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sábado, 8 de dezembro de 2012

O Reino de Deus e as crianças

Mc 10, 13-16
13 Então lhe traziam algumas crianças para que as tocasse; mas os discípulos os repreenderam. 14Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus. 15 Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele. 16 E, tomando-as nos seus braços, as abençoou, pondo as mãos sobre elas.

Sempre tive dificuldade em entender e consequentemente, em aceitar a passagem bíblica acima, pois sempre busquei racionalizar minha fé e, mergulhado em elucubrações, nunca me dei conta, nunca consegui entender a mensagem do referido trecho do apóstolo Marcos. Nasci em família católica, fui catequizado, passei toda a infância e parte da adolescência indo à missa, estive no seminário por muitos anos, porém minha fé nunca foi suficiente para aceitar com tranquilidade que o Reino de Deus está mais próximo daqueles que o recebem como crianças.

No meu trabalho docente, nos últimos anos, tenho recorrido reiteradamente ao mundo das crianças para pensar e repensar metodologias e estratégias de como lidar com elas no ensino fundamental. As lições que tenho aprendido têm sido as mais diversas, tão interessantes que a questão da fé volta a me inquietar. Só que agora tenho elementos que antes não tivera para fazer outras considerações e chegar à novas conclusões.

A racionalidade continua sendo muito importante para não permitir uma fé ingênua e infantilizada, mas não será a racionalidade que irá permitir receber o Reino de Deus como uma criança. No mundo da criança tudo é bonito e simples, tudo é imaginado e inventado sem racionalização, não que esta não faça parte daquela fase, e sim que não é determinante.
Lendo um texto de Leonardo Boff (O comunismo ético de Oscar Niemeyer), em que ele se refere a uma conversa que teve com o falecido arquiteto, o teólogo relata que na arquitetura Niemeyer se inspirava mais lendo poesia, romance e ficção do que se entregando a elucubrações intelectuais. E Boff concordou com o arquiteto dizendo que “na religião é mais ou menos a mesma coisa: a grandeza da religião é a fantasia, a capacidade utópica de projetar reinos de justiça e céus de felicidade. E grandes pensadores modernos da religião como Bloch, Goldman, Durkheim, Rubem Alves e outros não dizem outra coisa: o nosso equívoco foi colocar a religião na razão quando o seu nicho natural se encontra no imaginário e no princípio esperança. Ai ela mostra a sua verdade. E nos pode inspirar um sentido de vida.”

Confesso que ainda racionalizo sobre a questão, mas estou bem mais próximo do mundo das crianças, onde os reinos de justiça e céus de felicidade estão presentes.

Mauro Feijó

domingo, 18 de novembro de 2012

Doze provas da existência de Deus


“A existência em Deus implica necessariamente a escravidão de tudo abaixo dele. Assim se Deus existisse, só haveria um meio de servir a liberdade humana: seria o de deixar de existir.”
Mikhail Bakunin
Há duas maneiras de estudar e procurar resolver o problema da existência de Deus.
A primeiro consiste em eliminar a hipótese Deus do campo das conjecturas plausíveis ou necessárias, por meio de uma explicação clara e precisa, isto é, por meio de uma exposição de um sistema positivo do Universo, das suas origens, dos seus desenvolvimentos sucessivos, dos seus fins. Esta exposição inutilizaria a ideia de Deus e destruiria antecipadamente a base metafísica em que se apoiam os teólogos e os filósofos espiritualistas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Religião, religiosidade e sistemas religiosos



