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sábado, 4 de maio de 2013

Clarice por ela mesma

“Eu escrevo simples. Eu não enfeito”. Clarice Lispector é uma autora recorrente nos estudos de Literatura na escola.

Sua obra traz aquela fabulosa confusão entre uma escrita autobiográfica e uma narrativa ficcional. Talvez, por certo ponto de vista, sua obra seja sempre autobiográfica, um encontro de sua vida objetiva e seu universo imaginário. Suas palavras são carregadas de sinceridade, e externam, com sofisticação, as diferentes faces de suas sensações, percepções, medos e vontades. Em suas palavras, “quando me comunico com um adulto, na verdade, estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma. O adulto é triste e solitário”.


A TV Cultura mantém em seu acervo uma interessante entrevista com Clarice realizada pouco antes de sua morte, na qual Júlio Lerner envereda pelos diversos aspectos desta instigante personalidade.


Com muita firmeza, a escritora se coloca em uma posição interessante sobre seu ofício: “Eu não sou profissional. Só escrevo quando eu quero. Eu sou amadora e faço questão de continuar sendo amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então com o outro, em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade”.


Clarice Lispector, ucraniana que aportou no Brasil com apenas dois meses de vida, revela ter diversos períodos de hiato entre uma produção e outra. São momentos ocos. Na arte, seu espírito sobrevive e, quando esta insiste em não emergir, a escritora procura se lançar à folha em branco, para que o hiato não perdure demais. “Eu acho que enquanto eu não escrevo estou morta”.


Ora as ideias que se materializam encontram um substrato tão profundo que nem mesmo aquela que lhe deu vida o compreende. É o caso do conto O ovo e a galinha, que à própria autora engendra seus mistérios.


A Clarice mulher convive bem com a Clarice escritora. Não em termos de harmonia, mas em um deixar ser. O fato dela se considerar escritora, contudo, lhe dá um rótulo, uma aura mediadora, que vem imbuída de questões. “Tudo que eu digo, até a maior bobagem, é considerado uma coisa linda ou uma coisa boba. Tudo na base de ser uma escritora. É por isso que eu não ligo muito para essa coisa de ser escritora e dar entrevista e tudo. É porque eu não sou isso”.


Ela era uma mulher receptiva aos jovens e costumava receber estudantes universitários. Levar à sala de aula um pouco de Clarice por ela mesma poderá proporcionar uma reconfiguração da imagem que sua obra projeta nos alunos, dando imagem e voz para a autora. Seu sotaque, a dureza de seu semblante, a força, muitas vezes de um frio amargor, de suas palavras, sua reação às perguntas de Júlio Lerner, são signos que se mesclam aos textos que a autora nos legou. Vê-la nos lembra que a partida e chegada de toda a cultura humana são as pessoas que dela fazem parte.


Fonte: TVcultura

Eles... outros adolescentes...

Eles aparentemente são diferentes...
Eles enganam...
Eles mentem...
Eles roubam...
Eles dissimulam...
Eles gritam...
Eles dizem palavrões...
Eles brigam...
Eles desobedecem...
Eles estragam...
Eles quebram...
Eles se drogam... fumam...

Mas, eles ainda...

Sorriem...
Brincam...
Ajudam... pedem ajuda...
Gostam uns dos outros...
Se cuidam... cuidam uns dos outros...
Amam... demonstram isso!
São pessoas extremamente carentes e amorosas... Ah! Isso mesmo, eles são pessoas...
Diferentes?
Sim!

Mauro Feijó



Um modelo que promove a desigualdade

Os 400 maiores milionários dos Estados Unidos tornaram-se financeiramente mais ricos do que metade da população do país.




Um trabalhador homem norte-americano típico ganhava cerca de 48 mil dólares anuais, enquanto um profissional de elite recebia cerca de 393 mil dólares anuais. Em 2010, o trabalhador médio viu seus ganhos reduzidos a 33 mil dólares anuais, enquanto o profissional do topo pulou para mais que o dobro, aproximadamente 1,1 milhão de dólares anuais.

Esses dados constam do documentário Inequality for All (Desigualdade para Todos) do economista político Robert Reich, ex-secretário do Trabalho dos EUA e professor da Universidade da Califórnia.

E a desigualdade torna-se mais visível quando se olha para os rendimentos dos mega-milionários. Eles cresceram tanto nas décadas neoliberais que hoje as 400 pessoas financeiramente mais ricas dos EUA possuem mais que metade da população do país, que são os 150 milhões de norte-americanos da base da pirâmide, segundo o economista.

