúde como quaisquer outros, para os quais existem tratamentos eficazes, capazes de fazer com que o paciente volte a ter uma vida sem limitações.
Fonte: neurociencias.org
Ética a partir do aquecimento global

Em alguns lugares da Terra se rompeu, há dias, a barreira dos 400 PPM de CO2, o que pode acarretar desastres socioambientais de grande magnitude. Se nada de consistente fizermos, podemos conhecer dias tenebrosos. Não é que não podemos fazer mais nada. Se não podemos frear a roda, podemos; no entanto, diminuir-lhe a velocidade. Podemos e devemos nos adaptar às mudanças e nos organizar para minorar os efeitos prejudiciais. Agora se trata de viver radicalmente os quatro erres: reduzir, reutilizar, reciclar e rearborizar.
Precisamos de uma orientação ética que nos ajude alinhar nossas práticas na superação da crise atual. Nesse quadro dramático, como fundar um discurso ético minimamente consistente que valha para todos?
Até agora as éticas e as morais se baseavam nas culturas regionais. Hoje na fase planetária da espécie humana precisamos refundar a ética a partir de algo que seja comum a todos e que todos a possam entender e realizar.
Olhando para trás, identificamos duas fontes que orientaram e ainda orientam ética e moralmente as sociedades até os dias de hoje: as religiões e a razão.
Asreligiões continuam sendo os nichos de valor privilegiados para a maioria da humanidade. Elas nascem de um encontro com o Supremo Valor, com o Sumo Bem. Desta experiência nascem os valores de veneração, respeito, amor, solidariedade, compaixão e perdão. Muitos pensadores reconhecem que a religião mais que a economia e a política é a força central que mobiliza as pessoas e as leva até a entregar a própria vida (Huntington). Outros chegam até a propor as religiões como a base mais realista e eficaz para se construir "uma ética global para a política e a economia mundiais” (Küng). Para isso as religiões devem dialogar entre si. No diálogo acentuar mais os pontos em comum do que os pontos de diferenciação. Com isso pode se inaugurar a paz entre as religiões. Esta paz não se basta a si mesma; mas, deve animar a paz entre todos os povos.
Arazão crítica, desde que irrompeu, quase simultaneamente em todas as culturas mundiais, no século 6ª a. C. no assim chamado tempo do eixo (Jaspers), tentou estatuir códigos éticos universalmente válidos, baseados fundamentalmente nas virtudes, cuja centralidade ocupava a justiça. Mas afirma também a liberdade, a verdade, o amor e o respeito ao outro.
A fundamentação racional da ética e da moral –ética autônoma- representou um esforço admirável do pensamento humano, desde os mestres gregos Sócrates, Platão, Aristóteles, passando por Immanuel Kant até os modernos Jürgen Habermas, Enrique Dussel e entre nós Henrique de Lima Vaz e Manfredo Oliveira entre outros de nossa cultura.
Entretanto o nível de convencimento desta ética racional foi parco e restrito aos ambientes ilustrados. Por isso, com limitada incidência no cotidiano das populações.
Esses dois paradigmas não ficam invalidados pela crise atual, mas precisam ser enriquecidos se quisermos estar à altura dos desafios que nos vêm da realidade hoje profundamente modificada.
Para isso enriquecer precisamos descer àquela instância na qual se formam continuamente os valores, conteúdo principal da ética. A ética, para ganhar um mínimo de consenso, deve brotar da base comum e última da existência humana. Esta base não reside na razão, como sempre pretendeu o Ocidente.
A razão –e isso é reconhecido pela própria filosofia- não é nem primeiro nem o último momento da existência. Por isso não explica tudo nem abarca tudo. Ela se abre para baixo de onde emerge, de algo mais elementar e ancestral: a afetividade e o sentimento profundo. Irrompe para cima, para o espírito, que é o momento em que a consciência se sente parte de um todo e que culmina na contemplação e na espiritualidade. Portanto, a experiência de base não é "penso, logo existo", mas "sinto, logo existo". Na raiz de tudo não está a razão ("logos"), mas a paixão ("pathos") que se expressa pela sensibilidade e pelo afeto. Daí o esforço atual de resgatar a razão sensível e cordial (Meffesoli, Cortina). Por este tipo de razão captamos o caráter precioso dos seres, aquilo que os torna dignos de serem apetecíveis. É a partir do coração e não da cabeça que vivenciamos os valores. E é por valores que nos movemos e somos. Em último termo, está o amor que é a força maior do universo e o nome próprio de Deus. Essa ética nos pode engajar em práticas para enfrentar o aquecimento global.
