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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Penso, logo existo



René DescartesRené DescartesFrança1596 // 1650Filósofo
Penso, logo ExistoDe há muito tinha notado que, pelo que respeita à conduta, é necessário algumas vezes seguir como indubitáveis opiniões que sabemos serem muito incertas, (...). Mas, agora que resolvera dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário proceder exactamente ao contrário, e rejeitar, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não ficaria qualquer coisa nas minhas opiniões que fosse inteiramente indubitável. 
Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E porque há homens que se enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as razões de que até então me servira nas demonstrações. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer também quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o pensava, necessáriamente era alguma coisa. E notando esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos cépticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a podia aceitar, sem escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava. 

René Descartes, in 'Discurso do Método'

Conhece-te a ti mesmo



Sócrates e a nossa relação com o mundo

Josué Cândido da Silva*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
A figura de Sócrates é como um divisor de águas na Filosofia Antiga, tanto que os filósofos anteriores a ele são tradicionalmente chamados de pré-socráticos.

De fato, com Sócrates há uma mudança significativa no rumo das discussões filosóficas sobre a verdade e o conhecimento. Os primeiros filósofos estavam preocupados em encontrar o fundamento (arké) de todas as coisas. Sócrates, por sua vez, está mais interessado em nossa relação com os outros e com o mundo.


Curiosamente, Sócrates nada escreveu - e tudo o que sabemos dele é graças a seus discípulos, particularmente Platão. Sócrates teria tomado a inscrição da entrada do templo de Delfos como inspiração para construir sua filosofia: Conhece-te a ti mesmo.


Para compreendermos o sentido dessa frase, segundo o filósofo francêsMichel Foucault (1926 - 1984), devemos inscrevê-la em uma estratégia maisgeral do cuidado de si.


Ou seja, o que Sócrates pregava era que nós devemos nos ocupar menos com as coisas (riqueza, fama, poder) e passarmos a nos ocupar com nós mesmos. Poderia objetar-se: com que propósito deveria ocupar-me comigo mesmo? Porque é o caminho que me permite ter acesso à verdade. Mas que tipo de verdade? Obviamente não é uma verdade qualquer, tal como a fórmula química da água, mas a verdade que é capaz de transformá-lo no seu próprio ser de sujeito.


É esse ato de conhecimento, capaz de promover nossaautotranscendência, de que fala Sócrates. Conhecer a mim mesmo para saber como modificar minha relação para comigo, com os outros e com o mundo.



Como ter acesso à verdade?

Tal modificação para ter acesso à verdade, contudo, não é um ato puramente intelectual. Ela exige, por vezes, determinadas renúncias e purificações, das quais Sócrates é um exemplo.

Sócrates dizia ter recebido de Deus a missão de exortar os atenienses, fossem eles velhos ou jovens, a deixarem de cuidar das coisas, passando a cuidar de si mesmos. Tal atitude o fez dedicar-se inteiramente à filosofia e à prática dialógica (uma forma especial de diálogo, denominada maiêutica) por meio da qual ele fazia com que seu interlocutor percebesse as inconsistências de seu discurso e se autocorrigisse.


A atitude de Sócrates questionava os valores da sociedade ateniense, razão pela qual seus inimigos o levaram ao tribunal, onde foi julgado e condenado à morte. Sua morte, porém, não impediu que a questão do cuidado de si se tornasse um tema central na filosofia durante mais de mil anos - e chegasse a influenciar alguns filósofos modernos e contemporâneos.


A questão central do cuidado de si é que jamais se tem acesso à verdade sem uma experiência de purificação, de meditação, de exame de consciência - enfim, através de determinados exercícios espirituais capazes de transfigurar nosso próprio ser.


Dito de outro modo, o estado de iluminação, de descoberta da verdade, não é produto do estudo, mas de uma prática acompanhada de reflexão constante sobre minhas ações, atitudes - e de como posso modificá-las para me tornar uma pessoa melhor. É como se a vida fosse uma obra de arte em que nós vamos nos moldando, nos aperfeiçoando no decorrer da existência.



A difícil busca da verdade

Atualmente, estamos distantes dessa perspectiva socrática do cuidado de si. A ciência moderna está preocupada com a produção e acumulação de conhecimentos.

Mas quando nos perguntamos: para quê acumulamos e produzimos conhecimento? A resposta é simplesmente: para aumentar infinitamente nosso conhecimento. Entramos, assim, numa corrida sem fim, em que nunca nos questionamos se isso realmente está trazendo os benefícios prometidos.