A humanidade sofre com o desconhecimento das causas dos seus problemas. Este sofrer lhe remete a uma busca desesperada por soluções, por mitos e ou santos que lhe propiciem curas milagrosas, bem como soluções inesperadas para problemas previsíveis. Surge neste momento a Religião.
O que é Religião e o que chamamos de religiosidade?
A Religião é um processo relacional desenvolvido entre o Homem e os poderes por ele considerados sobre humanos, no qual se estabelece uma dependência ou uma relação de dependência. Essa relação se expressa através de emoções como confiança e medo, através de conceitos como moral e ética, e finalmente através de ações (cultos ou atividades pré estabelecidas, ritos ou reuniões solenes e festividades). A Religião é a expressão de que a consciência humana registra a sua relação com o inefável, demonstrando a sua convicção nos poderes que lhes são transcendentes. Esta transcendência é tão forte, que povoa a cultura humana.
Alguns teólogos defendem a idéia de que: “A Existência de Deus é uma necessidade”, no entanto queremos enfatiza-la como “A Necessidade”, porque nenhuma outra por mais sublime que a seja, equiparasse com a existência da “Vida de todas as vidas”. Podemos compreender que através da aceitação de Deus ou de um ser sobre humano, o ser humano consegue atribuir sentido metafísico às coisas. Sentido este que exorta a extrapolação do sensorial. Fora disto, tudo é vazio e não há compreensão que abarque a “inexistência como existente” e o acaso como responsável por todas as coisas.
Haveremos, porém, de considerar que as coisas metafísicas no sentido adotado exigem uma percepção metafísica. Exigem por si só, funções mentais não cognitivas que possibilitem ao Homem abstrair do mundo como ele está. Muitas vezes a percepção advinda destas faculdades, levam a percepções que fogem ao senso comum ou a percepção das massas. Diante deste paradoxo, o Homem que vivencia o Processo Religare (a dinâmica de desenvolvimento da consciência superlativa, em direção ao criador) é comumente chamado de louco, como se os outros que não enxergam o que ele vê não o fossem, em verdade.
Alguns Homens se consideram capazes de estabelecer uma espécie de intermédio nesta dinâmica, no entanto, estes Homens desconhecem que todo criador deixa grafada em sua obra, uma assinatura que o diferencia dos outros. Queremos dizer com isto, que a relação do criador cósmico com a criatura, deixa uma relação implícita ao ser humano. E é esta relação, que é verdadeiramente, a Religião.
Então o que se vê institucionalizado em: Templos, Congregações, Núcleos, Igrejas e Centros não são a Religião porque esta é um processo pessoal, mas um Sistema Religioso. Toda referência à palavra Religião feita neste texto, será uma referência à expressão: Processo Religare, que enfatizamos ser a dinâmica de ampliação dos níveis de consciência para percepção da divindade.
Um sistema religioso é caracterizado por elementos que expressem Religião, mesmo que este não seja o seu objetivo. Todo e qualquer sistema filosófico e científico que contenha elementos de Religião, é um sistema religioso. Observamos diante disto que muitas coisas podem ser elementos de Religião. Os livros sagrados, os marcos históricos, os personagens históricos, alguns objetos (santo Graal, lança sagrada, cruzes,...), são todos eles fonte de Religião, mas podem gerar ou não religiosidade.
A religiosidade é uma qualidade do indivíduo que é caracterizada pela disposição ou tendência do mesmo, para perseguir a sua própria Religião ou a integrar-se às coisas sagradas.  Precisamos diferir o ser possuidor de religiosidade, do religioso, que é fruto do sistema religioso.
O religioso é um fanático, que não compreende e não respeita o Processo Religare do próximo. Ele se torna intolerante e não aceita as práticas religiosas de outros indivíduos, considerando o seu caminho único e inquestionável. Acontece, com isto, que alguns sistemas religiosos podem gerar indivíduos de religiosidade, mas como os religiosos se apegam ao poder e as fórmulas, tendem a manipular as mentes atormentadas e sofredoras, obrigando a todo aquele que não esteja em sintonia com seus ideais a se tornarem submissos. Daí as crises e a intolerância religiosa. Os religiosos são de fato os grandes causadores de problema, aliados aos seus sistemas religiosos.
Não raro observamos este ou aquele sistema religioso apregoar ser o caminho de transformação da humanidade. Em verdade ele poderá ser "Um caminho" e não "O caminho" por que um sistema expressa as necessidades dos elementos constituintes do seu conjunto. Em decorrência disto não existe o melhor sistema religioso, mas o que mais se adeque ao entendimento e ao despertamento de consciência do indivíduo que o procura.
Existem nos sistemas religiosos, alguns elementos de Religião que podem ser autênticos. Estes elementos podem despertar a Religião, mas que com o tempo podem degenerar, porque para compreender o Processo Religare, é necessário transportar a consciência para um patamar mais desenvolvido.
Os estudiosos separam a prática religiosa do sistema religioso. Esta primeira pode inclusive conter dissonâncias críticas da segunda, destoando em idéias e em implementações da proposta dos seus criadores. Por isto, defendemos a posição de que o cristianismo primitivo foi perdido, por que ele foi adulterado pelos Homens, que dão sua própria interpretação daquilo que não compreendem. Mas, enquanto as palavras e as idéias não são respeitadas e enquanto o ser humano se apega a práticas exteriores e não vivência elas no seu interior, ele será sempre um ser a parte da criação e Deus será o déspota cruel, que manipula o Homem ao seu bel prazer.
Dissemos que a Religião (do grego religare) é o processo de interligação do ser humano com o criador. Mas afinal de contas, será que o Homem está separado de Deus? Então qual o real significado do Processo Religare ou Religião?
Desde o término do século XIX, muitos estudos científicos ficaram voltados ao entendimento da chamada consciência. É bem verdade que a grande maioria deles, complicou muito mais o entendimento do que outra coisa. Quando exortamos a expressão consciência, queremos nos referir a capacidade do ser humano relacionar-se com o mundo exterior, de forma: equilibrada, harmônica e plena. Então, toda relação consciente propicia ao indivíduo:
· O desapego de si mesmo e do outro,
· A compreensão do contexto o qual experimenta,
· A acessibilidade dos registros mentais, concernente à diversidade de experimentações nos planos do existir do Homem (Espírito, Alma e Corpo Físico);