Mas temos que ser realistas: a paixão é habitada por um demônio que pode ser destruidor. É um caudal fantástico de energia que, como águas de um rio, precisa de margens, de limites e da justa medida. Caso contrário, irrompe avassaladora.
É aqui que entra a função insubstituível da razão. É próprio da razão ver claro e ordenar, disciplinar e definir a direção da paixão.
Eis que surge uma dialética dramática entre paixão e razão. Se a razão reprimir a paixão, triunfa a rigidez e a tirania da ordem. Se a paixão dispensar a razão, vigora o delírio das pulsões do puro desfrute das coisas. Mas, se vigorar a justa medida e a paixão se servir da razão para um autodesenvolvimento regrado, então pode surgir uma consciência ética que nos torna responsáveis face ao caos ecológico e ao aquecimento global. Por ai há caminho a ser percorrido. Para um novo tempo, uma nova ética.
Leonardo Boff
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Para que filosofia?
Prof. Izaías F. da C. Neto
Grande parte dos educandos fazem a mesma pergunta: “Afinal, para que serve a filosofia?” É uma questão interessante, pois não vemos e nem ouvimos ninguém se perguntar por exemplo, “para que serve a matemática e a química moderna?”. Mas todo mundo acredita ter uma visão genial quando pergunta para um professor de filosofia “qual seria a importância da filosofia?”
Por esse motivo costumam-se chamar de filósofos os indivíduos distraídos e que se preocupam com problemas que a humanidade não está nem um pouco sensibilizada. Abordagens como a essência dos homens não estão nem de longe dentro da temática entre os adolescentes a até mesmo dos adultos, mas o que presenciamos na verdade seria a verdadeira preocupação com as sociedades virtuais como o facebook ou com o carro novo para ir ao shopping (=compras) assistir um filme novo.
Em nossa cultura moderna ou pós-moderna, tudo que é “sólido se desmancha no ar”,ou seja as instituições como a família e a religião, e por incrível que pareça até o próprio caráter, estão sendo fragmentados por uma espécie de materialismo consumista, e uma mentalidade positivista de ciência.
Hoje procuramos sentido em tudo que nos rodeia e, de modo imediatista perguntamos: “Para que serve isso?” “Qual seria a utilidade disso?”, “Consigo ganhar dinheiro com isso?” Posso ganhar alguma vantagem com isso?”
Obviamente que nesse mundo uma ciência que está preocupada com a reflexão está cada vez mais marginalizada, enquanto as ciência naturais estão a todo vapor, as humanas estão jogadas a uma certa instância de relativismo incapaz de ser entendida como algo eficaz para uma sociedade mecânica que solidifica o endeusamento da ciência como a única alternativa capaz de estabelecer uma harmonização social e o bem comum.
Talvez seja essa a grande diferenciação que o antropólogo Roberto da Matta, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estabelece em capítulo conhecido como: Ciências naturais e Ciências sociais, a dicotomia das ciências naturais e as ciências humanas, que hoje se resume no que é útil e o que é inútil para a vida de consumo.
A missão do filósofo ou do professor de filosofia é mostrar para a sociedade e os educandos que grande parte do que a nossa sociedade acredita hoje são verdades prontas baseadas na cultura capitalista da vitória e do consumo, onde os “perdedores” a cada dia são marginalizados por um sistema desigual.
Hoje a sociedade se acostumou e é direcionada para o único lado da moeda, e acredita que essa é a melhor forma de viver, como por exemplo o nosso conceito de vitória, onde encontramos grande referência bibliográfica nas livrarias com títulos de auto ajuda como: “Faça o seu sucesso”, “Seja feliz em dez dias”, “Seja um vencedor”. Como se fosse uma espécie de manual para vida moderna
É preciso mostrar enquanto professor de filosofia, que a vitória só é entendida por aqueles que um dia perderam, pois os que só ganham não conhecem o sentido da vitória e nem tão pouco dão valor a sua essência, até porque nunca experimentaram a perda.
