Ela chegou com certa insolência e perguntou: "por que a escola não quer saber nada sobre as coisas que eu sei e conheço? Assim fica muito fácil "rodar" os alunos. O que adianta a gente estudar?!"
Ela = aluna da oitava série de uma escola de ensino fundamental (pública);
Chegou = aproximação junto a um dos professores que a reprovou;
Certa insolência = não completamente insolente;
Insolência = arrogância, atrevimento, desaforo;
Perguntou = procurou saber, interrogou, inquiriu.
A frase acima, ao meu ver muito significativa, é o pedaço de um diálogo que ouvi entre professor e uma aluna por ocasião de resultado final do ano letivo. Sem entrar no mérito e sem conhecer detalhes do contexto que levou essa aluna à reprovação, quero me deter no conteúdo significativo sobre a fala da educanda, para deixar mais impactante traduzi em detalhes o significado dos termos da forma como a menina abordou seu professor.
Primeiramente, quero me referir à atitude de irresignação da aluna, da não aceitação daquele resultado, que ao ver-se reprovada perguntou: e as coisas que eu sei para que servem?
Quando a escola elabora um currículo que não se mistura com a realidade do aluno; quando os professores não levam em consideração os saberes de vida que vão junto com os alunos para dentro da sala de aula; quando a escola não consegue teorizar as práticas que os alunos já exercitam no dia a dia; e quando os alunos não conseguem praticar os saberes que a escola teoriza... Quando isso ocorre, a escola também deveria ser reprovada. Então forçosamente sou obrigado a dar guarida à primeira parte da fala da aluna.
Em segundo lugar, entendo que a escola precisa se reinventar no sentido de que ela existe para aprovar o aluno e não o contrário. Para valorizar os saberes dos alunos e agregar a eles, outros novos saberes, mas não quaisquer saberes, mas saberes significativos que trabalhem e valorizem a vida real dentro e fora da escola, que ensinem os alunos a resolver problemas, que mexam com a sua curiosidade e motivação. Como dizia Paulo Freire, cada pessoa sabe e ignora alguma coisa, portanto aprendemos sempre. Realmente, se a escola cobra do aluno somente aquilo que ela ensina, fica muito fácil reprovar esse aluno.
Por fim, em relação à última parte da pergunta, quero dizer o seguinte: existe uma probabilidade muito grande de que a aluna tenha tentado falar do seu descrédito junto à escola, do imobilismo dentro da mesma que é muito grande, da falta de criatividade para ensinar que é maior ainda, que a desconexão com a vida é gritante e que há total ausência de vigor e critérios. Então, também concordo com ela nessa parte.
Porém, se a escola conseguir ajudar a emancipar o aluno, incrementar nele o espírito crítico, trabalhar a ética, o respeito, a cidadania. Se esmerar para formar um ser humano íntegro, seguro, criativo, confiante e feliz, principalmente dentro da escola. Neste caso, eu diria para a aluna: continue estudando, pois adianta muito!
Mauro Feijó
Este blog tem como objetivo provocar o cérebro, tanto para elucubrar quanto para relaxar. Traz textos e frases reflexivas, imagens e curiosidades diversas. É destinado a todos que buscam ler a realidade não só pelas palavras, mas de todas as formas como ela se oferece. Veja que os assuntos se misturam, pode ser chato, mas é assim mesmo que pensamos a realidade, não nos detemos a um assunto somente, pois uma coisa puxa a outra. Também oferece subsídios para aulas de filosofia no ensino básico.
sábado, 22 de dezembro de 2012
Insolência necessária
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