A realidade mundial é complexa. É impossível fazer um balanço unitário. Tentarei fazer um atinente à macro realidade e outro à micro. Se considerarmos a forma como os donos do poder estão enfrentando a crise sistêmica de nosso tipo de civilização, organizada na exploração ilimitada da natureza, na acumulação também ilimitada e na consequente criação de uma dupla injustiça: a social com as perversas desigualdades em nível mundial e a ecológica com a desestruturação da rede da vida que garante a nossa subsistência e se, ainda tomarmos como ponto de aferição, a COP 18 realizada neste final de ano em Doha no Qatar sobre o aquecimento global, podemos, sem exagero dizer: estamos indo de mal a pior. A seguir este caminho encontraremos lá na frente, e não demorará muito, um "abismo ecológico”.
Até agora não se tomaram as medidas necessárias para mudar o curso das coisas. A economia especulativa continua a florescer, os mercados cada vez mais competitivos –o que equivale dizer – cada vez menos regulados e o alarme ecológico corporificado no aquecimento global posto praticamente de lado. Em Doha só faltou dar a extrema-unção ao Tratado de Kyoto. E por ironia se diz na primeira página do documento final que nada resolveu, pois protelou tudo para 2015: "a mudança climática representa uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta e esse problema precisa ser urgentemente enfrentado por todos os países”. E não está sendo enfrentado. Como nos tempos de Noé, continuamos a comer, a beber e a arrumar as mesas do Titanic afundando, ouvindo ainda música. A Casa está pegando fogo e mentimos aos outros que não é nada.
Vejo duas razões para esta conclusão realista que parece pessimista. Diria com José Saramago: ”não sou pessimista; a realidade é que é péssima; eu sou é realista”. A primeira razão tem a ver com a premissa falsa que sustenta e alimenta a crise: o objetivo é o crescimento material ilimitado (aumento do PIB), realizado na base de energia fóssil e com o fluxo totalmente liberado dos capitais, especialmente especulativos.
Essa premissa está presente em todos os planejamentos dos países, inclusive no brasileiro. A falsidade desta premissa reside na desconsideração completa dos limites do sistema-Terra. Um planeta limitado não aquenta um projeto ilimitado. Ele não possui sustentabilidade. Aliás, evita-se a palavra sustentabilidade que vem das ciências da vida; ela é não linear, se organiza em redes de interdependências de todos com todos que mantem funcionando os fatores que garantem a perpetuação da vida e de nossa civilização. Prefere-se falar em desenvolvimento sustentável, sem se dar conta de que se trata de um conceito contraditório porque é linear, sempre crescente, supondo a dominação da natureza e a quebra do equilíbrio ecossistêmico. Nunca se chega a nenhum acordo sobre o clima porque os poderosos conglomerados do petróleo influenciam politicamente os governos e boicotam qualquer medida que lhes diminua os lucros e não apoiam por isso as energias alternativas. Só buscam o crescimento anual do PIB.
Este modelo está sendo refutado pelos fatos: não funciona mais nem nos países centrais, como o mostra a crise atual, nem nos periféricos. Ou se busca um outro tipo de crescimento que é essencial para o sistema-vida, mas que por nós deve ser feito respeitando a capacidade da Terra e os ritmos da natureza, ou então encontraremos o inominável.
A segunda razão é mais de ordem filosófica e pela qual me tenho batido há mais de trinta anos. Ela implica consequências paradigmáticas: o resgate da inteligência cordial ou emocional para equilibrar o poderio destruidor da razão instrumental, sequestrada já a séculos pelo processo produtivo acumulador. Como nos diz o filósofo francês Patrick Viveret "a razão instrumental sem a inteligência emocional pode perfeitamente nos levar a pior das barbáries” (Por uma sobriedade feliz, Quarteto 2012, 41); haja vista o redesenho da humanidade, projetado por Himmler e que culminou com a shoah, a liquidação dos ciganos e dos deficientes.
Se não incorporarmos a inteligência emocional à razão instrumental-analítica, nunca vamos sentir os gritos dos famintos, o gemido da Mãe Terra, a dor das florestas abatidas e a devastação atual da biodiversidade, na ordem de quase cem mil espécies por ano (E. Wilson). Junto com a sustentabilidade deve vir o cuidado, o respeito e o amor por tudo o que existe e vive. Sem essa revolução da mente e do coração iremos, sim, de mal a pior.
Adital - Leonardo Boff
Este blog tem como objetivo provocar o cérebro, tanto para elucubrar quanto para relaxar. Traz textos e frases reflexivas, imagens e curiosidades diversas. É destinado a todos que buscam ler a realidade não só pelas palavras, mas de todas as formas como ela se oferece. Veja que os assuntos se misturam, pode ser chato, mas é assim mesmo que pensamos a realidade, não nos detemos a um assunto somente, pois uma coisa puxa a outra. Também oferece subsídios para aulas de filosofia no ensino básico.
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domingo, 30 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Natal: um mito cristão verdadeiro
Há poucas semanas, com pompa e circunstância, o atual Papa mostrou-se novamente teólogo ao lançar um livro sobre a Infância de Jesus. Apresentou a versão clássica e tradicional que vê naqueles relatos idílicos uma narrativa histórica. O livro deixou os teólogos perplexos, pois a exegese bíblica sobre estes textos, já há pelos menos 50 anos, mostrou que não se trata de um relato histórico, mas de alta e refinada teologia elaborada pelos evangelistas Mateus e Lucas (Marcos e João nada falam da infância de Jesus) para provar que Jesus era de fato o Messias, o filho de Davi e o Filho de Deus. Para esse fim, recorrem a gêneros literários que se apresentam como histórias mas que de fato são recursos literários, como, por exemplo, os magos do Oriente (representando os pagãos), os pastores (os mais pobres e considerados pecadores por estarem às voltas com animais), a Estrela e o anjos (mostrando o caráter divino de Jesus), Belém que não seria uma referência geográfica mas um significado teológico, lugar de onde viria o Messias, diferente de Nazaré, totalmente desconhecida, onde Jesus provavelmente teria nascido de fato. E assim outros tópicos como detalhadamente analiso em meu Jesus Cristo Libertador(capitulo VIII).
Podemos dizer que face aos relatos tão comovedores do Natal estamos diante de um grandioso mito, entendido positivamente como os antropólogos o fazem: o mito como a transmissão de uma verdade tão profunda que somente a linguagem mítica, figurada e simbólica é adequada para expressá-la. É o que o mito faz. O mito é verdadeiro quando o sentido que quer transmitir é verdadeiro e ilumina toda a comunidade. Assim o Natal é um mito cristão cheio de verdade.
Nós hoje usamos outros mitos para mostrar a relevância de Jesus. Para mim é de grande significação um mito antigo, que a Igreja aproveitou na liturgia do Natal para revelar a comoção cósmica face ao nascimento de Cristo. Ai se diz: ”Quando a noite estava no meio de seu curso e fazia-se profundo silêncio: então as folhas que farfalhavam pararam como mortas; então o vento que sussurrava, ficou parado no ar; então o galo que cantava parou no meio de seu canto; então as águas do riacho que corriam, se paralisaram; então as ovelhas que pastavam, ficaram imóveis; então o pastor que erguia o cajado para golpeá-las, ficou petrificado; então nesse momento tudo parou, tudo silenciou, tudo se suspendeu porque nasceu Jesus, o salvador da humanidade e do universo”.
