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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A fábula da águia e da galinha



Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.

"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. 

Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha. 

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.

Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: 

- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia. 

- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras. 

- Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. 

- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. 

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: 

- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! 

A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. 

 O camponês comentou: 

- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! 

- Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. 

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. 

Sussurrou-lhe: 

- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe! 

Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas. 

O camponês sorriu e voltou a carga: 

- Eu havia lhe dito, ela virou galinha! 

- Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. 

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a  águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e 
dourava os picos das montanhas. 

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: 

- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! 

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte. 

Foi quando ela abriu suas potentes asas. 

Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto. 

Voou. E nunca mais retornou."  


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Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.”   




Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor de ética da UERJ

sábado, 1 de dezembro de 2012

Os doze pratos


Os doze pratos
Um príncipe chinês orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de rara quão antiga procedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa.Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz, deixou que se quebrasse uma das peças. Tomando conhecimento do desastre e possuído pela fúria, o príncipe condenou à morte o dedicado servidor, que fora vítima de uma circunstância fortuita.A notícia tomou conta do Império, e, às vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu a devolver a ordem à coleção, se o servo fosse perdoado.Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião. Este solicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel.Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as porcelanas preciosas, atirando-as bruscamente sobre o piso de mármore e arrebentando-as todas.Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse:- Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi. Agora podeis mandar matar-me. Desde que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando-se que sou idoso e já vivi além do que deveria,sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro, quando cada uma dessas peças for quebrada. Assim,com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objetos nada valem.Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o velho e o servo, compreendendo que nada há mais precioso do que a vida em si mesma.

Fábula oriental

O rabino


Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito. Seu objetivo era visitar um famoso rabino. Lá chegando, o turista ficou surpreso ao ver que o rabino morava num quarto simples, cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.- Onde estão os seus móveis - perguntou o turista.E o rabino, bem depressa, perguntou também:- E onde estão os seus?- Os meus? - perguntou o turista. Mas eu estou aqui só de passagem!- Eu também! Disse o rabino.A vida na Terra é somente uma passagem. No entanto, vivemos como se fôssemos ficar aqui eternamente !!!

Fábula oriental

Medo do desconhecido


Contam as lendas que um dia um espião foi preso e condenado à morte pelo general do exército árabe.Sua sentença era o fuzilamento, mas o general tinha um hábito diferente e sempre oferecia ao condenado outra opção. E essa outra opção era escolher entre enfrentar o pelotão de fuzilamento ou entrar por uma porta preta.Com a aproximação da hora da execução o general ordenou que trouxessem o espião à sua presença para uma breve entrevista.Diante do condenado, fez a seguinte pergunta:- O que você quer - a porta preta ou o fuzilamento?A escolha não era fácil, por isso o prisioneiro ficou pensativo e, só depois de alguns minutos, deu a resposta:- Prefiro o fuzilamento.Depois que a sentença foi executada o general virou-se para o seu ajudante e disse:- “Assim é com a maioria dos homens. Preferem o caminho conhecido ao desconhecido”.- E o que existe atrás da porta preta? Perguntou o ajudante.- A liberdade, respondeu o general. E poucos foram os homens corajosos que a escolheram.Essa é uma das mais fortes características do ser humano: optar sempre pelo caminho conhecido, por medo de enfrentar o desconhecido.Geralmente as pessoas não abrem mão da acomodação que uma situação previsível lhes oferece. É mais fácil ficar com a segurança do que já se sabe do que aventurar-se a investigar novos caminhos.Pense nisso! Nem sempre o caminho já batido por muitos é o caminho que nos conduzirá à liberdade. Nem sempre nadar a favor da correnteza é indício de chegada a um porto seguro.Às vezes, é preciso abrir trilhas ainda desconhecidas da maioria, mesmo que tenhamos que seguir só. Por vezes, é preciso nadar contra a corrente, optar pela porta estreita, para que se possa vislumbrar um mundo livre, feliz, sem constrangimentos que tolhem a liberdade e infelicitam os seres.


Fábula oriental

Muitas pessoas preferem a condição de colono do que a de pioneiro, pois caminhar por onde outros já caminharam é muito mais fácil e cômodo. Subverter essa situação é a garantia de se tornar alguém mais empreendedor, mais ousado e menos dependente de outros.

Mauro Feijó

Dois monges


Dois monges em peregrinação iam passando por um rio. Lá avistaram uma menina vestida com toda a elegância, obviamente sem saber o que fazer, já que o rio estava alto e ela não queria estragar suas roupas.Sem mais cerimônias, um dos monges levou-a nas costas, atravessou-a e depositou-a em solo seco do outro lado. Então os monges continuaram seu caminho. Porém o outro monge, depois de uma hora, começou a reclamar: —"Com certeza não é certo tocar uma mulher; é contra os mandamentos ter contato íntimo com mulheres. Como você pode ir contra a lei dos monges?O monge que carregara a menina seguia em frente em silêncio, mas finalmente observou: — "Eu a deixei no rio há uma hora.Por que você ainda a está carregando?"

Fábula oriental

Escrevendo na areia


Dois grandes mercadores árabes, de nomes Amir e Farid, eram muito amigos e sempre que faziam suas viagens para um mercado onde vendiam suas mercadorias, iam juntos, cada qual com sua caravana, seus escravos e empregados. Numa dessas viagens, ao passarem às margens de um rio caudaloso, Farid resolveu banhar-se, pois fazia muito calor. Em dado momento, distraindo-se, foi arrastado pela correnteza. Amir, vendo que seu grande amigo corria risco de vida, atirou-se às águas e, com inaudito esforço, conseguiu salvá-lo.Após esse episódio, Farid chamou um de seus escravos e mandou que ele gravasse numa rocha ali existente, a seguinte frase:"Aqui, com risco de sua própria vida, Amir salvou seu amigo Farid". Ao retornarem, passaram pelo mesmo lugar, onde pararam para rápido repouso.Enquanto conversavam, tiveram uma pequena discussão e Amir, alterando-se, esbofeteou Farid. Este,aproximou-se das margens do rio e, com uma varinha, assim escreveu na areia:"Aqui, por motivos fúteis, Amir esbofeteou seu amigo Farid". O escravo que fora encarregado de escrever na pedra o agradecimento de Farid, perguntou-lhe:- Meu senhor, quando fostes salvo, mandaste gravar aquele feito numa pedra e agora escreveis na areia o agravo recebido. Por que assim o fazeis?Farid respondeu-lhe:- Os atos de bondade, de amor e abnegação devem ser gravados na rocha para que todos aqueles que tiverem oportunidade de tomar conhecimento deles, procurem imitá-los. Ao contrário, porém, quando recebemos uma ofensa, devemos escrevê-la na areia para que desapareça, levada pela maré ou pelos ventos, afim de que ninguém tome conhecimento dela e, acima de tudo, para que qualquer mágoa desapareça prontamente no nosso coração...


Fábula oriental