Reich alerta para as consequências dessa realidade: a ampliação da distância entre ricos e pobres está levando ao fim da classe média e irá paralisar a economia, se não for controlada. Para apoiar sua tese, traça todo o desenvolvimento fiscal do país desde a Grande Depressão, e faz isso com louvável ausência de tom professoral.

Fonte: http://www.outraspalavras.net

Método Paulo Freire completa 50 anos

Em abril de 1963, na cidade de Angicos, RN, iniciava-se a experiência de alfabetizar adultos em 40 horas proposta por Paulo Freire.



Um dos maiores educadores brasileiros, Paulo Freire revolucionou a metodologia de alfabetização de adultos. Partindo de palavras geradoras, o método leva em consideração a realidade e os saberes dos alunos. Além disso, o projeto não se esgotava na simples alfabetização. Foram criados os Círculos de Cultura, que eram mais do que espaços para a leitura das palavras. Eram o lugar de ler o mundo, onde a conscientização do sujeito e a busca pela igualdade eram o principal conteúdo aprendido.

Paulo Souza, um dos alunos da primeira turma de alfabetizados, comenta: "naquela época aqui era só mato. Depois do trabalho a gente seguia para a aula com o caderninho debaixo do braço. Aquilo mudou a minha vida, porque quando a gente não sabe ler a gente não participa de nada, a gente não é ninguém".

Considerado “comunista” pela Ditadura Militar, Paulo Freire foi exilado do Brasil em 1964, interrompendo o projeto que poderia ser decisivo na erradicação do analfabetismo no Brasil, que até hoje limita a vida de milhares de brasileiros.

Fonte: http://g1.globo.com

O Estatuto da Juventude vem aí

Jovens de 15 a 29 anos, que representam 48,6% da população nacional, terão seus direitos e deveres discriminados pelo Estatuto da Juventude, que está prestes a ser aprovado.


O Senado já aprovou o projeto final do documento, mas voltará para a Câmara dos Deputados para a votação final após alguns ajustes propostos. O contraditório é que enquanto há severas críticas ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e projetos propondo a redução da idade penal, surge um documento em defesa dos direitos dos jovens.

O Estatuto da Juventude levanta a discussão para diferentes direitos como acesso à cultura, garantia da participação em políticas públicas, igualdade de oportunidades, direito à educação com obrigatoriedade do Ensino Médio e incentivo ao ensino superior, saúde pública e gratuita, entre outros.

De acordo com a coordenadora Executiva do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente do Distrito Federal (Cedeca-DF), Perla Ribeiro, "não havia uma legislação específica para essa população que enfrenta os principais desafios da vida nessa faixa etária".

Entre os grandes eixos apontados pelo Estatuto estão a saúde, a educação e o trabalho do jovem. No artigo 12, parágrafo 4º, lê-se: "É dever do Estado assegurar ao jovem a obrigatoriedade e a gratuidade do Ensino Médio, na modalidade de ensino regular, com a opção de cursos diurno e noturno, adequados às condições do educando". Com relação ao direito à saúde dos jovens, entre as diretrizes estão a criação de unidades de referência juvenil, inclusão de temáticas como drogas, doenças sexualmente transmissíveis e sexualidade nos conteúdos curriculares dos diversos níveis da escola, restrição ao uso de esteroides anabolizantes, entre outras.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Tratar bem

Ainda ontem alguém me perguntou: "por que tu me tratas assim tão bem, se eu só te incomodo?"
Respondi: é justamente porque me incomodas, que o trato assim...

Mauro Feijó, conversando com um adolescente...

Teatralização do atentado de Boston: fazer esquecer o eventual fim da espécie





Precisaria ser inumano e sem sentido de solidariedade e de compaixão não se indignar e não condenar o atentado perpetrado em Boston com dois mortos e centenas de feridos. Mas isso não nos dispensa de sermos críticos. Houve uma teatralização mundial do atentado com objetivos ocultos que devem ser desvendados. Atentados ocorrem muitos no mundo, especialmente no Afeganistão e no Iraque na presença das tropas norte-americanas e dos aliados. Sempre com muitos mortos e centenas de feridos. Quase ninguém dá importância ao fato, já naturalizado e banalizado. Muitos pensam: trata-se de gente terrorista ou próxima a eles, incômodos à ocupação ocidental. Que se matem. Convenhamos: são seres humanos como aqueles de Boston. Mas, as medidas de avaliação são diferentes. Sabemos o porquê.