O Natal nos quer comunicar que Deus não é aquela figura severa e de olhos penetrantes para perscrutar nossas vidas. Não. Ele surge como uma criança. Ela não julga; só quer receber carinho e brincar.
Eis que do presépio me veio uma voz que me sussurrou: ”Oh, criatura humana, por que tens medo de Deus? Não vês que sua mãe enfaixou seu corpinho frágil? Não percebes que ela não ameaça ninguém? Nem condena ninguém? Não escuta o seu chorinho doce? Mais que ajudar, ela precisa ser ajudada e coberta de carinho; não sabes que ele é o Deus-conosco-como nós?” E ai já não pensamos mais mas damos lugar ao coração que sente, se compadece e ama. Poderíamos fazer outra coisa diante de uma Criança, sabendo que é o Deus humanado?
Talvez ninguém escreveu melhor sobre o Natal que o poeta português Fernando Pessoa: ”Ele é a eterna criança, o Deus que faltava. Ele é o divino que sorri e que brinca. É a criança tão humana que é divina”.
Mais tarde transformaram o Menino Jesus no São Nicolau, no Santa Claus e, por fim, no Papai Noel. Pouco importa, porque no fundo, o espírito da bondade, da proximidade e do Presente divino está lá. Acertado foi o editorialista Francis Church do jornal The New York Sun de 1897 respondendo a uma menina de 8 anos, Virgínia, que lhe escreveu: "Prezado Editor: me diga de verdade, o Papai Noel existe?” E ele sabiamente respondeu:
"Sim, Virgínia, Papai Noel existe. Isto é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção. E você sabe que tudo isto existe de verdade, trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Como seria triste o mundo se não houvesse o Papai Noel! Seria tão triste quanto não existir Virgínias como você. Não haveria fé das crianças, nem a poesia e a fantasia que tornam nossa existência leve e bonita. Mas para isso temos que aprender a ver com os olhos do coração e do amor. Então percebemos que não há nenhum sinal de que o Papai Noel não exista. Se existe o Papai Noel? Graças a Deus ele vive e viverá sempre que houver crianças grandes e pequenas que aprenderam a ver com os olhos do coração”.
Nesta festa, tentemos a olhar com os olhos do coração; pois, todos fomos educados a olhar com os olhos da razão. Por isso somos frios. Hoje vamos resgatar os direitos do coração: deixar-nos comover com nossas crianças, permitir que sonhem e nos encher de estremecimento diante da Divina Criança que sentiu prazer e alegria ao decidir ser um de nós.
Adital - Leonardo Boff
Podemos dizer que face aos relatos tão comovedores do Natal estamos diante de um grandioso mito, entendido positivamente como os antropólogos o fazem: o mito como a transmissão de uma verdade tão profunda que somente a linguagem mítica, figurada e simbólica é adequada para expressá-la. É o que o mito faz. O mito é verdadeiro quando o sentido que quer transmitir é verdadeiro e ilumina toda a comunidade. Assim o Natal é um mito cristão cheio de verdade.
Nós hoje usamos outros mitos para mostrar a relevância de Jesus. Para mim é de grande significação um mito antigo, que a Igreja aproveitou na liturgia do Natal para revelar a comoção cósmica face ao nascimento de Cristo. Ai se diz: ”Quando a noite estava no meio de seu curso e fazia-se profundo silêncio: então as folhas que farfalhavam pararam como mortas; então o vento que sussurrava, ficou parado no ar; então o galo que cantava parou no meio de seu canto; então as águas do riacho que corriam, se paralisaram; então as ovelhas que pastavam, ficaram imóveis; então o pastor que erguia o cajado para golpeá-las, ficou petrificado; então nesse momento tudo parou, tudo silenciou, tudo se suspendeu porque nasceu Jesus, o salvador da humanidade e do universo”.
O Natal nos quer comunicar que Deus não é aquela figura severa e de olhos penetrantes para perscrutar nossas vidas. Não. Ele surge como uma criança. Ela não julga; só quer receber carinho e brincar.
Eis que do presépio me veio uma voz que me sussurrou: ”Oh, criatura humana, por que tens medo de Deus? Não vês que sua mãe enfaixou seu corpinho frágil? Não percebes que ela não ameaça ninguém? Nem condena ninguém? Não escuta o seu chorinho doce? Mais que ajudar, ela precisa ser ajudada e coberta de carinho; não sabes que ele é o Deus-conosco-como nós?” E ai já não pensamos mais mas damos lugar ao coração que sente, se compadece e ama. Poderíamos fazer outra coisa diante de uma Criança, sabendo que é o Deus humanado?
Talvez ninguém escreveu melhor sobre o Natal que o poeta português Fernando Pessoa: ”Ele é a eterna criança, o Deus que faltava. Ele é o divino que sorri e que brinca. É a criança tão humana que é divina”.
Mais tarde transformaram o Menino Jesus no São Nicolau, no Santa Claus e, por fim, no Papai Noel. Pouco importa, porque no fundo, o espírito da bondade, da proximidade e do Presente divino está lá. Acertado foi o editorialista Francis Church do jornal The New York Sun de 1897 respondendo a uma menina de 8 anos, Virgínia, que lhe escreveu: "Prezado Editor: me diga de verdade, o Papai Noel existe?” E ele sabiamente respondeu:
"Sim, Virgínia, Papai Noel existe. Isto é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção. E você sabe que tudo isto existe de verdade, trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Como seria triste o mundo se não houvesse o Papai Noel! Seria tão triste quanto não existir Virgínias como você. Não haveria fé das crianças, nem a poesia e a fantasia que tornam nossa existência leve e bonita. Mas para isso temos que aprender a ver com os olhos do coração e do amor. Então percebemos que não há nenhum sinal de que o Papai Noel não exista. Se existe o Papai Noel? Graças a Deus ele vive e viverá sempre que houver crianças grandes e pequenas que aprenderam a ver com os olhos do coração”.
Nesta festa, tentemos a olhar com os olhos do coração; pois, todos fomos educados a olhar com os olhos da razão. Por isso somos frios. Hoje vamos resgatar os direitos do coração: deixar-nos comover com nossas crianças, permitir que sonhem e nos encher de estremecimento diante da Divina Criança que sentiu prazer e alegria ao decidir ser um de nós.
Adital - Leonardo Boff
sábado, 1 de dezembro de 2012
Experiência latino-americana apoiará o protagonismo africano: Foro Social Mundial das Migrações Johanesburgo, 2014
Paulo Illes e Patricia Gainza
Articulação Sul-americana Espaço Sem Fronteiras – ESF
Manila, 29 de novembro de 2012.
É a primeira vez que o Foro Social Mundial de Migrações acontece no continente asiático. Atualmente existem mais de 7,4 milhões de filipinos vivendo em 170 países ao redor do mundo. Filipinas, sem dúvida é um dos maiores provedores de mão de obra, de homens e mulheres, para setores diversificados. No Brasil e na América do Sul eles estão, sobretudo nas embarcações, serviços mar adentro.
