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sábado, 22 de dezembro de 2012

A nova esquina

Quando eu era estudante do ensino fundamental, havia um termo muito comum entre os alunos que se desentendiam na escola. Como não era possível brigar na escola, um dizia ao outro: "te pego lá na esquina". Muito comum ouvir esta fala naquela época, pois as coisas se resolviam efetivamente lá na esquina. O lugar da briga era na esquina, isso todo mundo sabia. As aulas terminavam e todos corriam para a esquina, afinal era naquele lugar que aconteciam as brigas.

Essa ideia de esquina me veio na lembrança quando a diretora Isoldi anunciou que estaria deixando a escola Maria Marques. Primeiro a surpresa, depois o entendimento. E quero compartilhar alguns pensamentos sobre esse episódio.

Inspirado em Paulo Freire, lembro-me de que em muitas ocasiões de conversa com a querida diretora, utilizei a fala “de podermos mudar de esquina, não de briga”. Disse querida? Não! Usei o adjetivo errado. Não que ela também não seja querida. Mas ela foi e ainda é a pessoa mais admirável que já conheci e, quando digo admirável, é porque não encontro outras palavras para qualificá-la como ser-pessoa que ela merece. Uma pessoa impar, comprometida com o melhor tipo de educação possível, promotora incansável do ser humano, em suas diversas dimensões, buscadora romântica de uma educação verdadeira e altruísta.

Quanto à esquina, volto a esta, em forma de analogia, para me expressar um pouco mais em relação à saída da diretora Isoldi. Saída emblemática, talvez até traumática para alguns, mas necessária para ela e para o lugar onde emprestará toda a sua sabedoria e competência para comandar. Lugar que refiro como outra esquina. Embora sendo outra esquina, a briga é a mesma. Ela irá trabalhar na formação de pessoas em desenvolvimento; pessoas que precisam de alguém que olhe para elas com a força e competência que constituem o ser da diretora Isoldi.

As esquinas da vida são as mais diversas, têm muitas por ai, bem sabemos. Porém a briga que motiva nossa diretora a mudar de esquina, é a briga pela dignidade humana, isto é, pessoas vilipendiadas esperando que o sistema ou alguém lhes ofereça condições de vida decente. As pessoas que habitam aquele lugar (abrigo público) clamam por esperança, mas do verbo esperançar e não esperar, pois nada acontece para quem só espera. E sensibilizada pela possibilidade de oferecer àquelas pessoas, a esperança de uma vida mais digna e melhor, é que nossa diretora está mudando de esquina.

Com essas palavras homenageio a diretora Isoldi, que vai para outra esquina, que jamais desistiu de uma briga, porque a “não-desistência” é o jeito amoroso que ela sempre teve para brigar pela promoção da dignidade das pessoas. Obrigado pelos ensinamentos!

Mauro Feijó

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