Claro que a tecnologia traz inegáveis benefícios, mas não parece que as pessoas, atualmente, estejam mais felizes. Pode-se alegar, no entanto, que não é papel do conhecimento e da ciência promover a felicidade humana - e que, talvez, conhecimento e ciência tenham a única função de contribuir para a concentração de poder e dinheiro nas mãos de alguns uns poucos.


Sócrates, porém, via a busca da verdade como um caminho de ascese, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos nossa relação com os outros e com o mundo.


Mergulhados em preocupações com a aparência e o consumo, pensamos estar cuidando de nós mesmos, quando na verdade estamos nos perdendo em meio às coisas. É preciso conhecer a si mesmo para não perder-se. Claro que você não vai encontrar toda verdade em si mesmo, mas, pelo menos, a única verdade capaz de salvá-lo.



O que há para ler




  • Do filósofo Michel Foucault, a obra A hermenêutica do sujeito, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2004.

    Veja também

  • Ideias de Platão
  • Aristóteles e o papel da razão
  • Ceticismo
  • Fundamento da realidade
  • Dialética
  • Os universais
  • Origens da filosofia e os primeiros filósofos gregos 
  • Deus
  • Preconceito 
  • Política 
  • Estética
  • Aborto 
  • Texto filosófico
  • A importância da amizade

    O que seria de uma pessoa sem ter grandes amigos? Estar junto de pessoas que te fazem
    bem, que te orientam e são capazes de te reconfortar nos momentos difíceis é sempre muito
    bom. Ter um amigo de verdade é muito difícil, conquistar a confiança de alguém é bastante
    complicado.
    Quando falamos em "grande amigo", nos referimos a alguém com quem realmente se possa
    contar. Não é apenas o sujeito com quem se toma um café ou se faz uma piadinha sobre o
    chefe. É aquela pessoa para quem se pode telefonar e perguntar: "O que você faria nessa
    situação?". E que, com certeza, vai responder com sinceridade, mesmo que a opinião
    desagrade ao interlocutor. Essa ligação cria uma aura de segurança essencial para suportar
    as pressões emocionais e profissionais.
    Nos últimos anos, houve uma visível mudança em relação aos laços amistosos. Especialistas
    afirmam que a amizade passa por uma tremenda crise de identidade. No passado, a diversão
    se dava na companhia da família em aniversários, casamentos, festas de Natal e almoços de
    domingo. Hoje, os parentes têm seus próprios problemas e os casamentos já não duram tanto
    tempo. O afeto dos amigos se tornou uma espécie de refúgio. Assim, ampliou-se o conceito de
    amizade. Amigos para se divertir, para fazer coisas juntos, trocar experiências e conselhos,
    sem que haja um pacto de sangue envolvido, tornou-se algo extremamente desejável. Eles são
    importantes porque funcionam como uma válvula de escape. Lidar com coisas profundas o
    tempo todo é pesado demais.
    As pesquisas mostram que, ao longo da vida, colecionam-se 400 amigos, mas mantém-se
    contato com menos de 10% deles. Em média, vive-se rodeado por trinta pessoas. Dessas,
    apenas seis são tidas como verdadeiros amigos. Adultos passam menos de 10% do tempo
    com os amigos. Crianças e adolescentes, cerca de um terço.
    Para a criança, os amigos da rua, do colégio ou do bairro são tão fundamentais na formação
    do caráter quanto à escola ou a família. Eles funcionam como um ponto de referência
    importante quando se está formulando uma maneira própria de ver o mundo ou de enfrentar
    situações novas.
    Toda criança ou adolescente chegam a uma fase em que é preciso se libertar um pouco da
    influência direta dos pais e estabelecer diálogos com seus pares. Nesse período de busca
    pela autonomia, os amigos passam a ser o principal ponto de apoio. Jovens costumam viver
    em grupos, compartilhar penteados, opiniões ou a maneira de se vestir. Essa influência
    horizontal é conhecida como, um tipo de aprendizagem pela imitação. Claro que dependendo
    do grupo ela pode até se desvirtuar para uma má influência, mas de forma geral é saudável na
    estruturação da personalidade de um futuro adulto.
    Está comprovado que ter a companhia de amigos reduz bastante:
     o risco de depressão,
     ansiedade,
     stress
     sintomas degenerativos de doenças graves como Alzheimer.
    E por que isso acontece?
    1º família e amigos estimulam a comer melhor, beber e fumar menos, exercitar-se mais  e
    procurar médicos com mais freqüência. Além disso, o círculo social eleva a auto-estima,
    melhora o bem-estar e reforça os mecanismos de defesa em tempos difíceis.
    2º a presença de um amigo ao lado do voluntário diminuía o stress psicológico na hora de
    resolver questões que requeriam maior habilidade mental.
    A força real da amizade virtual
    Há poucos anos, no alvorecer da internet, temeu-se que as relações virtuais iriam suplantar o
    contato real. A idéia era a de que cada um se encerraria no mundo virtual, sem abrir espaço
    para amizades verdadeiras. Não foi o que ocorreu. Ferramentas on-line como sites de
    relacionamento, blogs, fotologs e chats se mostraram poderosos mecanismos de ampliação
    dos contatos sociais, laços de amizade e até casamentos.
    A possibilidade de conhecer novas pessoas na rede é um ponto importante. Mas não é só
    isso. A internet se tornou um espaço público de exposição, onde é possível publicar idéias ou
    detalhes da sua vida pessoal que de outra maneira ficariam restritos a um círculo fechado. É
    uma forma de ampliar alguns aspectos da vida para uma dimensão mais visível.
    Esta é a moeda de troca nos sites de relacionamento: você expõe um pouco sua intimidade,
    eu exponho a minha, e assim se criam vínculos.  Bons amigos virtuais podem ser de grande
    valia para a vida pessoal e profissional.
    A importância de uma amizade é indescritível. Ter alguém do seu lado nos momentos de
    alegria é muito fácil, difícil mesmo é encontrar alguém perto de você quando o mundo está
    desmoronando na sua cabeça. Quando uma pessoa te apóia num momento difícil, saiba que é
    uma amizade verdadeira, a pessoa que irá te deixar ciente que você nunca estará sozinho.
    Um amigo é algo precioso. Há amizades que duram a vida toda, mesmo quando predomina a
    distância, pois bons amigos nunca se separam realmente.
    fonte: www.gandaiabr.net/a-importancia-da-amizade

