FILOSOFIAS Et cetera

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sábado, 17 de novembro de 2012

Dilema do prisioneiro



«O leitor e outro prisioneiro jazem em celas separadas da Esquadra Principal da Polícia da Ruritânia. Os agentes tentam fazer-vos confessar ter conspirado contra o estado. Um interrogador vem até à sua cela, serve um copo de vinho da Ruritânia, dá-lhe um cigarro e, num tom de amizade sedutora, propõe-lhe um acordo.
— Confesse o crime! — exorta ele. — E se o seu amigo na outra cela… O leitor protesta, alegando nunca ter visto antes o prisioneiro que se encontra na outra cela, mas o interrogador ignora a objeção e prossegue:
— Ainda melhor, então, se ele não é seu amigo; pois, como eu estava a dizer, se o senhor confessar, e ele não, usaremos a sua confissão para o engaiolar a ele dez anos. A sua recompensa será a liberdade. Por outro lado, se for estúpido ao ponto de se recusar a confessar, e o seu “amigo” na outra cela confessar, será o senhor a ir para a prisão dez anos, e ele será libertado.
O leitor pensa nisto durante algum tempo e percebe que não tem informação suficiente para decidir, por isso pergunta:
— E se confessarmos ambos?
— Então, e uma vez que não precisamos realmente da sua confissão, não sairá em liberdade. Mas, tendo em conta que estavam a tentar ajudar-nos, passarão os dois oito anos na cadeia.
— E se nenhum de nós confessar? Uma expressão de desdém perpassa o rosto do interrogador e o leitor receia que ele esteja prestes a golpeá-lo. Mas o homem controla-se e rosna que, então, uma vez que não terão provas para a condenação, não poderão manter-vos lá dentro muito tempo. Mas acrescenta:
— Não desistimos facilmente. Ainda podemos manter-nos aqui seis meses, a interrogar-vos, antes de os “sacanas” da Amnistia Internacional conseguirem pressionar o governo para vos tirar daqui.
Portanto, pense no assunto: quer o seu colega confesse, quer não, o senhor ficará melhor se confessar do que se não o fizer. E o meu colega vai dizer a mesma coisa ao outro tipo, agora mesmo.
O leitor reflete no que ele disse e compreende que o guarda tem razão. Faça o que fizer o estranho na outra cela, o leitor ficará melhor se confessar. Se ele confessar, a sua escolha é entre confessar também, e apanhar oito anos de prisão, ou não confessar, e passar dez anos atrás das grades. Por outro lado, se o outro prisioneiro não confessar, a sua escolha é entre confessar, e sair livre, ou não confessar, e passar seis meses na cela. Portanto, parece que o melhor a fazer é confessar. Mas, então, ocorre-lhe outro pensamento. O outro prisioneiro está exatamente na mesma situação. Se, para si, é racional confessar, também será racional para ele confessar. Assim, passarão ambos oito anos na cadeia. Por outro lado, se ninguém confessar, ambos ficarão livres dentro de seis meses. Como pode ser que a escolha que parece racional, para cada um dos dois, individualmente — ou seja, confessar — vos prejudique mais a ambos do que se decidirem não confessar? O que deve fazer?»
Peter Singer
Tradução de M. de Fátima St. Aubyn
in Como Havemos de Viver? A Ética Numa Época de
Individualismo 
(1993) Lisboa: Dinalivro, 2006, pp. 241-244. (Adaptado
)
  

O dilema de Henrique (Heinz)


O Dilema de Henrique (Heinz)

"Numa cidade da Europa, uma mulher estava a morrer de cancro. Um medicamento descoberto recentemente por um farmacêutico dessa cidade podia salvar-lhe a vida. A descoberta desse medicamento tinha custado muito dinheiro ao farmacêutico, que agora pedia dez vezes mais por uma pequena porção desse remédio. Henrique (Heinz), o marido da mulher que estava a morrer, foi ter com as pessoas suas conhecidas para lhe emprestarem o dinheiro e, assim, poder comprar o medicamento. Apenas conseguiu juntar metade do dinheiro pedido pelo farmacêutico. Foi ter, então, com ele, contou-lhe que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe para lhe vender o medicamento mais barato. Em alternativa, pediu-lhe para o deixar levar o medicamento, pagando mais tarde a metade do dinheiro que ainda lhe faltava. O farmacêutico respondeu que não, que tinha descoberto o medicamento e que queria ganhar dinheiro com a sua descoberta. O Henrique, que tinha feito tudo ao seu alcance para comprar o medicamento, ficou desesperado e estava a pensar assaltar a farmácia e roubar o medicamento para a sua mulher."

