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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Morte


Concepções filosóficas

“Temer a morte, atenienses, não é nada além de se acreditar sábio quando não se é, pois, é acreditar que se sabe o que não se sabe” (Apologia de Sócrates) PLATÃO.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES Cebes: Supões, Sócrates, que fôssemos covardes, ou, melhor, que não o temêssemos, mas que houvesse em nós um menino que o temesse. Procura ensinar-lhe a não temer a morte como às sombras. Sócrates: Para isto é preciso empregar, todos os dias, encantamentos até curá-lo. Cebes: mas onde encontraremos, ó Sócrates, um bom encantador se nos vais deixar?

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES Sócrates: A Grécia é grande, e nela podem ser encontrados homens hábeis em grande número. [...] É preciso também que o procureis entre vós, porque talvez não encontreis nenhum homem capaz de fazer encantamento melhor que vós mesmos.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES Sócrates: Os homens ignoram que os verdadeiros filósofos trabalham durante toda sua vida na preparação de sua morte e para estar mortos, sendo assim, seria ridículo que, depois de ter perseguido este único fim, sem descanso, retrocedessem e tremessem diante da morte. [...] A morte parece ser algo? Símias: Sem dúvida. Sócrates: Não é a separação da alma e do corpo, de modo que o corpo permaneça isolado em si mesmo de um lado e a alma em si mesma do outro? Não é isso, porventura que chamam de morte? Símias: Isso mesmo.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES Sócrates: Parece-te que os desejos de um filósofo não têm por objeto o corpo e que, pelo contrário, trabalha para afastar-se dele dentro do possível a fim de se ocupar apenas de sua alma? Símias: Certamente. Sócrates (dirigindo-se a Cebes): Qual é a coisa que entrando num corpo o torna vivo? Cebes: A alma.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES Sócrates: Assim, a alma, empolgando uma coisa, traz consigo vida para essa coisa? Cebes: Como não? Sócrates: Existe um contrário da vida, ou não? Cebes: A morte.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES Sócrates: Não é verdade que a alma jamais aceitará o contrário do que sempre traz consigo? Cebes: Com certeza. Sócrates: Como chamávamos há pouco o que não aceitava a idéia do par? Cebes: Ímpar.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES Sócrates: E ao que não aceita o justo e ao que não admite o harmônico? Cebes: Injusto e inarmônico. Sócrates: E ao que não admite a morte, como chamaremos? Cebes: Imortal. Sócrates: A alma não admite a morte, não é? Cebes: Sim.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES FILOSOFIA (PHARMACON) Atitude de cultivo da alma Remédio contra o temor da morte.

FÉDON (sobre a imortalidade) SÓCRATES ALMA (AQUILO QUE INTRODUZ VIDA) NÃO ADMITE SEU CONTRÁRIO (MORTE) O QUE NÃO ADMITE A MORTE IMORTAL LOGO, ALMA É IMORTAL.

“Perturbamos a vida pela preocupação com a morte, e a morte pela preocupação com a vida. Uma nos entristece, a outra nos amedronta. Não é contra a morte que nos preparamos; é uma coisa demasiado momentânea. Quinze minutos de paixão sem conseqüência, sem incômodo, não merecem preceitos particulares. A bem dizer, preparamo-nos contra os preparativos da morte” (Ensaios) MONTAIGNE.

MARTIN HEIDEGGER HOMEM (SER-AÍ) SER-NO-MUNDO SER-COM-OS-OUTROS SER-PARA-A-MORTE.

MARTIN HEIDEGGER “A morte é uma possibilidade de ser que o Ser-aí deve assumir sempre por si mesmo [...]. É a possibilidade da pura e simples impossibilidade do Ser-aí. Assim, a morte se revela como a possibilidade mais própria, incondicionada e insuperável”. Mais própria: pois diz respeito à essência da existência. Insuperável: é a última possibilidade da existência, mas que aniquila a própria existência. Incondicionada: pertence exclusivamente ao indivíduo. “Ninguém pode assumir o morrer do outro [...]. Cada Ser-aí deve assumir a sua própria morte. Enquanto a morte ‘é’, ela é sempre radicalmente a minha morte”.

MARTIN HEIDEGGER “O ser-para-a-morte é essencialmente angústia” A antecipação da morte dá sentido ao ser dos entes, mediante a experiência do seu nada possível. Essa experiência, no entanto, não se tem por obra de ato intelectivo, e sim, muito mais por meio do sentimento específico que é a angústia: A angústia põe o homem diante do nada, do nada de sentido.

MARTIN HEIDEGGER EXISTÊNCIA AUTÊNTICA aceitação da própria finitude ter a coragem de olhar de frente a possibilidade do próprio não-ser, de sentir a angústia do ser-para-a-morte.
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MARTIN HEIDEGGER EXISTÊNCIA INAUTÊNTICA se esgota em uma vida anônima e superficial tem medo da angústia da morte.

JEAN-PAUL SARTRE “[...] há pouco eu estava no jardim público. A raiz da castanheira afundava na terra, precisamente sob meu banco. Não me recordava mais que era raiz. As palavras haviam desaparecido. E, com elas, o significado das coisas [...]. Éramos um monte de existentes amontoados: não tínhamos a mínima razão de estar ali, nem uns nem outros[...]” “Tudo é gratuito: este jardim, esta cidade, eu próprio. E quando acontece de nos darmos conta disso, revolta-nos o estômago e tudo se põe a flutuar...eis a Náusea” Roquentin em: “A Náusea”.

fonte:  Arlindo F. Gonçalves Jr.

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