· A integração e o desenvolvimento com as faculdades do ser.
Esta consciência é então, fruto da relação do ser consigo mesmo, com o seu próximo e com o criador. É bem verdade que o influxo cósmico do criador, exerce uma dinâmica “inconsciente”, isto é, a relação de Deus com o Homem, é imanente a natureza humana, enquanto as relações: consigo mesmo e com o próximo, são aprimoradas no próprio viver. Podemos concluir que é mais natural relacionarmo-nos com Deus, do que conosco ou com o próximo, por que somos naturalmente divinos e não naturalmente humanos. A questão é: até identificarmos isto, nos portamos mais como animais do que seres humanos ou deuses.
O estado de humanidade é uma qualidade adquirida pela alma, pelo somatório das suas faculdades físicas, psíquicas, morais e espirituais. Podemos dizer, que a grande maioria dos indivíduos são potencialmente humanos, porque estão munidos das qualidades necessárias para tal, mas não a usam.
Processo Religare nada mais é do que o desenvolvimento das faculdades psíquicas da alma, que o tornem sensível à percepção da sua relação com Deus. Logo, entendemos diante disto, que não nos afastamos de Deus, mas nos relacionamos com ele inconscientemente, sendo que o nosso verdadeiro trabalho é conscientizarmo-nos desta relação, para tornarmo-nos merecedores de suas benesses.
Deste entendimento, podemos inferir que há um desenvolvimento da humanidade do Ser, que lhe remete a um estado “além-do-homem”, parodiando o filósofo alemão. O Processo Religare nos remeteria diretamente a uma transição do Ser, ao vir a Ser, que levaria o ser a uma divinização, ou melhor, a um estado de imutabilização ou iluminação. Entendamos, que imutabilizar-se não significa ser imutável, que é um atributo divino, mas harmonizam-se com a vibração cósmica Dele.
Diante disto, poderemos concluir que este relacionamento não é passivo, mas ativo, acarretando por isto em algumas seqüelas. Estas seqüelas são apercebidas a nível subconsciente e “vazam” para a chamada consciência objetiva. A consciência objetiva é o estado de percepção mental o qual captamos impressões sensoriais e traduzimos em informação (ou experiência). As seqüelas que vazam do subconsciente para a consciência objetiva, são em verdade “somatizadas” (transferidas do estado psíquico para o físico).
Desta relação entre a consciência cósmica e a consciência objetiva, surgem os sonhos e as alucinações, que acarretam em alterações na consciência humana. É bem verdade que existem outros fatores de alteração dos padrões de consciência, mas podemos afirmar que o estado evolutivo da alma é mensurado pela qualidade de seu sono e pela sua capacidade de aperceber-se da realidade.
Enquanto estamos dormindo, a alma se encontra liberta das estruturas físicas que a aprisionam, deixando aflorar o padrão simbólico “subconsciente” ao qual o ser humano está afim. Esotericamente, dizemos que a consciência cósmica (ou inconsciente coletivo) emana um padrão vibratório superior, mas o Ser Humano apenas captará a freqüência vibratória correlata ao seu grau de consciência. Daí, quando a alma está liberta ou estamos adormecidos materialmente, captamos a imagem que realmente nos atormenta ou nos liberta. Concluímos com isto, que os pesadelos ou os belos sonhos são expressões do subconsciente, daquilo que realmente desejamos. A partir do reconhecimento destes desejos do subconsciente, direcionamos o padrão comportamental de nossa existência.
Em contrapartida, quando estamos acordados, as faculdades sensoriais ou objetivas, se tornam o nosso alicerce a percepção das coisas como elas estão. Entendamos que tudo no universo possui movimento, movimento este que expressa o grau evolutivo das coisas como elas estão. Se, estivermos em harmonia, concentrados no objeto que desejamos nos apercebermos, os nossos sentidos o captarão de maneira totalitária. Caso contrário, os nossos sentidos tenderão a fragmentar a informação, que será composta pelo cérebro humano. Estas informações fragmentárias, revelam parcialmente a natureza do objeto como ele é e das coisas como elas são, fazendo o indivíduo ter uma percepção relativa do mundo que o cerca. Queremos dizer com isto que: para se ter um olfato pleno, não basta apenas captar o cheiro exalado por um objeto, mas concentrar-se com todos os sentidos no que ele é. Desta forma, a natureza das coisas se descortinará o Ser Humano, aflorando então a consciência cósmica.
Desta dinâmica entre a consciência cósmica e a consciência objetiva, podemos compreender que acarretam alterações comportamentais. Estas alterações comportamentais desencadeiam as famosas nóias, ou estados comportamentais (a ortonóia - estagnação mental, a paranóia - perturbação mental, a metanóia -iluminação).
Toda existência do Ser Humano é pautada nesta dinâmica, mas podemos nos aperceber com mais intensidade no simbolismo arcaico das religiões.O simbolismo arcaico das religiões é o arcabouço dos símbolos de Religião, adotados pela humanidade como fontes de religiosidade.
Ao estudarmos a gênese descrita nos livros sagrados dos sistemas religiosos, observamos alguns elementos similares, frutos de uma fonte comum. Estes símbolos se tornaram sagrados para a humanidade (ou parte dela). Uma coisa interessante é quando o símbolo deixa de ser estático ou inativo e passa a ser um elemento ativo do sistema religioso, através das ritualísticas e práticas religiosas.
As ritualísticas e as práticas religiosas se tornam referências sociais e marcos que podem atrasar ou impulsionar um grupo social, a grandes mudanças comportamentais. É importante ressaltar, que muitas vezes a apreensão e o entendimento dos princípios envoltos na ritualística e nas práticas religiosas nos são desconhecidos por muitos, tornando a sua prática mecânica e dissociada do seu principal objetivo que é o de despertar uma compreensão superlativa a cerca da vida e da existência do indivíduo. Daí a surgir o fanatismo religioso e no outro extremo o ateísmo e a heresia, que no fundo são a mesma coisa: indivíduos que não compreendem a prática de um ou vários sistemas religiosos.
Pelos motivos acima citados, o sagrado torna-se vultuoso. O sagrado é tudo aquilo que é consagrado à divindade, que possua uma referência ou simbolismo venerável. Um objeto, um rito, uma pessoa, que sejam considerados sagrados e se tornam referência, fruto de admiração e de cobiça, seja no plano do ter, seja no plano do estar ou ainda do equivaler-se. 