Precisamos estar atentos ao significado político-ideológico da espetacularização do atentado de Boston. É uma forma de desviar a atenção mundial de questões muito mais fundamentais: a primeira é o estado de terror que o Estado norte-americano está impondo internamente a seus cidadãos e ao mundo inteiro. Com isso atraiçoa o que de melhor tinha: a defesa dos direitos fundamentais. Não fechou Guantánamo, nem ratificou instrumentos internacionais importantes como o Tratado de Roma, da Corte Penal Internacional, nem a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José de Costa Rica). Não quer que as violações e atentados que seus agentes perpetram pelo mundo afora para garantir o império sejam levados àqueles tribunais.

Mas, pela ininterrupta ocupação das mídias mundiais (a nossa Globo estava em peso por lá), a propósito do atentado, os "senhores do mundo” querem desviar a atenção da segunda questão, esta sim, de consequências funestas e que pode afetar a todos: a ameaça do fim da espécie humana. Primeiro, estes "senhores” devastaram durante séculos o planeta a ponto de ele não poder, sozinho, recuperar sua sustentabilidade. Pelos eventos extremos, dá mostras de que os limites foram ultrapassados. Em seguida, no afã de acumular ilimitadamente e dominar o processo de planetização da humanidade, montaram uma máquina de morte que ameaça a vida na Terra e pode trazer o armagedon para a espécie humana.

Notáveis cientistas do mundo e os mais sérios teóricos da ecologia chamaram atenção para esta ameaça real. Apenas não sabemos exatamente quando e como vai ocorrer. Mas, mantido o curso atual das coisas, ela será fatal. Michel Serres, renomado filósofo francês da ecologia, já o disse: depois de Hiroshima, Nagasaki e agora de Fukushima, a humanidade descobriu um novo tipo de morte: a morte da espécie. Sim, como Gorbachev não se cansa de repetir: podemos destruir toda a espécie humana, sem restar nenhum testemunho, com as armas químicas, biológicas e nucleares que já construímos e estocamos. Segurança? Nunca é absoluta. Lembremos Three Islands, Chernobyl e Fukushima.

Então: a nossa espécie realmente se mostrou o Satã da Terra: aprendeu a ser homicida (mata seus semelhantes), etnocida (quantos povos originários não foram liquidados?), ecocida (devastou ecossistemas inteiros) e agora pode ser especiecida (leva a própria espécie ao suicídio).

O sistema imperial vive buscando bodes expiatórios (antes, eram os comunistas; depois, os subversivos; agora, os terroristas, os imigrantes; quem mais?) sobre os quais recai o desejo mimético e coletivo de vingança. E assim, se autoexime de culpas e de erros. Mas, principalmente, faz de tudo para que esta ameaça letal sobre a espécie humana não seja lembrada e se transforme numa consciência mundial perigosa.

Ninguém aceita passivamente um veredito de morte. Vai lutar para garantir a vida e o futuro comum. Este deveria ser o objetivo de uma governança global que exige a renúncia de uma vontade imperial que pensa só em sua perpetuação em vez de pensar no Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade. Por mais que se manipule o atentado de Boston, por quanto tempo, os poderosos ocultarão a situação dramática que pesa sobre nós? Oxalá, acordemos todos, simplesmente porque não queremos morrer, mas viver e irradiar.

Leonardo Boff

Dirceu quer afastar Barbosa


DIRCEU PEDE PARA AFASTAR BARBOSA DA RELATORIA




Dirceu pede ao STF que tire Barbosa da relatoria do julgamento do mensalão

Em estratégia ousada, defesa alega que ministro cometeu ‘omissões inadmissíveis’ em acórdão e pede redistribuição do processo e novo relator

Por Fausto Macedo – O Estado de S.Paulo

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), condenado a 10 anos e 10 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha no processo do mensalão, quer o afastamento de seu algoz, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria dos autos da ação penal 470 e sua redistribuição para outro ministro da Corte.

Em recurso de embargos de declaração, protocolado no STF na tarde desta quarta feira, 1º de maio, a defesa de Dirceu parte para sua estratégia mais ousada e agressiva desde que o processo começou a ser julgado, em agosto de 2012. A defesa pede a reforma do acórdão do Mensalão, atribuindo ao relator Barbosa, hoje presidente do STF, "contradições, omissões e supressões inadmissíveis”.

(…)

Fonte: adital