O país, que já foi denominado "Islas de Oro”, durante a colonização espanhola, tem dado uma contribuição importante para a reflexão sobre os direitos humanos de trabalhadores e trabalhadoras imigrantes ao redor do Globo.
Foram os imigrantes filipinos, na Itália, os primeiros a se organizar contra a exploração num dia 18 de dezembro, data escolhida, posteriormente, pelas Nações Unidas para celebrar o Dia Mundial dos Imigrantes.
Olhares do Sul: Novo Paradigma Para as Migrações?
O Foro Social Mundial de Migrações apresentou denuncias e construiu um posicionamento político no âmbito da assembleia de movimentos sociais, definiu uma agenda global de luta, condenou o modelo de desenvolvimento, apontou alternativa, denunciou as constantes violações aos direitos humanos, mais também apontou, no contexto atual, um reconhecimento aos esforços de países do sul do continente americano, como Argentina e Uruguai que adotaram normativas de migração, nas quais reconhecem o papel do imigrante como sujeito de direitos.
Também o Brasil foi mencionado, pois apesar de ainda possuir uma legislação focada na segurança nacional, tem adotado políticas de integração dos imigrantes e de não criminalização por sua condição migratória. Realidades que chamam atenção diante de um contexto de perda de direitos, inclusive para imigrantes permanentes no continente europeu, xenofobia, discriminação, prisões e deportações em massa.
Estaríamos diante de um novo paradigma? Será esta visão que se tem desde outras partes do globo correta e até que ponto? São questões que tentamos responder num workshop realizado sobre Migração e Modelos Alternativos, juntamente com organizações de África, Europa, Ásia e América Latina.
A reflexão apontou como marco o Tratado da Unasul (União das Nações Sul-americanas), que a diferença de acordos anteriores parte de uma visão política da região, entendendo a integração social, a livre circulação e a cooperação como fundamental para o desenvolvimento e diminuição das assimetrias. Ao mesmo tempo não se sobrepõe aos avanços em direitos humanos, integração social e cidadania, conquistados no marco da Comunidade Andina de Nações (CAN) e do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
No continental existe de fato uma efetivação dos direitos básicos, nas mesmas condições da cidadania de origem. No entanto, cabe chamar atenção sobre as novas estratégias rumo a uma politica migratória que aproveita o novo contexto internacional, onde as antigas políticas seletivas e de "branqueamento” se apresentam dissimuladas nas novas propostas de políticas de imigração qualificada. Nesse sentido o Foro chamou atenção para que a sociedade civil esteja alerta, organizada e mobilizada para não permitir qualquer retrocesso.
No marco da construção global do movimento, o Foro após ter passado por América Latina, Europa, Ásia, estará por primeira vez em 2014, no continente africano. A insipiente sociedade civil africana, especialmente a sul-africana terão a oportunidade de continuar este processo construindo um perfil próprio durante os próximos dois anos.
O atual contexto da imigração intra e extracontinental faz necessário um protagonismo da parte dos movimentos sociais de imigrantes africanos na busca de novas oportunidades e horizontes, dado o atropelo aos direitos humanos que sofrem a população africana em mobilidade.
Nesse sentido, além de construir um processo novo é um excelente momento para convergir com a longa experiência de resistência e construção dos movimentos sociais na América Latina e suas conquistas.
Emerge, no entanto, a necessidade de uma agenda propositiva que integre não somente as redes que já vem atuando no contexto do Foro Social Mundial de Migrações, mais também de uma abertura para a inserção de novos atores.
Nesse sentido a Declaração de Manila ao colocar ênfase na capacidade de incidência aponta caminhos para um posicionamento político da sociedade civil, tanto no âmbito global, como regional e local.
A Declaração estará disponível no site http://spanish.wsfm2012.org/ a partir de 30 de novembro, nas versões inglesa, espanhola e francesa.
O preconceito cultural e religioso é inadmissível
José Lisboa Moreira de Oliveira
Filósofo. Doutor em teologia. Ex-assessor do Setor Vocações e Ministérios/CNBB. Ex-Presidente do Inst. de Past. Vocacional. É gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília
Está circulando na internet a notícia de que um grupo de 13 estudantes evangélicos da escola estadual Senador João Bosco Ramos de Lima, em Manaus (AM) se recusou a fazer um trabalho sobre a cultura afro-brasileira. De acordo com a notícia os estudantes alegaram que fazer um trabalho sobre a cultura afro-brasileira seria "apologia ao 'satanismo e ao ‘homossexualismo'” e que isso contraria a crença que seguem. Segundo informações dos jornais, pastores e os próprios pais orientaram os alunos a fazerem um trabalho sobre as missões evangélicas na África, mas a escola não aceitou a troca do tema. No meu entender a escola agiu corretamente.
Ainda segundo as notícias circuladas na internet, os alunos evangélicos fizeram protestos. Além disso, segundo depoimento de professores, este grupo de alunos se recusa a ler obras clássicas como O Guarani de José de Alencar, Macunaíma de Mario de Andrade e Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire. Os alunos evangélicos alegaram motivos religiosos, afirmando que esse tipo de atividade contradiz a fé cristã que professam.
A notícia poderia passar despercebida se não fosse mais um exemplo do crescente fundamentalismo religioso na sociedade brasileira, o qual vem acompanhado de preconceitos, discriminação, violência e intolerância cultural e religiosa. Por essa razão a questão merece uma reflexão, ainda que breve.
No caso noticiado percebe-se antes de tudo uma profunda ignorância acerca do que sejam de fato as culturas religiosas afro-brasileiras e suas respectivas expressões religiosas. Confundir culturas afro-brasileiras com "satanismo” e "homossexualismo” é, no mínimo, manifestação de total burrice e de escrachada ignorância. Os pastores e pais destes estudantes deveriam sentir vergonha ao alimentar este tipo de coisa.
Em segundo lugar, a atitude dos estudantes evangélicos, patrocinada pelos pais e abençoada pelos pastores, expressa um profundo e vergonhoso preconceito contra as culturas afro-brasileiras. É homofóbica e fere regras elementares da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal do Brasil. Tal comportamento revela quão forte é ainda a discriminação contra os negros e suas magníficas expressões culturais. Atitudes como esta mostram que, em relação ao povo negro, continuamos com a mesma mentalidade dos tempos da senzala. O que é vergonhoso e criminoso.
Além do mais, o comportamento destes estudantes evangélicos fere os princípios mais elementares do cristianismo, que eles afirmam defender. Revela claramente que os pastores da Igreja a que pertencem não conhecem a Bíblia e fazem uma estúpida leitura fundamentalista dos textos sagrados cristãos. Esquecem, por exemplo, de que o amor ao próximo é o distintivo do discípulo de Jesus: "Se vocês tiverem amor uns para uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (Jo 13,35). E, segundo Jesus, este amor não pode ter fronteiras e nem limites. O mandamento do amor ao próximo (Jo 15,12) não admite exclusão de ninguém, nem mesmo dos inimigos: "amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês!” (Mt 5,44), Ora, se a radicalidade cristã chega a pedir que se ame o inimigo, a atitude desses estudantes contra a cultura afro-brasileira – que não é inimiga do cristianismo – é uma negação plausível da essência do cristianismo. Demonstra, pois, verdadeira ausência do espírito cristão e total desconhecimento dos textos bíblicos mais elementares.