fonte: www.ipepe.com.br

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

As grandes religiões do mundo


O cristianismo continua a reunir a maioria dos fiéis de todo o mundo, constituindo cerca de um terço da humanidade. Os restantes 67% dividem-se entre religiões não cristãs, dentre as quais as mais importantes são o islamismo, o budismo e o hinduísmo. Mais de 28% dos cristãos concentram-se na Europa, enquanto outros 24% estão na América Latina. Só o número de Católicos ultrapassa, em 1999, a marca de 1 bilhão de adeptos, ficando em 17,5% da população do planeta, segundo aEnciclopédia Britânica. No decorrer da década de 90, os protestantes aumentam o número de adeptos em 120%. O islamismo avança nos países onde essa religião já é predominante: o crescimento é de 157% nos anos 90. As religiões orientais, como o budismo, o zen-budismo e o hinduísmo, no ocidente, passam, no final do século XX, por um período de crescimento.

(almanaque abril 2001 - religião - página 60)

A Igreja Católica Apostólica Romana

Igreja cristã que tem o Papa como autoridade espiritual.

Até a reforma, no século 16, era a única igreja da cristandade ocidental. A Igreja Católica Romana tem uma hierarquia elaboradamente organizada e centralizadas de bispos e padres (todos celibatários). A autoridade do papa está baseada na doutrina da ‘sucessão petrina’, ou seja, os papas são considerados os herdeiros espirituais do poder conferido a São Pedro por Jesus.

A Igreja Católica Romana é caracterizada pela autoridade suprema do papa, conforme expresso na doutrina da infalibilidade papal, promulgada em 1870; mesmos as decisões normativas, que não são consideradas tecnicamente infalíveis, gozam de grande autoridade. A diferença entre o protestantismo e a Igreja Católica Romana está principalmente na importância que esta confere à tradição, ao lado da bíblia. A importância dos sete sacramentos e a celebração litúrgica desenvolveram-se como parte das tradições da Igreja. A maioria dos fiéis segue o rito romano, mas há cinco outras tradições de rito oriental, que também aceitam a autoridade do papa: a bizantina, a de antióquia, a alexandrina, a caldaica e a armênia, abrangendo várias igrejas distintas.

