Hoje proponho uma reflexão que vem na esteira desta má distribuição do dinheiro, que na verdade é um problema mundial e não só do Brasil, mas que judia de muita gente por aqui, que é a fome.
Todos os avanços tecnológicos, econômicos e sociais das últimas décadas nos fez chegar em um mundo de abundância. Nunca se produziu tanta comida no mundo em qualquer outro período da história. Se considerarmos dos anos 60 para cá, período em que a população mundial dobrou, a produção de alimentos se multiplicou por três. Então como ainda existe fome no mundo? O que é feito com o alimento não consumido?
Tem alimentação sobrando no mundo, isto é fato. De acordo com a FAO (Food and Agriculture Organization) - organização mundial para agricultura e alimentação, 1 milhão e 300 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas anualmente no mundo, um terço do que é produzido, enquanto 870 milhões de pessoas passam fome. Como entender essa contradição? Por que isso acontece?
Aqui no Brasil é fácil concluir que este processo resulta da desigualdade de renda, 32 milhões de pessoas brasileiras passam fome porque não têm dinheiro, 65 milhões não comem o necessário da quantidade mínima diária de calorias, isto é, se alimentam de forma insuficiente.
O Brasil é um país de grande potencial econômico, até mesmo por sua dimensão territorial, e vem a cada ano superando recordes na produção agrícola. Mas do que adianta isso se a riqueza brasileira está nas mãos de apenas 10% da população. E ainda, a monocultura brasileira tem como único objetivo à exportação, essa produção serve para alimentar os animais em países desenvolvidos. Não por acaso lembrei do filme "A ilha das flores", um filme de curta-metragem brasileiro, do gênero documentário, escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado em 1989, que retrata essa situação dos animais comerem antes das pessoas. O filme está postado neste blog.
O problema da fome está em todo o território brasileiro, nas cidades pequenas, médias e grandes, até mesmo no campo.
Tudo leva a crer que estamos muito longe de encontrar solução para este problema, pois envolve uma série de fatores estruturais e muita vontade política da parte dos governantes e sobretudo, uma forte dose de indignação e de espírito revolucionário para lutar o bom combate, das pessoas de bem que não aceitam essa situação.
Chega de assistencialismo barato que os governos promovem a cada ano, que além de não resolver o problema, acabam sempre fazendo com que aumente. As pessoas necessitam de condições que lhes dê possibilidade de auto-sustento e isso, só é possível por meio de trabalho e remuneração justa.
Mauro Feijó
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