Por trás desta atitude está ainda a pedagogia do medo que caracteriza os grupos religiosos fundamentalistas. Medo de aproximar-se, de conhecer e de se relacionar com o diferente. Na pedagogia do medo se esconde a fragilidade de uma experiência religiosa que é incapaz de dar conta de si mesma. Por isso prefere afastar os que são diferentes, com medo de que eles possam descobrir a fragilidade da fé. Caberia, então, aqui a seguinte pergunta feita pela Bíblia cristã: "Quem lhes fará mal, se vocês se empenham em fazer o bem?” (1Pd 3,13). Além do mais, diz ainda a Bíblia cristã, quem tem medo é alguém que ainda não descobriu a essência do cristianismo, não descobriu o amor: "No amor não existe medo; pelo contrário, o amor perfeito lança fora o medo, porque o medo supõe castigo. Por conseguinte, quem sente medo ainda não está realizado no amor” (1Jo 4,18).
Jesus não teve medo de se relacionar com o diferente. Ele quebrou as regras e os padrões religiosos relacionando-se com liberdade com pessoas que, na cultura de sua época e de sua religião, eram tidas como impuras. Apenas alguns exemplos. Ele vai almoçar na casa do "desclassificado” Levi, pecador público bem conhecido, e lá encontra outras pessoas de "má fama” (Mc 2,15-17). Entra na casa de Zaqueu (Lc 19,1-10). Puxa conversa com uma mulher do povo samaritano contra o qual os judeus tinham grande preconceito (Jo 4,7-42). Atravessa o lago e vai para a Decápole, região pagã e desclassificada pelos judeus (Mc 5,1-20). Durante uma refeição na casa de um fariseu deixa-se tocar por uma prostituta (Lc 7,36-50). Atende ao pedido do oficial romano (Mt 8,5-13) e elogia a fé de uma mulher fenícia (Mc 7,24-30). Portanto, quando estes estudantes se recusam a fazer um simples trabalho sobre as culturas afro-brasileiras estão simplesmente recusando-se a agir como seguidores de Jesus. Revelam a existência de uma esquizofrenia.
Quanto à recusa de ler textos da literatura brasileira, isso expressa apenas mais uma característica do fundamentalismo religioso que, infelizmente, marca algumas Igrejas cristãs: o dualismo maniqueísta. A atitude maniqueísta tende a separar as realidades do mundo, considerando algumas coisas ruins e outras boas. As ruins geralmente são as "coisas materiais” e as boas são as "coisas espirituais”. Também aqui há uma tremenda contradição, pois Jesus não classificava nada como bom ou como ruim. Aliás, dizia Jesus, não é o que vem de fora e entra numa pessoa que a torna impura, mas é aquilo que sai da pessoa que a pode contaminar (Mc 7,14-15). Portanto, segundo o mais genuíno ensinamento cristão, a leitura e o estudo de um simples romance não contamina ninguém. O problema não está no romance, mas na cabeça da pessoa que, na maioria das vezes, está repleta de imoralidade, maldade, malícia, devassidão e falta de juízo (Mc 7,20-23).
Não podemos, pois, aceitar de forma alguma atitudes preconceituosas como essa destes estudantes, uma vez que ferem os direitos humanos mais elementares, e são uma verdadeira afronta à dignidade da pessoa humana. Pelas leis brasileiras preconceitos como esses são crimes e precisam ser punidos dentro do rigor da lei. Não se pode ser conivente com isso. Além do mais, como acabamos de ver, negam a essência do cristianismo. A desculpa de motivos religiosos não cola; pelo contrário, revela profunda distância e ignorância do núcleo central da fé cristã.
domingo, 18 de novembro de 2012
O que é amor
Entende-se habitualmente que o amor é uma poderosa emoção que implica uma intensa ligação a um objecto e uma grande valorização desse objecto. Em algumas acepções, contudo, o amor não implica, de todo, emoção, mas somente um interesse ativo no bem-estar do objecto. Noutras situações o amor é essencialmente uma relação que implica permutação e reciprocidade, mais propriamente que uma emoção. Além disso, há muitas variedades de amor, incluindo o amor erótico-romântico, o amor da amizade e o amor filantrópico. Culturas diferentes também admitem diferentes tipos de amor. O amor tem, igualmente, uma arqueologia complicada: porque tem fortes conexões com experiências de afeto precoces, pode existir na personalidade a diferentes níveis de profundidade e nitidez, apresentando problemas específicos para o autoconhecimento. É um erro tentar fazer uma descrição excessivamente uniformizada de um tão complexo conjunto de fenômenos.
sábado, 17 de novembro de 2012
Ainda vale a pena ser professor?
Dizia Kant – e muitos pedagogos ainda o desconhecem – que “é tão cômodo ser menor. Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um diretor espiritual que tem por mim consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., não preciso eu próprio de me esforçar. Não me é forçoso pensar”… (Immanuel Kant, "Resposta à pergunta: O que é o Iluminismo?", in A paz perpétua e outros Opúsculos, Edições 70.)
Ora, é isto que perpassa hoje – e muito – na escola pública! Pensar é atividade desencorajadora e inclusive quase proibida… As estruturas dirigentes quase que indeferem o exercício da racionalidade aos seus pares, até porque um pensamento não-alinhado, divergente, criativo, alternativo, pode ser um elemento desestabilizador. Assim, o exercício da maioridade, de um “pensar por si” livre, de um “servir do seu próprio entendimento”, é um obstáculo aos tempos presentes. O que nos é solicitado é que cumpramos os preceitos estabelecidos, que respeitemos a regra, que abracemos os modelos já (mais que) testados e sigamos as orientações daqueles que se julgam líderes.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O retrocesso da inteligência humana
sábado, 3 de novembro de 2012
Pensamento convergente x pensamento divergente
«Quem não está connosco está "contra-nosco".» Lembram-se desta frase, que foi pronunciada em Almada, em 1975? Já lá vão trinta anos, mas ainda há muita gente que pensa assim! Para estes não pode haver alternativa. Psicologicamente, denomina-se a este modo de pensar, «pensamento convergente».
É um modo de pensamento orientado para a obtenção de uma única resposta a uma situação. O ser pensante, colocado perante um problema, submete-se a instruções rígidas no sentido de encontrar uma única solução. O seu comportamento é conformista, prudente, rigoroso, mas limitado.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Curiosidades sobre o cérebro
O cérebro é uma das partes mais incríveis do corpo humano. Ele se torna ainda mais impressionante quando funciona de uma maneira diferente da que esperamos. A ciência da psicologia frequentemente acerta sobre o funcionamento da mente humana, mas a Neurologia apresentou algumas surpresas interessantes nas últimas
décadas:
décadas:
Déjà vu
Déjà vu é uma sensação psicológica de que você já passou antes por uma dada situação, já esteve em algum lugar ou já conhecia uma determinada pessoa antes de que estes eventos tenham de fato acontecido cronologicamente. É uma expressão francesa que significa literalmente "Já vi isso!". Da mesma forma que é impossível se explicar a um daltônico o que é a cor verde, trata-se de uma experiência psicológica impossível de ser satisfatoriamente explicada para quem nunca passou por ela.