Outro aspecto da tradição católica é a veneração à Virgem Maria. A Igreja mantém sua oposição ao divórcio, mas vem reconhecendo a necessidade de renovação e reforma; a liturgia, conduzida universalmente em latim, é hoje realizada na língua vernácula falada pelo povo em cada país.

As ordens monásticas mantêm sua importância, mas outros movimentos laicos, como as ‘comunidades eclesiais de base’ latino-americanas, vêm ultimamente ganhando projeção e reconhecimento.

A Igreja participa do movimento ecumênico, enviando observadores ao Conselho Mundial de Igrejas. Mais recentemente, ela vem assumindo papel ativo nos acontecimentos internacionais, mantendo sua oposição a sistemas econômicos, políticos e ideológicos de tendência anti-religiosa e desenvolvendo movimentos que respondam mais diretamente a problemas de pobreza e opressão política, como é o caso da Teologia da Libertação, na América Latina.

Budismo

Uma das grandes religiões mundiais, com cerca de 300 milhões de adeptos (não é possível fazer estimativas muito precisas, uma vez que a adesão ao budismo não exclui a preservação, pela pessoa, de outras crenças religiosas). O budismo inicialmente se desenvolveu a partir do hinduísmo, através dos ensinamentos de Sidarta Gautama ( o Buda) e seus discípulos (sangha), por volta do século 5 a. C., no norte da Índia. Graças a Líderes como Asoka (273-232 a.C.), que se converteu ao budismo e incentivou, assim, sua difusão, a nova religião proporcionou uma estrutura política estável em toda Índia. Gradualmente, o budismo se disseminou através da Ásia Central até a China, Coréia e Japão, enquanto perdia popularidade na Índia, onde o hinduísmo voltou a predominar. Devido à sua diversidade lingüística e amplitude geográfica, os ensinamentos, escrituras e observâncias budistas são complexos e muito variados; algumas doutrinas principais, no entanto, são mais bem guardadas.

O budismo não reconhece nenhum Deus Criador, detentor de todo conhecimento e poder; em vez disso, formula a Lei da Originação Dependente, segundo a qual todos os fenômenos estão ligados entre si numa infindável cadeia de interdependência. O budismo ensina que o sofrimento do mundo é causado pelo desejo, e este, por sua vez, é determinado pela ignorância; mas seguindo o caminho do Buda, e quebrando o elo que o desejo representa nessa cadeia, pode-se alcançar a libertação do ciclo eterno de morte e renascimento (samsara).

Três grandes correntes podem ser apontadas no budismo: A escola Theravada, a mais conservadora. As escrituras theravada, ou Tripitaka, resumem os ensinamentos básicos do Buda: as Quatro Nobres Verdades e a Senda Óctupla. Embora esses ensinamentos sejam comuns a todo o budismo, a perspectiva analítica e monástica do theravada é menos difundida do que os princípios desenvolvidos pela escola maaiana. Esta é atualmente a maior corrente budista.

Xintoísmo

Religião japonesa que data do tempos pré-históricos, cuja base é o culto ao Kami, poderes sagrados associados a elementos ou fenômenos da natureza, como montanhas e rios.

Sua prática é tolerante e flexível, enfatizando a dignidade e pureza de comportamento e os rituais diários, em detrimento das doutrinas, que possuem importância secundária. Não existe nenhuma escritura oficial xintoísta, mas diversos mitos e histórias sobre a criação e os deuses estão reunidos no Kojiki (‘Registro de Coisas Antigas’) e no Nihonji(Crônicas do Japão’) que são compilações do século 8, baseadas na tradição oral. Durante o século 5 d.C., a disseminação do confucionismo incorporou o culto ancestral ao xintoísmo. No século 6, as crenças budistas foram assimiladas à velha religião e alguns Kimi começaram a ser considerados encarnações dos budas. Nas casas os Kami são obrigados em um kamidana, ou ‘estante de deuses’, e o culto individual envolve rituais de purificação e preces diárias a eles.

O xintoísmo é visto como a religião da vida, enquanto o budismo é visto como a religião da morte; os casamentos são portanto celebrados de acordo com a tradição xintoísta, enquanto os ritos funerários são em geral de tradição budista. As peregrinações aos templos e santuários, como aqueles que se encontram em montanhas, são bastante difundidas, especialmente durante as festividades do ano novo, da primavera e do outono. Os cultos dos festivais incluem a recitação de preces, a execução de música cerimonial e a oferenda de alimentos. Práticas diversas caracterizam as chamadas seitas xintoístas, que se constituem de novos movimentos religiosos baseados no xintoísmo tradicional.