    domingo, 26 de agosto de 2012

    Mesmo sem fé, algumas razões para crer em Deus



    Razões para Crermos em Deus 
    Por: A. CRESSY MORRISON,
    Ex-presidente da Academia de Ciências de Nova York
    (Leiam o que este cientista diz sobre Deus e a Ciência)

            "NÓS AINDA ESTAMOS NO AMANHECER da era científica, e todo o aumento da luz revela mais e mais a obra de um Criador inteligente.
            Nós fizemos descobertas estupendas; com um espírito de humildade científica e de fé_fundamentada_no_conhecimento estamos nos aproximando de uma consciência de Deus.
            Eis algumas razões para minha féAtravés da lei matemática podemos provar sem erro que nosso universo foi projetado e foi executado por uma grande inteligência de engenharia.
            Suponha que você coloque dez moedas de um centavo, marcadas de um a dez, em seu bolso e lhes dê uma boa agitada. Agora tente pegá-las na ordem de um a dez,  pegando uma moeda a cada vez que você agita o bolso. Matematicamente sabemos que:
    • a chance de pegar a número um é de um em dez; 
    • de pegar a um e a dois em seqüência é de um em 100; 
    • de pegar a um, dois e três em seqüência é de um em 1000 e assim por diante; 
    • sua chance de pegar todas as moedas, em seqüência, seria de um em dez bilhões. 
            Pelo mesmo raciocínio, são necessárias as mesmas condições para a vida na Terra ter acontecido por acaso:
    • Terra gira em seu eixo 1000 milhas por hora no Equador; se ela girasse 100 milhas por hora, nossos dias e noites seriam dez vezes mais longos e o Sol provavelmente queimaria nossa vegetação de dia enquanto a noite longa gelaria qualquer broto que sobrevivesse.
    • Novamente o Sol, fonte de nossa vida, tem uma temperatura de superfície de 10.000 graus Fahrenheit, e nossa Terra está distante bastante para que esta "vida eterna" nos esquente só o suficiente! Se o Sol desse somente metade de sua radiação atual, nós congelaríamos, e se desse muito mais, nos assaria. 
    • A inclinação da Terra a um ângulo de 23 graus, nos dá nossas estações; se a Terra não tivesse sido inclinada assim,vapores do oceano moveriam-se norte e sul, tranformando-nos em continentes de gelo.
    • Se nossa lua fosse, digamos, só 50.000 milhas mais longe do que hoje, nossas marés poderiam ser tão enormes que duas vezes por dia os continentes seriam submergidos; até mesmo as mais altas montanhas se encobririam.
    • Se a crosta da Terra fosse só dez pés mais espessa, não haveria oxigênio para a vida.
    • Se o oceano fosse só dez pés mais fundo o gás carbônico e o oxigênio seriam absorvidos e a vida vegetal não poderia existir. 
            É perante estes e outros exemplos que NÃO HÁ UMA CHANCE em um bilhão que a vida em nosso planeta seja um acidente.
            É cientificamente comprovado,  o que o salmista disse: "Os céus declaram a Glória de Deus e o firmamento as obras de Suas mãos."  
    Colaboração de José Antonio Castello