É necessário mostrar ao educando que o erro seria o primeiro passo para o conhecimento e para o aprimoramento, e que a felicidade não se encontra em bens materiais usados para suprir algo que nos foi negado por nossos pais ou por uma sociedade que só sente orgulho do campeão, e que defende o orgulhoso jargão: “que o segundo é o primeiro que perde”.
Vivemos em uma sociedade que chegou a lua, mas ainda não conseguiu chegar ao seu próprio coração, assim exaltamos o nosso sentimento de socialização enquanto esquecemos como é bom ficar sozinho em silêncio e refletir sobre a nosso existência .
A maior resposta que um professor de filosofia poder dar aos alunos são essas reflexões sim. Os nossos alunos trocarão o título desse artigo, e ao invés de se perguntarem “por que filosofia” entenderão que o “por que” na filosofia, talvez seja a maior arma dos que entendem filosofia.
Grande parte dos educandos fazem a mesma pergunta: “Afinal, para que serve a filosofia?” É uma questão interessante, pois não vemos e nem ouvimos ninguém se perguntar por exemplo, “para que serve a matemática e a química moderna?”. Mas todo mundo acredita ter uma visão genial quando pergunta para um professor de filosofia “qual seria a importância da filosofia?”
Por esse motivo costumam-se chamar de filósofos os indivíduos distraídos e que se preocupam com problemas que a humanidade não está nem um pouco sensibilizada. Abordagens como a essência dos homens não estão nem de longe dentro da temática entre os adolescentes a até mesmo dos adultos, mas o que presenciamos na verdade seria a verdadeira preocupação com as sociedades virtuais como o facebook ou com o carro novo para ir ao shopping (=compras) assistir um filme novo.
Em nossa cultura moderna ou pós-moderna, tudo que é “sólido se desmancha no ar”,ou seja as instituições como a família e a religião, e por incrível que pareça até o próprio caráter, estão sendo fragmentados por uma espécie de materialismo consumista, e uma mentalidade positivista de ciência.
Hoje procuramos sentido em tudo que nos rodeia e, de modo imediatista perguntamos: “Para que serve isso?” “Qual seria a utilidade disso?”, “Consigo ganhar dinheiro com isso?” Posso ganhar alguma vantagem com isso?”
Obviamente que nesse mundo uma ciência que está preocupada com a reflexão está cada vez mais marginalizada, enquanto as ciência naturais estão a todo vapor, as humanas estão jogadas a uma certa instância de relativismo incapaz de ser entendida como algo eficaz para uma sociedade mecânica que solidifica o endeusamento da ciência como a única alternativa capaz de estabelecer uma harmonização social e o bem comum.
Talvez seja essa a grande diferenciação que o antropólogo Roberto da Matta, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estabelece em capítulo conhecido como: Ciências naturais e Ciências sociais, a dicotomia das ciências naturais e as ciências humanas, que hoje se resume no que é útil e o que é inútil para a vida de consumo.
A missão do filósofo ou do professor de filosofia é mostrar para a sociedade e os educandos que grande parte do que a nossa sociedade acredita hoje são verdades prontas baseadas na cultura capitalista da vitória e do consumo, onde os “perdedores” a cada dia são marginalizados por um sistema desigual.
Hoje a sociedade se acostumou e é direcionada para o único lado da moeda, e acredita que essa é a melhor forma de viver, como por exemplo o nosso conceito de vitória, onde encontramos grande referência bibliográfica nas livrarias com títulos de auto ajuda como: “Faça o seu sucesso”, “Seja feliz em dez dias”, “Seja um vencedor”. Como se fosse uma espécie de manual para vida moderna
É preciso mostrar enquanto professor de filosofia, que a vitória só é entendida por aqueles que um dia perderam, pois os que só ganham não conhecem o sentido da vitória e nem tão pouco dão valor a sua essência, até porque nunca experimentaram a perda.
É necessário mostrar ao educando que o erro seria o primeiro passo para o conhecimento e para o aprimoramento, e que a felicidade não se encontra em bens materiais usados para suprir algo que nos foi negado por nossos pais ou por uma sociedade que só sente orgulho do campeão, e que defende o orgulhoso jargão: “que o segundo é o primeiro que perde”.