Judaísmo

Religião do povo judeu e, mais amplamente, o conjunto da cultura judaica em seus vários aspectos. Quanto ao aspecto estritamente religioso, o elemento central do judaísmo é o monoteísmo, sintetizado na oração que diz: “Ouve, Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é um.” O deus a que se refere as escrituras judaicas (o Antigo Testamento da Bíblia) é tido como o criador do mundo e de tudo que há nele, e estabeleceu uma aliança com o patriarca Abraão, da qual o povo judeu seria o herdeiro e mantenedor.

A religião judaica, ao longo de sua história, também desenvolveu crenças milenaristas na vinda de um salvador ou messias (do hebraico meshiah, ‘ungido’), que inauguraria um novo tempo de paz e justiça, e reuniria novamente na terra de Israel (simbolizada por Sion, em Jerusalém) o povo judeu, disperso pelo mundo. A prática religiosa judaica está baseada na observância dos preceitos da Torá, que cobrem todos os aspectos da vida espiritual, moral e religiosa, e estão sintetizados nos Dez Mandamentos, transmitidos por Deus diretamente ao líder Moisés, segundo o relato bíblico. A tradição rabínica de compilação, estudo e interpretação da tradição oral que se desenvolveu em torno do cânone do Antigo Testamento remonta aos últimos séculos antes da era cristã.

As obras centrais dessa tradição, a Mishná e o Talmund, são a codificação do legado de muitas gerações de comentadores e estudiosos, e contém escritos de natureza ética, jurídica, ritual, doutrinária, científica, pedagógica e histórica. O culto judaico está centrado nos serviços realizados nas sinagogas das comunidades e congregações, das quais a autoridade religiosa é o rabino. Mas muitos dos elementos específicos importantes da observância religiosa estão centrados na vida doméstica, como o descanso semanal do shabath e os preceitos relativo à dieta alimentar.

Hinduísmo

Com uma tradição milenar, o Hinduísmo é uma das mais antigas religiões de todas as religiões. Os hindus mantém muitas crenças distintas, mas todas são baseadas na idéia de que nossa vida na terra é parte de um ciclo eterno de nascimentos, mortes e renascimentos. Toda pessoa renasce - ou reencarna - cada vez que morre. Contudo, se levar uma vida voltada para o bem, uma pessoa pode por fim conseguir libertar-se desse ciclo.

Hoje há mais de 745 milhões de hindus no mundo, a maioria dos quais vive no subcontinente indiano - número que ainda está aumentando, principalmente devido ao constante crescimento da população da Índia. Muitos hindus são vegetarianos, por causa de sua crença na reencarnação e da convicção de que todos os seres vivos são parte do mesmo espírito. Eles acreditam que animais e seres humanos devem ser tratados com igual respeito e reverência. Levar uma vida pacífica, estudar os textos antigos do hinduísmo, rezar e meditar são os meios utilizados pelos hindus para atingir seu objetivo, que é finalmente poder se identificar com Brahman ou Deus.

Há centenas de deuses e deusas hindus, porém dois deuses - Vishnu, o Protetor, e Shiva, o Destruidor - destacam-se como os mais populares, e há muitos templos dedicados só a eles. Além disso, muitos hindus têm um santuário em sua casa, onde podem executar atos diários de culto ao deus de sua escolha. Esses rituais de orações em casa, junto com um rico e variado calendário de festivais, formam o núcleo do culto para muitos hindus.

Igrejas Cristãs Protestantes

Luterana, Igreja

Igreja muito difundida na Alemanha, Escandinávia e EUA. Também presente no Canadá e Austrália. A doutrina luterana tradicional está diretamente ligada aos ensinamentos e à obra de Martinho Lutero, para quem a fé em Jesus Cristo é necessária para a salvação. Muitas Igrejas Luteranas tem estatuto de Igreja Oficial, com o chefe de Estado sendo também o chefe hierárquico da Igreja do pais. De modo geral, os serviços religiosos luteranos se caracterizam pela importância do sermão perante a congregação e pela pouca ênfase (se comparados aos cultos católicos romanos e oriental ortodoxo) na celebração da Eucaristia.

Mormons

Membros de uma seita cristã fundada nos EUA, em 1830, por Joseph Smith. Segundo a tradição, Smith teria encontrado e traduzido milagrosamente um registro inspirado por Deus da história e da religião dos primórdios da América, o Livro dos Mórmons, que juntamente com escritos do próprio Smith e com a Bíblia forma as escrituras mórmons. Os seguidores sofreram perseguições ao tentarem se estabelecer nos Estados norte-americanos de Ohio e Missouri, e Smith foi assassinado em 1844. Em 1850, o congresso garantiu aos mórmons o estado de Utah, com Brigham Young, sucessor de Smith, como governador. Hostilidades crescentes contra a florescente comunidade agrícola mórmon e contra seu preceito de poligamia culminaram com a ‘Guerra de Utah’ (1857-8). Em 1890, a poligamia foi abolida, e o Estado de Utah foi admitido na União em 1896. Possuem um presidente e conselheiros; reúnem atualmente perto de 3 milhões de adeptos.