    Como estimular a criatividade

    O que é a criatividade? Arthur Koestler, escritor e grande pensador, descreve o pensamento criativo como "pensamento mental duplo que funciona em mais de um plano". Pode ser descrito como "um estado transitório".[BR]Podemos dizer que os elementos-chave do pensamento criativo são a presença de duas coisas: dois modos de pensamento e a transição entre eles.[BR]A natureza instável e perturbada da mente funcionando criativamente devia ser observada. Na medida em que uma atividade criativa necessariamente origina a instabilidade, é mais imprevisível do que outras atividades. É por isso que uma preparação relaxante é essencial para o desenvolvimento de trabalhos criativos. [BR]Alguns elementos do processo criativo são a transformação, a transição, a troca ou a alteração entre duas coisas. Para obter um bom ambiente e um bom resultado para objectivos criativos, a imaginação é uma das partes-chave. Transformar uma entidade viva num objecto, e um objecto numa entidade viva, dando exemplos e explorando o mais que podemos a imaginação que cada pessoa tem.[BR]Outro modo de estimular a mente criativa em cada um de nós é através da troca de pontos de vista, da tentativa de imaginar-nos e pôr-nos no lugar de outra pessoa, avaliando todas as possíveis vantagens e desvantagens duma certa situação, e nunca agir antes de estarmos na posse de todos os factos.[BR]A criatividade devia ser explorada e encorajada, já que a mente e a capacidade de julgamento da pessoa aumentará, assim como a sua percepção do mundo à volta dela. É, assim, altamente recomendável para adultos também.

    Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/education/1760263-como-estimular-criatividade/#ixzz24fpvkAfk

    Estimulando o pensamento crítico na sala de aula


    Quando recebi a solitação de apresentar algumas reflexões sobre o tema "Estimulando o Pensamento Crítico na sala de aula" optei começar nossa conversa explicitando os termos que a intitulam. Pode parecer excesso de zelo querer clarear palavras tão usuais para educadores, mas é impossível não lembrar de duas pessoas (Prof. Joel Martins e Prof. Paulo Freire) quando afirmamos que é necessário falar do que é óbvio, porque, as vezes, por ser óbvio deixa de ficar claro ou tão claro quanto desejamos.

    Para Descartes, pensamento "engloba os fenômenos do espírito. O que é uma coisa que pensa? É uma coisa que duvida,que entende, que concebe, que afirma, que quer, que não quer, que imagina e que sente. Este sentido perdeu atualidade mesmo em Descartes. Mais comumente, diz-se de todos os fenômenos cognitivos (em oposição aos sentimentos e às volições). Pensamento é, então, um sinônimo de inteligência.
    1 Num sentido bastante mais amplo, pensamento seria tudo aquilo que tem em si um caráter de racionalidade e de inteligibilidade, mesmo sem consciências atual, mas com uma tendência para a consciência."
    2 "Crítico: aquele que não aceita nenhuma asserção sem se interrogar primeiro sobre o valor dessa asserção, tanto do ponto de vista do seu conteúdo (crítica interna) quando do ponto de vista da sua origem (crítica externa").
    3 Nesse momento nos parece importante também definir "estímulos". Segundo Lalande (1993) , estímulo é qualquer ação física que põe em ação as reações de um ser vivo.

    Sendo assim, "Estimulando o Pensamento Crítico na Sala de Aula" significa alguém agindo para que outras pessoas atuem de forma inteligente e interrogativa.

    Estimular o pensamento crítico me parece ser a missão de todo Ser Humano no seu ser-com-o-outro, do ser-no-mundo. O que desperta a minha atenção, nesse momento, é circunscrever essa colocação fazendo uma breve revisão do que acontece, na maioria das vezes, dentro da "sala de aula".
    educação
    Os modelos de ensino mais tradicionais 4 trabalham, basicamente, com a transmissão de informação. O professor veicula informações e o aluno as recebe. A memorização é privilegiada no sentido que permite ao aluno "devolver", quando solicitado, as informções transmitidas. Quanto mais precisa e fiel for essa "devolução" melhor, pois ela é um indicador da eficiência do ensino. Nesse panorama, a escola tradicional enfatiza o ensino e não o aprender.