Vivemos em uma sociedade que chegou a lua, mas ainda não conseguiu chegar ao seu próprio coração, assim exaltamos o nosso sentimento de socialização enquanto esquecemos como é bom ficar sozinho em silêncio e refletir sobre a nosso existência .
A maior resposta que um professor de filosofia poder dar aos alunos são essas reflexões sim. Os nossos alunos trocarão o título desse artigo, e ao invés de se perguntarem “por que filosofia” entenderão que o “por que” na filosofia, talvez seja a maior arma dos que entendem filosofia.
domingo, 19 de maio de 2013
Crianças espiritualizadas
Somos nós que fazemos a vida/ Como der, ou puder, ou quiser.../
E a pergunta roda/ E a cabeça agita/
Eu fico com a pureza da resposta das crianças/
É a vida, é bonita/ E é bonita...(Gonzaguinha)
A família e a escola foram constituídas, historicamente, alicerces da formação humana. Delas se espera que construam ferramentas que permitam aos indivíduos, de um lado, inserir-se socialmente e, de outro, realizarem-se como seres desejantes, física, moral e espiritualmente. Neste sentido, é imprescindível a espiritualidade, tomada como “unidade sagrada do ser humano (...), convivência dinâmica de matéria e de espírito entrelaçados e inter-retro-conectados”.(Leonardo Boff)
Nas aulas de ensino religioso, para além do conhecimento de diferentes credos e crenças, buscamos estimular opções de vida e comportamento que tragam sentido de vida às crianças e adolescentes. Ensinar sentido de vida pressupõe processos educativos que implicam na autonomia, na responsabilização das ações na medida das forças de cada um, na vivência da liberdade, na abertura do eu para com o outro.
As crianças produzem as mais puras obras da sensibilidade humana e nos orgulham com seus ingênuos e inocentes encantos. Na infância e adolescência, os sentimentos são mais efervescentes, por isto a necessidade de educar em e para os sentimentos.
Educar para os sentimentos não significa trabalhar conceitos abstratos e acabados, mas exercer perene e permanente escuta para que, ao dizer seus sentimentos, as crianças e adolescentes possam construir e re-construir seus próprios conceitos. E para que, ao interagir com os demais, possam enriquecer as suas idéias, alargando os horizontes de sua compreensão sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre os outros. Afinal, “educar é ajudar a ser, nascendo aos poucos para a luz; é fazer passar do seio materno da natureza em dependência e ignorância para o reino da verdade e da liberdade, que é o reino do espírito. Educar é possibilitar o nascimento do ser.... Dá-se à luz não para deter, mas para que o outro possa ser; isto é, para que possa percorrer seu próprio caminho e construir o seu próprio lugar no mundo” (Moreno, Ciriaco Izquierdo,Educar em valores, Paulinas 2001).
É difícil, senão impossível, educar os outros sem educar-se primeiro. Não basta um bom método, é preciso também ter fé na vida, amor e sensibilidade para escutar. Atentos e vigilantes, abramos nossos olhos para ver, nossos ouvidos para ouvir e nossa boca para falar, serenamente. Pois quando reina na gente a insensibilidade, esta gera auto-suficiência, arrogância e rancor, qualidades que não cativam e não agregam ninguém.
Ao apreendermos e compreendermos o universo infanto-juvenil, podemos impulsionar novas e renovadas percepções de vida, de ser humano e de beleza. No filme Tesouros da Neve (produzido por Nigel Cooke, LPC Produções), a partir de um desentendimento entre três crianças: Lucyen, Annete e Denny. O perdão é abordado sob a forma de um drama humano, de difícil aprendizado, mas necessário para quem quer seguir vivendo. Demonstra, ainda, a necessidade da compreensão e apoio, para quem está arrependido e quer se reparar com os outros. A consciência humana cobra permanentemente pelos eventuais erros cometidos: “quando fazemos algo errado, recebemos o castigo sem ninguém interferir”.