Batistas

As Igrejas Batistas emergiram na Europa no século 17. Com ênfase no trabalho missionário, elas se espalharam pelo mundo todo, especialmente nos EUA. Só são batizados crentes adultos que façam uma confissão de fé pessoal. Os batistas enfatizam a independência em relação a Igreja local, e seu culto gira em torno das Escrituras e da pregação.

Presbiterianos

O movimento da reforma na Escócia deu origem a esta Igreja. Ela se distingue pela organização em forma de conselhos que incluem sacerdotes ordenados e leigos chamados “presbíteros”. Há numerosas Igrejas Presbiterianas no mundo. Muitas pertencem a um corpo unificado, a Aliança Mundial das Igrejas Reformadas.

Testemunha-de-Jeová

Desde o final do século 19, sustentam a crença milenarista de que Cristo retornará à terra para salvar os escolhidos. Os adeptos dessa fé baseiam-se numa interpretação literal da Bíblia. Recusam-se a fazer qualquer coisa - de juramentos a transfusões de sangue - que acreditem ser contra a lei de Deus.

Espiritismo

O espiritismo (ou Kardecismo), mais que religião, é para seus adeptos um sistema complexo que abrange também filosofia e ciência. Inspirado nas idéias do escritor Léon Hippolyte Denizard Rivail (1804-1869), que adotou o pseudônimo de Allan Kardec em obras como o Livro dos Espíritos (1857), difundiu-se rapidamente na Europa e nos países da América, em especial o Brasil. Trata-se de uma doutrina sincrética que combina uma adaptação de base hinduísta-budista (crença no carma e no processo de evolução espiritual por reencarnações sucessivas) com a ética da caridade cristã. Para os espíritas, a comunicação com os mortos é possível por intermédio de pessoas dotadas, os médiuns.

Menonitas

Os menonitas, seita fundada pelo reformador holandês Menno Simonsz no século 16, têm hoje 1 milhão de seguidores, que vivem principalmente nos EUA. Sua fé é baseada no novo testamento. São pacifistas e recusam-se prestar serviço militar. As comunidades amish dos EUA derivam da mesma tradição dos menonitas.

Adventistas

Termo com que se designam vários grupos protestantes, originários dos Adventistas Evangélicos - grupo fundado nos EUA, em 1831, que acredita numa iminente volta de Cristo. Contam atualmente cerca de 1 milhão de membros ativos, entre os quais se destacam dois grupos principais: os cristãos do segundo Advento, e os Adventistas do Sétimo Dia, que guardam estritamente o sábado (tradicionalmente observado como dia de abstinência do trabalho e lazer) e praticam o batismo adulto e a abstinência do álcool.

Quacres (Quakers)

A Sociedade dos Amigos, ou quacres, foi fundada por George Fox na Inglaterra do século 17. A cidade de Oxford, na Inglaterra, preserva um pacífico e místico local de reflexão fraterna. Ela não tem padres ou sacramentos - considera que Cristo está presente sempre que os amigos se reúnem. Os quacres tiveram atuação humanitária notável, lutando pela paz, pelo voto das mulheres e pela reforma da lei penal.

Religiões Afro-brasileiras

As religiões afro-brasileiras provém de diferentes tradições, que se refletem em seus distintos nomes: candomblé, xangô, tambor-de-mina, pajelança, batuque, macumba, alguns desses nomes são usados para variações regionais mais ou menos modificadas dos mesmos ritos: pajelança na Amazônia, xangô em Pernambuco, Batuque no Rio Grande do Sul, por exemplo.

Com a fixação urbana, essas correntes se fundiram em cultos organizados. A característica central em todas elas é o politeísmo explícito. Além disso, essas religiões não impõem normas de comportamento, que tem função basicamente ritual. Essenciais nesses cultos são a inovação das potências divinas e os sacrifícios aos orixás.

Orixás

A caracterização dos orixás se baseia numa rica série de narrativas míticas. Cada um deles tem sua própria história, suas cores, as situações associadas a ele e o grito que serve para invocá-lo. Todo seguidor das religiões afro-brasileiras tem o seu orixá, pertence a ele ou procura imitar seus traços. É possível descobrir o orixá de uma pessoa através do jogo de búzios, praticado por um babalorixá (pai-de-santo) ou uma ialorixá (mãe--de-santo) em sessão individual. Identificar-se com o modelo divino ajuda a pessoa a explicar e legitimar sua personalidade. Ao mesmo tempo, o orixá protege o fiel, que deve procurar contato com ele nos locais de culto, ou terreiros.