    Para nos certificarmos da veracidade dessas informações bata analisarmos, as provas que são dadas nas nossas escolas e só para citar mais um exemplo lembraremos do Exame Vestibular. O aluno, normalmente, é avaliado pela quantidade de informações que conseguiu "reter".

    Parece que não há muita discordância de que é essa a forma como se dá a educação, na quase totalidade dos casos. Mesmo que em alguns momentos assumamos outros discursos, na prática temos uma educação transmissivista. Tal modelo teve um papel e uma origem que se contextualizadas nos permite verificar uma função e necessidade histórica – a reprodução do conhecimento.

    Mas o que é saber? Muitos estudiosos já o definiram, apresentaremos as palavras do professor Larsen (1998) que "destaca a importância de se diferenciar informação de conhecimento. o conhecimento é representação interna (subjetiva) da informação. Informação é "forma de mediação dos conhecimentos socialmente compartilhados"(Barato, 1994). Para que haja saber precisamos acrescentar o desempenho ou ação humana (a interação entre o sujeito conhecedor e o contexto de aplicação do conhecimento. O saber, além de acesso a informação exige a construção de representações internas (conhecimento) e uma prática (desempenho) que molda continuamente o conhecimento). 5

    A partir das colocações feitas podemos concluir que o simples acesso a informação, não pressupõe nem a construção do conhecimento e nem o saber. Portanto, os modelos educacionais tradicionais e vigentes não estão organizados sistematicamente para a elaboração do saber e sim para transmissão de informação. O foco central não é o aprender mas, o ensinar.
    O Mundo Moderno e a Sociedade do Século XXI
    Estamos vivendo uma revolução científico-tecnológica, que se deve, entre outras coisas, ao desenvolvimento da microeletrônica, que vem alterando, significativamente, as condições de vida, produção e prestação de serviços. Estas modificações, por sua vez, exigem que as relações sociais se estabeleçam sob outros paradigmas.

    As alterações mais fáceis de serem notadas estão relacionadas às desencadeadas pela informática, a tal ponto que nos referimos a nossa era como sendo a "era da informaçõa". De uma forma ou de outra, a informática se faz presente nas nossas vidas cotidianas, mesmo que na maioria das vezes não tenhamos clareza disso. Quando usamos os serviços bancários, "caixas eletrônicos", aparelhos eletrodomésticos e serviços de comunicação, só para citar alguns exemplos, estamos nos valendo dos avanços tecnológicos. Nas situações citadas, não questionamos as contribuições e facilidades oferecidas pelo processo de informatização e, geralmente, só nos damos conta da sua presença quando ela se mostra ausente ou "falha". Como diria Martin Heidegger, ela se faz presente pela ausência.

    Hoje, a quantidade de informação produzida é tão grande que é impossível o acesso a todas, mesmo em se tratando de temas extremamente especializados. Com a agilidade e rapidez das novas descobertas, o que era a última palavra num determinado campo do conhecimento deixa de ser verdade dentro de instantes (como exemplo podemos citar as descobertas de algumas drogas medicamentosas). Sendo assim, a memorizaçãode fatos e dados já não pode ser o diferencial entre o "sábio"e o "ignorante".

    Os referidos avanços tecnológicos podem gerar diferentes consequências. Os mais otimistas acreditam que o ser humano ficará livre de tarefas mecânicas, elas serão realizadas pelas máquinas. Homens e mulheres se dedicarão a atividades mais inteligentes que exigem, portanto, uma capacidade diferente da repetir informações ou cumprir ordens. Os pessimistas temem uma desumanização restritas das possibilidades de trabalho, ficando o homem cada vez mais submisso as máquinas, tornando-se uma simples peça de uma engreganem de proporções inimagináveis. Acreditamos que haja alguns caminhos para se evitar que o prognóstico desfavorável se realize: as pessoas precisam estar preparadas para tomar decisões, devem ser capazes de aprender com automonia, distanciamento e pensamento crítico. A "era da informação" e a organização social que ela desencadeia é que nos faz vislumbrar esse caminho.
    A Escola e o Pensamento Crítico
    Ao consideramos a organização educacional segundo as características descritas anteriormente e as definições dos termos: "pensamento" – "crítico", somos levados a concluir que, hoje, o pensamento crítico (atuar de forma inteligente e interrogativa frente as asserções ou informações), nas escolas, não é estimulado e se ocorre é quase a revelia dos processos de ensino.