Esta extraordinária história do filme nos ajuda a compreender pequenos grandes dramas juvenis que necessitam de nossa atenção e apoio, na condição de pais, mães, avós ou avôs ou educadores/as. Crianças e adolescentes vivem os seus dramas; esperam nossa compreensão e nossa luz para que possam se assumir sujeitos de suas histórias. Crianças espiritualizadas são aquelas que conseguem compreender seus dramas e os dramas do mundo, apontando soluções para superá-los.
Prof. Nei Alberto Pies, Ativista de direitos humanos.
E a pergunta roda/ E a cabeça agita/
Eu fico com a pureza da resposta das crianças/
É a vida, é bonita/ E é bonita...(Gonzaguinha)
A família e a escola foram constituídas, historicamente, alicerces da formação humana. Delas se espera que construam ferramentas que permitam aos indivíduos, de um lado, inserir-se socialmente e, de outro, realizarem-se como seres desejantes, física, moral e espiritualmente. Neste sentido, é imprescindível a espiritualidade, tomada como “unidade sagrada do ser humano (...), convivência dinâmica de matéria e de espírito entrelaçados e inter-retro-conectados”.(Leonardo Boff)
Nas aulas de ensino religioso, para além do conhecimento de diferentes credos e crenças, buscamos estimular opções de vida e comportamento que tragam sentido de vida às crianças e adolescentes. Ensinar sentido de vida pressupõe processos educativos que implicam na autonomia, na responsabilização das ações na medida das forças de cada um, na vivência da liberdade, na abertura do eu para com o outro.
As crianças produzem as mais puras obras da sensibilidade humana e nos orgulham com seus ingênuos e inocentes encantos. Na infância e adolescência, os sentimentos são mais efervescentes, por isto a necessidade de educar em e para os sentimentos.
Educar para os sentimentos não significa trabalhar conceitos abstratos e acabados, mas exercer perene e permanente escuta para que, ao dizer seus sentimentos, as crianças e adolescentes possam construir e re-construir seus próprios conceitos. E para que, ao interagir com os demais, possam enriquecer as suas idéias, alargando os horizontes de sua compreensão sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre os outros. Afinal, “educar é ajudar a ser, nascendo aos poucos para a luz; é fazer passar do seio materno da natureza em dependência e ignorância para o reino da verdade e da liberdade, que é o reino do espírito. Educar é possibilitar o nascimento do ser.... Dá-se à luz não para deter, mas para que o outro possa ser; isto é, para que possa percorrer seu próprio caminho e construir o seu próprio lugar no mundo” (Moreno, Ciriaco Izquierdo,Educar em valores, Paulinas 2001).
É difícil, senão impossível, educar os outros sem educar-se primeiro. Não basta um bom método, é preciso também ter fé na vida, amor e sensibilidade para escutar. Atentos e vigilantes, abramos nossos olhos para ver, nossos ouvidos para ouvir e nossa boca para falar, serenamente. Pois quando reina na gente a insensibilidade, esta gera auto-suficiência, arrogância e rancor, qualidades que não cativam e não agregam ninguém.
Ao apreendermos e compreendermos o universo infanto-juvenil, podemos impulsionar novas e renovadas percepções de vida, de ser humano e de beleza. No filme Tesouros da Neve (produzido por Nigel Cooke, LPC Produções), a partir de um desentendimento entre três crianças: Lucyen, Annete e Denny. O perdão é abordado sob a forma de um drama humano, de difícil aprendizado, mas necessário para quem quer seguir vivendo. Demonstra, ainda, a necessidade da compreensão e apoio, para quem está arrependido e quer se reparar com os outros. A consciência humana cobra permanentemente pelos eventuais erros cometidos: “quando fazemos algo errado, recebemos o castigo sem ninguém interferir”.
Esta extraordinária história do filme nos ajuda a compreender pequenos grandes dramas juvenis que necessitam de nossa atenção e apoio, na condição de pais, mães, avós ou avôs ou educadores/as. Crianças e adolescentes vivem os seus dramas; esperam nossa compreensão e nossa luz para que possam se assumir sujeitos de suas histórias. Crianças espiritualizadas são aquelas que conseguem compreender seus dramas e os dramas do mundo, apontando soluções para superá-los.
Prof. Nei Alberto Pies, Ativista de direitos humanos.
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