O que é a realidade
Realidade, à primeira vista, é uma coisa simples: a televisão que fala agora com você é real. Seu corpo afundado numa cadeira quando a meia-noite se aproxima, um relógio que faz tique-taque no limiar da consciência. Todo o detalhe infinito de um mundo sólido e material que o cerca. Estas coisas existem. Elas podem ser medidas com uma jarda, um voltímetro, uma balança. Estas coisas são reais.
Então há a mente, meio focalizada na televisão, o sofá, o relógio. Este fantasmagórico nó de memórias, idéias e sentimentos que chamamos de nós mesmos, também existe, embora não dentro do mundo mensurável que nossa ciência pode descrever. Consciência é inquantificável, um fantasma na máquina, quase não considerado real, apesar, de certo modo, ser este flutuante mosaico de consciência a única verdadeira realidade que nós podemos entender.
O aqui-e-agora demanda atenção, está mais presente para nós. Nós consideramos o mundo interno de nossas idéias como menos importante, embora a maior parte de nossa realidade física imediata tenha se originado apenas na mente. A televisão, o sofá, o relógio e o quarto e toda a cultura que os contêm uma vez não foram nada além de idéias. Existência material é completamente fundada no reino fantasma da mente, cujas natureza e geografia se mantém inexploradas.
Antes que a Idade de Razão fosse anunciada, a humanidade tinha polido estratégias para interagir com o mundo do imaginário e do invisível: complicados sistemas mágicos; abrangentes panteões de deuses e espíritos, imagens e nomes que nós classificamos como poderosas forças internas, de forma que poderíamos entendê-las melhor. Intelecto, emoção e pensamentos inconscientes foram feitos divindades ou demônios de forma que nós, como Fausto, pudéssemos entender melhor; interagir com eles; nos transformar neles. Culturas antigas não adoravam ídolos. As estátuas de seus deuses representaram estados ideais que, quando sob constante meditação, alguém poderia aspirar.
A Ciência prova que nunca houve uma sereia, um Krishna de pele azulada ou uma virgem dando à luz em nossa realidade física. Apesar de o pensamento ser real, é o domínio do pensamento o único lugar onde deuses indivisíveis exercem tremendo poder. Se Afrodite fosse um mito e o amor apenas um conceito, então isso negaria os crimes e os gestos de carinho e as canções feitas em nome do amor? Se o Cristo, alguma vez , tivesse sido considerado apenas ficção, uma ideia divina, isto invalidaria as mudanças sociais inspiradas por esta ideia, feito das guerras santas menos terríveis ou o aperfeiçoamento humano menos real, menos sagrado?
O mundo das idéias é, de certo modo, mais profundo e mais verdadeiro que a realidade; esta televisão sólida é menos significante que a ideia de televisão. Idéias, ao contrário de estruturas sólidas distintas, não perecem. Elas permanecem imortais, imateriais e em todos lugares, assim como todas as coisas divinas. Idéias são uma paisagem dourada e selvagem onde vagamos inadvertidamente sem um mapa. Tenha cuidado: em última análise, a realidade pode ser exatamente o que achamos que ela seja.
fonte: Alan Moore, In London Weekend Television
sábado, 27 de outubro de 2012
Nova ordem mundial
Esta matéria aborda uma realidade presente em nossas vidas, uma realidade que muitos prefeririam que fosse mesmo apenas mais uma teoria da conspiração ou um pesadelo do qual, num momento qualquer, acordaríamos aliviados. Infelizmente, é tudo real. Segue o texto. Leiam e reflitam!
Os Carneiros Incautos: Sinais Que Podem Indicar Quem Faz Parte do Grande Rebanho

Milhões de pessoas de vários países do mundo começaram a acordar para a ameaça muito real do globalismo repressivo que está sendo planejado, aquilo que a elite financeira e os políticos que trabalham para ela frequentemente referenciam como "Nova Ordem Mundial".
O movimento contra essa centralização de poder econômico e social ganhou tração em praticamente todas as esferas, até o ponto em que a grande mídia já foi forçada uma vez ou outra a reconhecer sua existência e prevalência. Aqueles que trabalham há vários anos nesta organização ativista, que muitos chamam de "Movimento Patriota", ou "Movimento da Liberdade", já viram avanços incríveis na luta contra a desinformação e na propagação da verdade não-adulterada. Nosso trabalho passou a ser divulgado pelas pessoas em seus círculos de relacionamentos, de forma viral, e o número de membros em nossa organização teve um rápido crescimento. Entretanto, a tarefa de diluir a ignorância na população em geral ainda está longe de terminar.
Cada pesquisador, autor e produtor de documentários que lida com a questão da Nova Ordem Mundial sofre com a triste experiência de encontrar pessoas que estão quase que criminosamente ignorantes dos fatos, e isso acontece com muita frequência. Por um longo tempo, nossa frustração foi ampliada pela nossa incapacidade de definir especificamente o que faz essas pessoas serem do jeito como são. Será se algumas são apenas mentalmente inferiores e incapazes de processar os fatos com eficiência? Estão elas tão doutrinadas pelos grandes veículos da mídia dominante que não há mais possibilidade de retorno? Existe uma diferença inata nas faculdades intuitivas que torna algumas pessoas rápidas em identificar uma mentira, e outras lentas? Existem muitas teorias sobre isto, mas uma coisa é certa: em nossa busca para informar as massas, sempre haverá aqueles que serão incapazes de ouvir ou entender aquilo que temos a dizer, por mais factuais, racionais e refinados que sejam nossos argumentos. Nós agora chamamos a essas maravilhas da rusticidade intelectual de "carneiros incautos".
A batalha pela sua mente
Esta é uma transcrição do artigo "A Batalha pela sua Mente", do autor Dick Suptphen. Resolvemos publicá-la aqui, como o primeiro post, pela importância e correlação que tem com os assuntos que iremos tratar. Abrange técnicas de hipnose coletiva, propagandas subliminares e convencimento de massas, que passam agir sob a vontade do hipnotizador, sem que disso se apercebam.
sábado, 20 de outubro de 2012
O que é física quântica?
A Física Quântica: o que é, e para que serve
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Almir Caldeira
Já faz cem anos que Planck teve de lançar mão de uma expressão inusitada para explicar os seus resultados da medida da intensidade da radiação emitida por um radiador ideal - o corpo negro - levando-o assim a estabelecer o valor de uma nova constante universal que ficou conhecida como a constante de Planck. A partir daí, e também em função de outras experiências que apresentavam resultados igualmente surpreendentes no contexto da mecânica de Newton e do eletromagnetismo de Maxwell, os pesquisadores do começo do século passado se viram obrigados a formular hipóteses revolucionárias que culminaram com a elaboração de uma nova física capaz de descrever os estranhos fenômenos que ocorriam na escala atômica; a mecânica quântica.