L. Kohlberg, Essays on Moral Development, 1984, in
O.M. Lourenço, Psicologia do Desenvolvimento Moral, Coimbra, Almedina, 1992, pp. 86,87

Ainda vale a pena ser professor?



Dizia Kant – e muitos pedagogos ainda o desconhecem – que “é tão cômodo ser menor. Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um diretor espiritual que tem por mim consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., não preciso eu próprio de me esforçar. Não me é forçoso pensar”… (Immanuel Kant, "Resposta à pergunta: O que é o Iluminismo?", in A paz perpétua e outros Opúsculos, Edições 70.)

Ora, é isto que perpassa hoje – e muito – na escola pública! Pensar é atividade desencorajadora e inclusive quase proibida… As estruturas dirigentes quase que indeferem o exercício da racionalidade aos seus pares, até porque um pensamento não-alinhado, divergente, criativo, alternativo, pode ser um elemento desestabilizador. Assim, o exercício da maioridade, de um “pensar por si” livre, de um “servir do seu próprio entendimento”, é um obstáculo aos tempos presentes. O que nos é solicitado é que cumpramos os preceitos estabelecidos, que respeitemos a regra, que abracemos os modelos já (mais que) testados e sigamos as orientações daqueles que se julgam líderes.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Que tal se desconectar um pouco...



Embora a realidade virtual seja o epicentro do mundo atual, não é possível que a mesma sobrepuja o mundo real das relações interpessoais, pois corremos o risco de tornar a humanidade cada vez mais individualista e egoísta. Ainda é tempo de desconectar, pelo menos um pouco, do mundo virtual. Precisamos resgatar as relações de pele, olho no olho, o abraço, o aperto de mãos... Precisamos sustentar nossa condição de humanos afetivos...

Mauro Feijó

Eu sou água



Se mais de 70% de meu organismo é composto por água, então devo ter o cuidado de não DERRAMAR-ME por aí...
Mauro Feijó

Água é vida



ÁGUA é VIDA...
VIDA é ÁGUA...
A QUALIDADE DE CADA UMA DEPENDE DA OUTRA... E AS DUAS DEPENDEM DO "SABER CUIDAR" DO HOMEM...

Mauro Feijó

Zé Ramalho - Cidadão



Cidadão
Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas prá ir, duas prá voltar
Hoje depois dele pronto
Olho prá cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
"Tu tá aí admirado?
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou prá casa entristecido
Dá vontade de beber
E prá aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer...
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...
Tá vendo aquela igreja moço
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"
Hié! Hié! Hié! Hié!
Hié! Oh! Oh! Oh!
Zé Ramalho

LS Jack - Amanhã não se sabe


Amanhã não se sabe

Como as folhas, como o vento
Até onde vai dar o firmamento
Toda hora enquanto é tempo
Vivo aqui neste momento
Hoje aqui, amanhã não se sabe
Vivo agora antes que o dia acabe
Neste instante, nunca é tarde
Mal começou e eu já estou com saudade
Me abraça, me aceita
Me aceita assim meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
Me deixa ser o que for
Como as ondas com a maré
Até onde não vai dar mais pé
Este instante tal qual é
Vivo aqui e seja o que Deus quiser
Hoje aqui não importa pra onde vamos
Vivo agora, não tenho outros planos
É tão fácil viver sonhando
Enquanto isso a vida vai passando
Me abraça, aceita
Me aceita assim meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
Me deixa ser o que for
Me abraça, me aceita
Me aceita assim meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
Me deixa ser o que for
LS Jack
A música indica uma super valorização do "agora". Importante sabermos e nos darmos conta que existimos dentro de duas categorias, isto é, tempo e espaço: aqui e agora. Não deixemos de planejar o amanhã, mas saibamos valorizar o "aqui", sem desperdiçar a vida... Mauro Feijó