Concepções filosóficas
“Temer a morte, atenienses, não é nada além de se acreditar sábio
quando não se é, pois, é acreditar que se sabe o que não se sabe”
(Apologia de Sócrates)
PLATÃO.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
Cebes: Supões, Sócrates, que fôssemos covardes, ou, melhor, que não o
temêssemos, mas que houvesse em nós um menino que o temesse. Procura
ensinar-lhe a não temer a morte como às sombras.
Sócrates: Para isto é preciso empregar, todos os dias, encantamentos
até curá-lo.
Cebes: mas onde encontraremos, ó Sócrates, um bom encantador se nos
vais deixar?
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
Sócrates: A Grécia é grande, e nela podem ser encontrados homens hábeis
em grande número. [...] É preciso também que o procureis entre vós,
porque talvez não encontreis nenhum homem capaz de fazer encantamento
melhor que vós mesmos.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
Sócrates: Os homens ignoram que os verdadeiros filósofos trabalham
durante toda sua vida na preparação de sua morte e para estar mortos,
sendo assim, seria ridículo que, depois de ter perseguido este único
fim, sem descanso, retrocedessem e tremessem diante da morte. [...] A
morte parece ser algo?
Símias: Sem dúvida. Sócrates: Não é a separação da alma e do corpo, de
modo que o corpo permaneça isolado em si mesmo de um lado e a alma em
si mesma do outro? Não é isso, porventura que chamam de morte?
Símias: Isso mesmo.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
Sócrates: Parece-te que os desejos de um filósofo não têm por objeto o
corpo e que, pelo contrário, trabalha para afastar-se dele dentro do
possível a fim de se ocupar apenas de sua alma?
Símias: Certamente.
Sócrates (dirigindo-se a Cebes): Qual é a coisa que entrando num corpo
o torna vivo?
Cebes: A alma.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
Sócrates: Assim, a alma, empolgando uma coisa, traz consigo vida para essa coisa?
Cebes: Como não?
Sócrates: Existe um contrário da vida, ou não?
Cebes: A morte.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
Sócrates: Não é verdade que a alma jamais aceitará o contrário do que sempre traz consigo?
Cebes: Com certeza.
Sócrates: Como chamávamos há pouco o que não aceitava a idéia do par?
Cebes: Ímpar.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
Sócrates: E ao que não aceita o justo e ao que não admite o harmônico?
Cebes: Injusto e inarmônico.
Sócrates: E ao que não admite a morte, como chamaremos?
Cebes: Imortal.
Sócrates: A alma não admite a morte, não é?
Cebes: Sim.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
FILOSOFIA
(PHARMACON)
Atitude de cultivo
da alma
Remédio contra o
temor da morte.
FÉDON (sobre a imortalidade)
SÓCRATES
ALMA (AQUILO QUE
INTRODUZ VIDA)
NÃO ADMITE SEU
CONTRÁRIO (MORTE)
O QUE NÃO ADMITE
A MORTE
IMORTAL
LOGO, ALMA É IMORTAL.
“Perturbamos a vida pela preocupação com a morte, e a morte pela
preocupação com a vida. Uma nos entristece, a outra nos amedronta. Não
é contra a morte que nos preparamos; é uma coisa demasiado momentânea.
Quinze minutos de paixão sem conseqüência, sem incômodo, não merecem
preceitos particulares. A bem dizer, preparamo-nos contra os
preparativos da morte” (Ensaios)
MONTAIGNE.
MARTIN HEIDEGGER
HOMEM
(SER-AÍ)
SER-NO-MUNDO
SER-COM-OS-OUTROS
SER-PARA-A-MORTE.
MARTIN HEIDEGGER
“A morte é uma possibilidade de ser que o Ser-aí deve assumir sempre
por si mesmo [...]. É a possibilidade da pura e simples impossibilidade
do Ser-aí. Assim, a morte se revela como a possibilidade mais própria,
incondicionada e insuperável”. Mais própria: pois diz respeito à
essência da existência. Insuperável: é a última possibilidade da
existência, mas que aniquila a própria existência. Incondicionada:
pertence exclusivamente ao indivíduo.
“Ninguém pode assumir o morrer do outro [...]. Cada Ser-aí deve assumir
a sua própria morte. Enquanto a morte ‘é’, ela é sempre radicalmente a
minha morte”.
MARTIN HEIDEGGER
“O ser-para-a-morte é essencialmente angústia”
A antecipação da morte dá sentido ao ser dos entes, mediante a
experiência do seu nada possível. Essa experiência, no entanto, não se
tem por obra de ato intelectivo, e sim, muito mais por meio do
sentimento específico que é a angústia: A angústia põe o homem diante
do nada, do nada de sentido.
MARTIN HEIDEGGER
EXISTÊNCIA
AUTÊNTICA
aceitação da própria
finitude
ter a coragem de olhar de
frente a possibilidade do próprio
não-ser, de sentir a angústia do
ser-para-a-morte.
MARTIN HEIDEGGER
EXISTÊNCIA
INAUTÊNTICA
se esgota em uma vida
anônima e superficial
tem medo da angústia
da morte.
JEAN-PAUL SARTRE
“[...] há pouco eu estava no jardim público. A raiz da castanheira
afundava na terra, precisamente sob meu banco. Não me recordava mais
que era raiz. As palavras haviam desaparecido. E, com elas, o
significado das coisas [...]. Éramos um monte de existentes amontoados:
não tínhamos a mínima razão de estar ali, nem uns nem outros[...]”
“Tudo é gratuito: este jardim, esta cidade, eu próprio. E quando
acontece de nos darmos conta disso, revolta-nos o estômago e tudo se
põe a flutuar...eis a Náusea”
Roquentin em: “A Náusea”.
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