Esta teoria, com a sua nova conceituação sobre a matéria e os seus intrigantes postulados, gerou debates não só no âmbito das ciências exatas mas também no da filosofia, provocando assim uma grande revolução intelectual no século XX. Obviamente que, além das discussões sérias e conceitualmente sólidas, as características não cotidianas dos fenômenos quânticos levaram muitos pesquisadores, e também leigos, a formular interpretações equivocadas da nova teoria, o que infelizmente, ainda nos nossos dias, atrai a atenção das pessoas menos informadas.
Mas, no final das contas, quais são estes efeitos tão estranhos dos quais estamos falando e qual é a sua relevância para o nosso cotidiano, se existe alguma? Bem, para provar que não estamos falando de coisas inúteis, comecemos pela segunda parte desta pergunta.
O leitor certamente se surpreenderia se disséssemos que sem a mecânica quântica não conheceríamos inúmeros objetos com os quais lidamos corriqueiramante hoje em dia. Só para se ter uma idéia podemos mencionar o nosso aparelho de CD, o controle remoto de nossas TVs, os aparelhos de ressonância magnética em hospitais ou até mesmo o micro-computador que ora usamos na elaboração deste artigo. Todos os dispositivos eletrônicos usados nos equipamentos da chamada high-tech só puderam ser projetados porque conhecemos a mecânica quântica. A título de informação, 30% do PIB americano é devido a estas tecnologias.
Esperando ter convencido o leitor de que estamos longe do terreno da especulação, vamos, então, abordar a primeira parte da pergunta acima lançada. O que é a mecânica quântica?
A mecânica quântica é a teoria que descreve o comportamento da matéria na escala do "muito pequeno", ou seja, é a física dos componentes da matéria; átomos, moléculas e núcleos, que por sua vez são compostos pelas partículas elementares. Muito interessante mas…o que isto nos traz de novo?
A fim de podermos apreciar as novidades que a física quântica pode nos proporcionar, vamos estabelecer alguns conceitos clássicos que nos serão muito úteis adiante.
O primeiro conceito é o de partícula. Para nós este termo significa um objeto que possui massa e é extremamente pequeno, como uma minúscula bolinha de gude. Podemos imaginar que os corpos grandes sejam compostos de um número imenso destas partículas. Este é um conceito com o qual estamos bem acostumados porque lidamos diariamente com objetos dotados de massa e que ocupam uma certa região do espaço.
O segundo conceito é o de onda. Este, apesar de ser também observado no nosso dia a dia, escapa à atenção de muitos de nós. Um exemplo bem simples do movimento ondulatório é o das oscilações da superfície da água de uma piscina. Se mexermos sistematicamente a nossa mão sobre esta superfície, observaremos uma ondulação se afastando, igualmente em todas as direções, do ponto onde a superfície foi perturbada.
O caso particular aqui mencionado é o de onda material, ou seja, aquela que precisa de um meio material para se propagar (a água da piscina no nosso caso). Entretanto, esse não é o caso geral. Há ondas que não precisam de meios materiais para a sua propagação, como é o caso da radiação eletromagnética. Aqui, a energia emitida por cargas elétricas aceleradas se propaga no espaço vazio (o vácuo) como as ondas na superfície da piscina.
Apesar da sua origem mais sutil, a radiação eletromagnética está também presente na nossa experiência diária. Dependendo da sua frequência ela é conhecida como: onda de rádio, FM, radiação infravermelha, luz visível, raios-X e muito mais.
Pois bem, até o final do século XIX tudo o que era partícula tinha o seu movimento descrito pela mecânica newtoniana enquanto que a radiação eletromagnética era descrita pelas equações de Maxwell do eletromagnetismo.
O que ocorreu no primeiro quarto do século XX foi que um determinado conjunto de experiências apresentou resultados conflitantes com essa distinção entre os comportamentos de onda e de partícula. Estes resultados podem ser resumidos em uma única experiência que passamos a descrever, em seguida, na sua versão clássica.
Imagine que uma onda, material ou não, incida sobre um anteparo opaco onde haja duas fendas (ver figura abaixo). Cada uma das fendas passa então a ser fonte de um novo movimento ondulatório. Uma característica fundamental deste movimento é o fenômeno deinterferência, que reflete o fato das oscilações provenientes de cada uma das fendas poderem ser somadas ou subtraídas uma da outra. Colocando-se agora um segundo anteparo, distante do primeiro, onde iremos detetar a intensidade da onda que o atinge, observaremos como resultado uma figura que alterna franjas com máximos e mínimos da intensidade da onda. Esta é a chamada figura de interferência.
Vamos agora repetir a mesma experiência com a diferença que, ao invés de ondas, incidimos partículas sobre o primeiro anteparo. O que ocorre nesta nova situação é a presença de duas concentrações distintas de partículas atingindo o segundo anteparo. Aquelas que passam por uma ou outra fenda, como mostra a figura abaixo.
Este seria, portanto, o resultado esperado pela física clássica. Entretanto, quando esta experiência é feita com partículas como elétrons ou nêutrons, ocorre o inesperado: forma-se no segundo anteparo uma figura de interferência na concentração de partículas que a atingem, como mostramos em seguida.
Ainda mais estranho é a repetição desta mesma experiência com apenas uma partícula. Ela passa pelo primeiro anteparo e atinge o segundo em apenas um ponto. Vamos, então, repetir esta mesma experiência um número enorme de vezes. O resultado é que em cada experimento o ponto de deteção no segundo anteparo é diferente. Entretanto, sobrepondo todos os resultados obtidos nos segundos anteparos de cada experiência obtém-se, novamente, a mesma figura de interferência da figura anterior!
Assim, mesmo falando de apenas uma partícula, nos vemos obrigados a associá-la a uma onda para que possamos dar conta da característica ondulatória presente no nosso exemplo. Por outro lado, devemos relacionar esta onda à probabilidade de se encontrar a partícula em um determinado ponto do espaço para podermos entender os resultados de uma única experiência de apenas uma partícula. Este é o chamado princípio da dualidade onda-partícula.
Um outro fato intrigante ocorre quando tentamos determinar por que fenda a partícula passou. Para resolver esta questão podemos proceder fechando uma das fendas para ter certeza que ela passou pela outra fenda. Outra surpresa: a figura de interferência é destruida dando lugar a apenas uma concentração bem localizada de partículas, a daquelas que passaram pela fenda aberta! Portanto, ao montarmos um experimento que evidencia o carater corpuscular da matéria, destruimos completamente o seu carater ondulatório, ou seja, o oposto ao caso com as duas fendas abertas. Este é o princípio da complementaridade.
De uma forma geral podemos interpretar os resultados do experimento aqui descrito como os de um sistema sujeito a uma montagem na qual o seu comportamento depende de alternativas A e B (no nosso caso, a passagem da partícula por uma das fendas). Enquanto que na mecânica clássica o sistema escolhe A ou B, aleatoriamente, na mecânica quântica estas duas alternativas interferem. Entretanto, ao questionarmos, ou melhor, medirmos, por qual alternativa o sistema opta, obteremos o resultado clássico.
Um sistema quântico, ao contrário do clássico, só pode ser descrito através das possíveis alternativas (não necessariamente apenas duas) que a nossa montagem apresente para ele. A onda associada ao sistema carrega a possibilidade de interferência entre as diferentes alternativas e é a informação máxima que podemos ter sobre o sistema em questão.