    Pode parecer bastante severa essa conclusão e para alguns pode ser até ofensiva. No entanto, uma análise desapaixonada poderá confirmá-la.
    Por uma questão de tempo, não será possível um trabalho mais profundo para a análise proposta. Mas, é fundamental que alguns pontos, para futuras reflexões sejam apresentados e comentados.

    O primeiro deles é a questão da memorização. Como já dissemos o ensino tradiconal se sustenta e é sustentado na memorização de fatos. Penso que todos concordamos que esse processo mental não desenvolve compreensão, análise, síntese, construção do conhecimento, transferência de conhecimento e nem um bom desempenho em alguma atividade. Apesar de ser necessário para todas as habilidades citadas, ela em si não as garante. Sendo assim, um processo educacional que privilegia quase que exclusivamente o "decorar a matéria" não pode estimular o pensamento crítico. Quando a verificação do saber se resume em repetir as informações ouvidas ou lidas estamos educando para a ausência de crítica (acriticidade). Estamos deseducando, pois o ser- humano é naturalmente crítico, basta lembrar-mos das perguntas mais ingênuas das crianças que em todas as situações querem saber os "porques". Mas, quando entram na escola aprendem a não questionar mas, a obedecer.

    Quando desejamos que alguem memorize alguma coisa ou que obedeça incondicionalmente é porque acreditamos que existe verdades absolutas, inquestionáveis. Poder criticar, poder pensar, poder questionar implica em considerar a transitoriedade das verdades. Algo nem sempre muito confortável.
    Penso, ainda, que a tarefa de estimular o pensamento crítico não está limitada aos muros da escola. Que é uma atribuição do ser-com-os outros. No entanto, a ênfase que está sendo dada ao ambiente educacional deve-se primeiro ao contexto da nossa conversa e segundo ao fato de ser a escola o espaço, dentro da nossa sociedade, organizado sistemática e intencionalmente para o aprender (pelos menos, assim desejamos).

    Os princípios do modelo educacional tradicional estão relacionadas com momentos históricos específicos, necessidades culturais, sociais e ecônomicas, entre outros fatores determinantes. Pressupõem certas visões de mundo, de homen e de sociedade. Mas, para o momento histórico que estamos vivendo, tais concepções não são adequadas. A simples reprodução do conhecimento não será suficiente para vivermos com dignidade, sem nos imbecializarmos frente as máquinas. Então, nos resta uma pergunta, porque persiste?

    Uma das respostas possíveis deve-se ao fato das dificuldades inerentes a todo e qualquer processo de mudança. É muito mais fácil continuar fazendo o que se faz há décadas do que encarar novos desafios, do que ousar. Por outro lado, existe toda uma estrutura educacinal em termos de metodologias, livros, estratégias, políticas de formação de professores etc. que garante de uma forma ou de outra a continuidade ou a manutenção do status quo. Além disso, ainda existe na sociedade setores que pensam que para defender seus interesses é preciso ter pessoas cumpridoras de ordem, sem pensamento crítico, sem autonomia.

    Retomando a questão da dificuldade, temos que salientar que qualquer processo ou relação que se estabeleça no sentido de se trabalhar com pessoas com senso crítico apurado é muito mais desgastante. Não é por outra razão que muitas vezes a palavra "crítica" é usada com um sentido negativo. Por exemplo, diz-se que uma situação é crítica quando ela carrega ou representa gravidade. Quando nos referimos a alguém como sendo uma "pessoa crítica" há uma tendência a se pensar que se trata de alguém de convívio desegradável e as vezes pertubador da ordem estabelecida. Essas colocações podem ser, tranqüilamente, transferidas para a avaliação do comportamento dos alunos. O aluno dócil, não questionador, obediente é o tipo mais desejado.

    Aquele que pensa, indaga, questiona, duvida, geralmente, não é visto com bons olhos pelo corpo docente e técnico das escolas. Talvez trabalhar com a criticidade seja tão difícil quanto admitir a ausência de verdades eternas. Porque então estimular o pensamento crítico?
    Uma das respostas a essa indagação surge a partir da própria pergunta. Se a preocupação se faz presente é porque existe um espaço, no mínimo, de questionamento e reflexão. Além do espaço, e muito mais importante que ele, a atenção que se está dando, em termos mundiais, ao pensamento crítico nos diz do espíriro do tempo, nos fala de características próprias do momento históricoque estamos vivendo. Não é nenhuma invenção de um grupo intelectuais ou políticos.
    O que fazer? Como fazer?
    Falamos que existe toda uma estrutura em termos de metodologias, estratégias, livros, etc. que sustentam abordagens de ensino baseadas na memorização. Uma das ações possíveis para aqueles que acreditam e desejam disseminar idéias e ver, de fato, o pensamento crítico sendo estimulado nas salas de aula é começar a fornecer subsídios para os educadores que querem embarcar na deliciosa aventura de ousar a mudar o estabelecido. Tais subsídios podem assumir formas de reuniões, cursos, indicação de bibliografia, propostas metodológicas etc.