Outros Orixás

Ossanha, ou Ossãe, representa a vegetação e é o deus das folhas. Oxumaré é o orixá do arco-íris e das interpéries. Xangô é muito temido: é o deus do trovão e da justiça. Iansã é a deusa do relâmpago, dona dos espíritos dos mortos. Obá é a orixá da água, deusa do trabalho doméstico. Oxum representa as águas doces, o ouro, o amor e a fertilidade. Iemanjá, muito celebrada na cultura popular da Bahia, é a orixá das grandes águas, dos mares e oceanos, e deusa da maternidade. Oxalá, ou Obatalá, é o deus da procriação; por sincretismo, é identificado com Jesus. Além dessas, várias outras divindades constituem o panteão afro-brasileiro.

Umbanda

Considerada uma religião original do Brasil, a umbanda surgiu no Rio de Janeiro na década de 1920. Nela se potencializa a tendência para o sincretismo: além das raízes africanas e das influências católicas, ela incorpora a crença na reencarnação trazida pelo espiritismo , que por sua vez se inspirou no budismo e no hinduísmo. Rapidamente a umbanda se expandiu nos centros urbanos do Brasil, atingindo as classes média e alta.

Na umbanda, a matriz africana do candomblé se junta às práticas espíritas. Durante as sessões do culto nos terreiros, os espíritos (guias) “baixam”ou se incorporam nos médiuns, também chamados “cavalos”. Estes espíritos se organizam em “linhas” conforme seus atributos: espíritos de índios, de escravos, de ciganos, de crianças, etc. Uma vez incorporado pelo espírito, o médium pode curar doentes ou responder às consultas dos aflitos, o que faz da umbanda uma religião de amor fraterno. Ocorre sincretismo da umbanda também com formas de candomblé, como a pajelança.

Quimbanda

Como se poderia esperar de uma religião mágica e fetichista, a umbanda também tem seu lado oculto, chamado quimbanda - encarada como uma forma de feitiçaria. Seus rituais invocam espíritos das trevas conhecidos como exus e pombas-giras. Por isso é às vezes chamada de “magia negra”, em oposição à magia branca da umbanda. é marcante a semelhança com o vodu, culto dos negros antilhanos de origem animista que se vale de elementos do ritual católico. Quimbanda também é um processo ritual da macumba, e dá nome ao local onde ela é praticada.

Macumba

É também uma forma de culto sincrético, que incorpora elementos católicos, espíritas, do candomblé e das religiões indígenas. Como outros ritos afro-brasileiros, a macumba se caracteriza pelo uso de cantos rituais, acompanhados de uma forte percussão. Seus praticantes também podem fazer despachos.

Despacho - O despacho, macumba ou muamba é uma das práticas mais comuns da quimbanda e da macumba. É a concretização de um sortilégio. Compreende o ebó (dar cumprimento a uma promessa) e o feitiço propriamente dito, que serve para causar mal a alguma pessoa. Por exemplo, um despacho de olhos e dentes de carneiro leva a uma morte ou punição sem que a vítima possa se queixar a alguém. Outra função do despacho é a “troca de cabeça”, isto é, transmitir os males de uma pessoa a outra.

Santo-Daime

Culto surgido na década de 1930 no Acre, o santo-daime também tem um rico ritual, caracterizado pela ingestão da ayahuasca, cânticos e bailados. A ayahuasca, preparada milenarmente pelos índios do Peru, é uma bebida alucinógena, feita com a decocção de um cipó e uma folhagem da região. Seu uso ritualístico pelos indígenas, com o fim de provocar visões, foi adaptado à nova religião, que utiliza a bebida (também chamada de santo-daime) com objetivos socioterapêuticos. A religião, que aproveita elementos do catolicismo, foi recebida da Virgem da Conceição, segundo os iniciados.

Candomblé

Das religiões afro-brasileiras, o candomblé é que mais tenta preservar as origens africanas em sua integridade. Assim procura evitar o sincretismo com os santos católicos, embora em algumas regiões tenha desenvolvido novas formas, como a veneração dos caboclos e dos pretos-velhos. Como os outros cultos afins, o candomblé é rico musicalmente, e a dança tem papel muito importante em seus rituais.

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FONTE:

1- O livro ilustrado das religiões. PUBLICFOLHA.

2- Enciclopédia das Enciclopédias - Volume 1 - Folha de São Paulo.