A aplicação desta teoria a problemas nas escalas atômicas e sub-atômicas apresenta resultados como a quantização da energia ou otunelamento quântico que, por si só, já mereceriam a elaboração de um outro artigo para que o leitor pudesse apreciá-los.
O mais interessante é que a mecânica quântica descreve, com sucesso, o comportamento da matéria desde altíssimas energias (física das partículas elementares) até a escala de energia das reações químicas ou, ainda de sistemas biológicos. O comportamento termodinâmico dos corpos macroscópicos, em determinadas condições, requer também o uso da mecânica quântica.
A questão que nos resta é então; por quê não observamos estes fenômenos no nosso cotidiano, ou seja, com objetos macroscópicos? Bem, há duas razões para isso. A primeira é que a constante de Planck é extremamente pequena comparada com as grandezas macroscópicas que têm a sua mesma dimensão. Baseados neste fato, podemos inferir que os efeitos devidos ao seu valor não nulo, ficarão cada vez mais imperceptíveis à medida que aumentamos o tamanho dos sistemas. Em segundo lugar, há o chamado efeito dedescoerência. Este efeito só recentemente começou a ser estudado e trata do fato de não podermos separar um corpo macroscópico do meio onde ele se encontra. Assim, o meio terá uma influência decisiva na dinâmica do sistema fazendo com que as condições necessárias para a manutenção dos efeitos quânticos desapareçam em uma escala de tempo extremamente curta.
Entretanto, as novas tecnologias de manipulação dos sistemas físicos nas escalas micro ou até mesmo nanoscópicas nos permitem fabricar dispositivos que apresentam efeitos quânticos envolvendo, coletivamente, um enorme número de partículas. Nestes sistemas a descoerência, apesar de ainda existir, tem a sua influência um pouco reduzida, o que nos permite observar os efeitos quânticos durante algum tempo.
Uma aplicação importante para alguns destes dispositivos seria a construção de processadores quânticos, o que tornaria os nossos computadores ainda mais rápidos. Nesta situação a minimização dos efeitos da descoerência é altamente desejável pois, em caso contrário, estes processadores de nada iriam diferir dos processadores clássicos.
Como podemos ver, tudo indica que a mecânica quântica seja a teoria correta para descrever os fenômenos físicos em qualquer escala de energia. O universo macroscópico só seria um caso particular para o qual há uma forma mais eficiente de descrição; a mecânica newtoniana. Esta pode ser obtida como um caso particular da mecânica quântica mas a recíproca não é verdadeira.
Muitos autores, por não se sentirem confortáveis com a chamada interpretação ortodoxa ou de Copenhagen da mecânica quântica, tentam criar teorias alternativas para substituí-la. Entretanto, cabe notar que, apesar da sua estranheza, a mecânica quântica não apresentou qualquer falha desde que foi elaborada na década de 20, o que não nos proporciona evidência experimental que aponte para onde buscar as questões capazes de derrubá-la.
Amir O. Caldeira é professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Cotas raciais - quem ganha, quem perde?
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu recentemente, por unanimidade, que a introdução de cotas raciais no acesso às universidades públicas federais não viola a Constituição da República, seguindo a linha adotada nos Estados Unidos há algumas décadas de introduzir "ações afirmativas" para corrigir injustiças feitas no passado. A decisão flexibiliza a ideia básica de que todos são iguais perante a lei, um dos grandes objetivos da Revolução Francesa.
sábado, 29 de setembro de 2012
Sala de aula e realidade - Mauro Feijó
É necessário reconhecer e considerar o contexto da sociedade em que estamos vivendo. São tempos difíceis, vivemos num mundo globalizado, sem a estabilidade e previsibilidade que a sociedade já tivera em outras épocas, quando apenas alguns anos dentro da escola e aquisição de algumas normas de convivência mínimas garantiam uma boa e tranquila vida social para as pessoas. Hoje isso não é o suficiente, o mundo está muito mais complexo, as exigências de conhecimentos são muito maiores, estamos na era do conhecimento, portanto a aprendizagem precisa ser processo constante na vida das pessoas. Estamos numa era totalmente tecnológica, principalmente na área da comunicação, riquíssima em recursos e muitos deles já estão dentro da escola. Esses recursos permitem um estreitamento muito interessante entre o que se pode ensinar e o cotidiano dos alunos, haja vista, que existe um processo de naturalização da vida das pessoas veiculado pelas mídias. Naturalização no sentido de que o dia a dia das pessoas está sendo mostrado como ele é. Mostrado nas mídias todas, nos mais diversos tipos de programas, nos filmes, nas novelas, nos jornais,... Daí a facilidade de relacionar o cotidiano com os programas veiculados. Os alunos gostam disso, porque se identificam com essas tecnologias e, também, porque as dominam. Mas, principalmente, porque faz parte do dia a dia deles, isto é significativo para eles.
Também o visual está em ênfase, vide as superproduções cinematográficas, a imagem em 3D, os modelos de beleza, os diversos produtos de consumo, o celular, a moda, a câmera digital, entre outros. Também são componentes do dia a dia dos alunos, que podem enriquecer o trabalho pedagógico, se devidamente planejados, inclusive com os alunos em sala de aula. Olhar para isso, legitimar a importância dessas tecnologias é tarefa do professor.
Alguns princípios básicos do ensino fundamental, como a leitura, a escrita e a interpretação, não têm sido atingidos efetivamente, pois temos visto alunos saírem desta etapa do ensino sem as habilidades necessárias. Como isso é possível se temos a Internet e toda a facilidade de criar e publicar variados textos, falas e os mais diversos tipos de vídeos? Tudo a nossa frente como estimulantes desafios a serem enfrentados. Difícil entender como essas tecnologias não são utilizadas devidamente na construção de conhecimento, nas atividades pedagógicas, uma vez que fazem parte da vida, tanto do docente quanto do aluno.
Enfatizo a questão tecnológica atual porque é emblemática, é a realidade, faz parte de forma relevante da vida das pessoas e não há mais como ignorar isso. Toda a educação, em tempo breve, terá que estar sendo repensada para atender as demandas de uma realidade que também já é virtual. Todo o processo de ensino-aprendizagem precisará ser reorganizado, porque os desafios desses tempos são outros.
Porém, o olhar atento do docente poderá descobrir outros motes, cheio de significados importantes na realidade da comunidade escolar, que poderão ser muito bem utilizados no trabalho pedagógico.
Grandes recursos não dão garantia de um bom trabalho pedagógico, mas uma relação desenvolvida na confiança e na afetividade, no reconhecimento da singularidade dos alunos, certamente ajudará na elaboração de estratégias para organização e apresentação dos trabalhos, bem como para uma boa produtividade nas aulas. Que o professor busque reconhecer onde o aluno vive, onde ele está existencialmente, perceba suas curiosidades, valide suas necessidades, assim poderá dialogar com a vida e o dia a dia dele. Isto fará toda a diferença, também haverá significação para todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.