    Nesse sentido queremos salientar o uso da informática enquanto recurso instrucional. Antes, de mais nada é preciso deixar claro que a simples presença de um computadorna sala de aula não muda a concepção de ensino. É preciso saber o que se quer e como a informática, enquanto ferramenta, pode nos auxiliar no cumprimento de nossos objetivos.

    Na tentativa de deixar mais claro algumas das possibilidades do uso do computador em situações de aprendizagem que valorizem a construção do conhecimento – condição sine qua non – para o pensamento crítico, a seguir, citaremos alguns exemplos.

    Uma das maneiras de se favorecer a construção do conhecimento é oferecer oportunidades de experimentação. Atualmente, vários argumentos são apresentados como impedimentos para a realização de experiências, como por exemplo: custos de materiais, falta de laboratórios, inabilidade dos alunos para a manipulação de alguns materiais. Tais argumentos são usados, muitas vezes, no sentido de justificar um ensino baseado no discurso e na memorização.

    Umas das grandes contribuições que os computadores podem oferecer é a simulação de problemas reais. Citaremos alguns exemplos dessa possibilidade nas áreas de físico- química, biologia e "ciências sociais", com a intenção de, ao menos, servir como ponto de partida para uma reflexão e, talvez, para servir de estímulo desencadeante de mudanças.

    Experiências de físico-química que oferecem perigo de vida a todos os presentes, se realizadas em laboratórios convencionais, podem ser realizadas em computador, sem nenhum tipo de risco. Se as explosões ocorrerem além de não significarem nenhum perigo podem ser benvindas na testagem de hipóteses e se considerarmos que aprendemos a partir de nossos erros. As leis da física passariam a ser "vividas" e poderiam ser descobertas através das experimentações e não simplesmente memorizadas.

    As pesquisas e experiências que necessitam de materiais caros, quase nunca são realizadas e se o são, acontecem com sérias restrições em função do alto custo que isso apresenta para as escolas. No entanto, se as referidas experiências fossem executadas através de softwares elas poderiam ser repetidas inúmeras vezes com custo zero. Nesse caso, a questão financeira deixaria se ser um impedimento na criação de ambientes e oportunidades de experimentação por parte dos alunos. Mesmo considerando que poderemos encontrar um contra-argumento referente aos gastos com a compra de computadores, uma análise mais apurada nos mostrará que tais custos se diluem ao longo do tempo.

    Outra categoria de atividade que é beneficiada e viabilizada com o uso da informática é a que contempla situações que necessitam de precisão experimental, algo nem sempre fácil de ser obtido ora por falta de materiais adequados ou em boas condições, ora por inabilidade do aluno nos diferentes estágios de aprendizagem.

    Lembraremos, ainda as situações uqe não podem ser manipuladas no mundo real e que a partir de uma simulação computacional poderia ser de grande valor na construção do conhecimento. Por exemplo, como podemos testar a melhor via de entrada para uma determinada colonia de microorganismos invadir um hospedeiro com algumas características mais específicas? E se alterássemos algumas dessas características? Estas Ações passam a ser "reais" com o auxilio de um computador, contribuem para estabelecimento de relações, trabalha com a idéia de variáveis dependentes e independentes,
    entre outras habilidades intelectuais.

    Para encerrar a apresentação de exemplos, sem a pretensão de ter esgotado as possibilidades de uso de informática em educação falaremos de algumas situações que podem ser exploradas através das simulações. Pensemos num jogo onde um grupo de pessoas representam um único personagem que em diferentes momentos e frente a uma diversidade de situações deve tomar decisões. Cada decisão tem uma consequência que gera uma nova situação. Por exemplo, podemos representar o papel de um secretária de saúde que está enfrentando problemas em relação a algum tipo de epidemia que ameaça se instalar. Temos vacinas? São suficientes? Dispomos da quantidade suficiente? E os interesses políticos e econômicos ? Há ainda a pressão da imprensa?
    E assim por diante.Num modelo como este a aprendizagem coletiva pode se fazer presente de forma marcante. Os alunos poderão trabalhar com aspectos sociais que até agora só se apresentam de forma descritiva em alguns materiais escritos. É possível integrar conhecimentos de diversas áreas.
    Além de se tratar de um ambiente bastante rico e lúdico o processo de tomada de decisão envolve habilidades como análise, estabelecimento de objetivos, busca de informações, tranferência de conhecimento e a capacidade de assumir as consequências da escolha feita. Tais habilidades são imprescendiveis no desenvolvimento do pensamento crítico.