Mauro Feijó
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Quando pensar demais atrapalha
Interferência do lobo frontal às vezes dificulta o aprendizado, mostra estudo
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Quem toca piano ou outro instrumento musical conhece o problema: aquela música que você conhece de cor há anos só sai inteira e certinha se você não tentar pensaronde colocar os dedos. Ou sai de primeira, como se os dedos ‘soubessem’ o caminho sem o cérebro, ou você empaca e precisa recomeçar do começo.
Pensar sobre pensar
Quando analisamos uma decisão que tomamos ou um pensamento que temos, realizamos um ato de metacognição. Roberto Lent aborda um estudo sobre essa característica humana de introspecção, e os mecanismos cerebrais que a geram.
Neurocientistas chamam a capacidade humana de refletir sobre os próprios pensamentos de metacognição. É com essa introspecção que avaliamos a certeza de nossas decisões (Montagem: Júlia Dias Carneiro. Ilustração: Flickr.com/Graela – CC BY-NC-SA 2.0).
No cotidiano, deparamo-nos frequentemente com escolhas e decisões a tomar, com maior ou menor urgência e importância. Em quem devo votar? Que filme verei hoje? Que curso escolherei para o vestibular? Qual a resposta certa para a pergunta da prova?
sábado, 15 de setembro de 2012
Por que é tão difícil publicar livro no Brasil?
POR QUE É TÃO DIFÍCIL SER O AUTOR DE UM LIVRO NO BRASIL?
Por Ademir Pascale – ademir@cranik.com – www.cranik.com
Após anos de leitura, discussões, entrevistas, tentativas, erros e acertos, comecei a entender o processo editorial das editoras. É lastimoso saber que existem tantos autores criativos que acabam engavetando seus manuscritos "eternamente", após inúmeras tentativas na publicação de suas obras. Os "nãos" são constantes, talvez uma das palavras mais usadas pelas editoras Brasileiras: "Não, sua obra não se encaixa em nossa linha editorial" ou "Nossa cota de publicação já está esgotada para 2007 e 2008, portanto,não poderemos publicar a sua obra, mas continue tentando em outras editoras".
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Mulheres intuitivas, homens autistas
Em média, somos mais altos e mais musculosos do que as mulheres. Característico da maioria dos mamíferos, esse dimorfismo sexual é evidência indiscutível da seleção natural resultante da competição milenar entre os machos pela posse das fêmeas, sempre interessadas em se acasalar com os mais poderosos, capazes de proteger suas proles.
Nos últimos 50 anos, os neurocientistas têm demonstrado que o dimorfismo na espécie humana não se restringe à aparência física, mas está presente na configuração do cérebro.
Apesar de variações individuais, o cérebro masculino é cerca de 9% maior do que o feminino, graças às dimensões da substância branca, uma vez que a quantidade de massa cinzenta (associada às funções cognitivas superiores) é semelhante em ambos os sexos. Por outro lado, o corpo caloso, estrutura que estabelece a conexão entre os hemisférios cerebrais direito e esquerdo, é proporcionalmente mais desenvolvido nas mulheres.
Os neurônios das mulheres parecem formar maior número de conexões (sinapses), essenciais do ponto de vista funcional, mas os homens têm em média 10 milhões a 20 milhões de neurônios a mais, e eles se encontram mais densamente empacotados na maior parte dos centros cerebrais.
Antes que você, leitora feminista, tenha um ataque de nervos, vamos deixar claro que, até hoje, nenhum estudo científico conseguiu demonstrar superioridade dos quocientes médios de inteligência em qualquer dos sexos.
Tomadas em conjunto, essas informações apenas explicam porque nós demonstramos mais habilidade na realização de tarefas restritas a um único hemisfério cerebral, como interpretar mapas geográficos, encontrar saídas em labirintos, lidar com máquinas, ao passo que elas levam vantagem em atividades que se beneficiam das conexões entre os dois lados do cérebro: interpretação de emoções alheias, sensibilidade social, fluência verbal.
Enquanto as áreas cerebrais controladoras da linguagem masculina estão limitadas ao hemisfério cerebral esquerdo, a mulher utiliza os dois hemisférios ao falar. Graças a essa versatilidade, as meninas começam a falar mais cedo (e, segundo os maledicentes, não param mais) e se saem melhor nas atividades escolares que privilegiam a linguagem.
Comparadas com os meninos, elas nascem com uma diferença de maturação cerebral de quatro semanas, diferença mantida de tal forma até a idade escolar que o doutor José Salomão Schwartzman, um dos neuropediatras brasileiros mais conceituados, considera erro grosseiro levar em conta apenas o critério de idade para misturar crianças de ambos os sexos na mesma sala de aula.
Dados experimentais demonstram que essas características sexuais estão ligadas a fatores biológicos. Ratos machos realizam com mais facilidade os testes para encontrar saídas de labirintos, vantagem perdida quando as fêmeas são tratadas com testosterona no período neonatal. Na infância, os machos de diversas espécies de macacos preferem brincar com carrinho, enquanto as fêmeas escolhem as bonecas.
Em trabalho publicado em 2001, no qual bebês de um dia de vida foram colocados diante da face de uma pessoa e de um objeto mecânico móvel, ficou demonstrado que as meninas passam mais tempo a olhar para a face; os meninos, para o objeto.
O mecanismo responsável por essas diferenças corre por conta da exposição do sistema nervoso à ação da testosterona produzida pelos testículos durante a vida embrionária e neonatal. Meninas que nascem com hiperplasia adrenal congênita, condição genética em que ocorre aumento de produção de testosterona, exibem comportamento mais semelhante ao dos meninos.
É cada vez mais aceita na psicologia moderna a teoria da Empatia-Sistematização (E-S), segundo a qual os indivíduos podem ser classificados de acordo com sua maior habilidade de sistematizar ou estabelecer empatia. Sistematizar é a capacidade de analisar um sistema com o objetivo de prever seu o comportamento. Empatia é a capacidade de identificar estados mentais alheios e de responder a eles com a emoção mais apropriada.
A teoria E-S propõe que as diferenças psicológicas entre os sexos sejam definidas pelo diferencial entre as dimensões da empatia (E) e da sistematização (S), uma vez que prever comportamentos e emoções alheias não obedece às regras que regem sistemas mecânicos, nos quais a resposta a um mesmo estímulo é sempre previsível. O tipo psicológico ES é característico das mulheres; SE é mais encontrado nos homens.
De acordo com a teoria, o processo de masculinização cerebral, levado ao extremo, conduziria ao autismo, condição associada a comportamentos repetitivos, obsessão por sistemas previsíveis como decorar horários de trens e nomes de ruas, resistência às mudanças do ambiente, dificuldade de compreender metáforas, precocidade para decifrar funcionamento de máquinas e dificuldade de relacionamento afetivo.
O dimorfismo cerebral explica por que as mulheres tantas vezes nos surpreendem ao interpretar atitudes e prever intenções alheias e a habilidade demonstrada por elas na execução de tarefas simultâneas como dar banho nos filhos, falar ao telefone, avisar que a campainha está tocando e pedir para desligar o forno, enquanto dez homens na sala, assistindo ao futebol, perdem a concentração quando entra uma mulher para perguntar quem vai encomendar a pizza.
fonte: drauziovarella.com.br
fonte: drauziovarella.com.br
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