    Os exemplos que citamos sobre o uso de informática na educação oferecem uma possibilidade de ambientes favoráveis à construção de conhecimento, ao aprender a aprender e ao pensamento crítico. Uma vez que, segundo o professor Steen Larsen, esse tipo de pensamento só é possível quando os alunos podem não só manipular situações concretas mas, principalmente, re-interpretá-las, re-encená-las, para si e para os outros.

    Notas:

    1. Inteligências: conjunto de todas as funções que têm por objetivo o conhecimento no sentido mais amplo da palavra (sensação, associação, memória, imaginação, entendimento, razão consciência).
    2. Lalante, André – Vocabulário técnico e Crítico da Filosofia – Ed. Martins Fontes – SP, 1993.
    3. Idem.
    4. O adjetivo "tradicional", nesse caso, não se refere a antigo, mas a um modelo educacional.
    5. Barato, Jarbas Novelino (1994) Aqui agora: novas tecnologias e ensino municipal.
    Rosemary Soffner (rsoffner@opus.com.br) é Doutoranda na ECA-USP, Mestre em Psicologia da Educação PUC-SP, Diretora Pedagógica da Re-Criar Assessoria e Desenvolvimento em Tecnologia Educacional, Diretora da Sucesu-SP, Assessora de Tecnologia Educacional em escolas e instituições de ensino.

    Injustiça - convoco todos à indignação



    A injustiça não me mata, ela me mortifica.
    Mauro Feijó

    Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado.
    Platão
    Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.
    Che Guevara
    Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário.
    Che Guevara
    Da força à injustiça há só um passo.
    Confúcio
    A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.
    Barão de Montesquieu
    Haverá flagelo mais terrível do que a injustiça de armas na mão?
    Aristóteles
    A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar.
    Martin King
    É melhor sofrer uma injustiça que praticá-la, assim como às vezes é melhor ser enganado do que não confiar.
    Samuel Johnson
    Se sofrer uma injustiça, console-se, a verdadeira infelicidade é cometê-la.
    Demócrito
    O bom juiz não deve ser jovem, mas ancião, alguém que aprendeu tarde o que é a injustiça, sem tê-la sentido como experiência pessoal e ínsita na sua alma; mas por tê-la estudado, como uma qualidade alheia, nas almas alheias.
    Platão
    Quem critica a injustiça fá-lo não porque teme cometer ações injustas, mas porque teme sofrê-las.
    Platão
    A justiça pode caminhar sozinha; a injustiça precisa sempre de muletas, de argumentos.
    Nicolae Lorga
    Justiça extrema é injustiça.
    Marcus Cícero
    … que é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.
    Ariano Suassuna

    O que é conhecimento



    Conhecimento é o ato ou efeito de abstrair uma determinada idéia ou a noção de alguma coisa. Conhecimento também inclui descrições, hipóteses, conceitos, teorias, princípios, procedimentos e outros, e o estudo do conhecimento é chamado de gnoseologia, ou seja, aqui que se sabe de algo ou alguém. Para falar de conhecimento, é necessário falar sobre dados e informações, dados é uma mistura de códigos e informação é o resultado do processo de manipulação desses dados, assim, o conhecimento pode ser considerado uma informação com uma utilidade.
    O conhecimento é dividido em uma série de categorias: conhecimento sensorial, que é o conhecimento comum entre seres humanos e animais, conhecimento intelectual que é o raciocínio; pensamento do ser humano, conhecimento popular, que é a forma de conhecimento de uma determinada cultura, conhecimento científico que são análises baseadas em provas, conhecimento filosófico que está ligada à construção de idéias e conceitos, conhecimento teológico que é o conhecimento adquirido a partir da fé, e muitos outros.
    Conhecimento científico é um conhecimento real porque lida com ocorrências ou fatos, constitui um conhecimento contingente, pois suas preposições ou hipóteses têm a sua veracidade ou falsidade comprovada através da experimentação e não apenas pela razão, como ocorre no conhecimento filosófico. Já o conhecimento empírico, é aquele que adquirimos no decorrer do dia, é feito por meio de tentativas e erros num agrupamento de ideias; o conhecimento empírico é aquele que não precisa ter comprovação científica.

    pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimento